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ESPAÇO E MEMÓRIA: UM ESTUDO SOBRE AS VIVÊNCIAS HOMOERÓTICAS NA CIDADE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (1980 – 2018)
MEMORY AND SPACE: A STUDY ABOUT THE HOMOEROTICAL EXPERIENCES IN SÃO JOSE DOS CAMPOS CITY (1980 – 2018)
ESPACIO Y MEMORIA: UN ESTUDIO SOBRE LAS PRACTICAS HOMOEROTICAS EN LA CIUDAD DE SAO JOSE DOS CAMPOS (1980 – 2018)
Caminhos da História, vol. 27, núm. 2, pp. 147-167, 2022
Universidade Estadual de Montes Claros

Artigos Livres

Caminhos da História
Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil
ISSN: 1517-3771
ISSN-e: 2317-0875
Periodicidade: Semestral
vol. 27, núm. 2, 2022


Este trabalho está sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-Não Derivada 4.0 Internacional.

Resumo: O artigo busca investigar, por meio do estudo do espaço e da memória social, instrumentais de análise que possibilitam a compreensão da subjetividade das representações, quais eram e são os locais de socialização da comunidade que foge aos padrões de heteronormatividade na cidade de São José dos Campos-SP. A pesquisa parte do conceito de gueto e de região moral, que estuda os espaços urbanos a partir das suas fronteiras identitárias, atribuindo-se valor aos sentidos e identidades, permeados por representações. Busca-se compreender, também, como ocorre a relação entre os moradores do entorno com a comunidade LGBTQIA+, bem como a relação dessa população com os espaços deliberadamente considerados GLS (Gays, Lésbicas, Simpatizantes), Gays friendly (espaços amigáveis aos LGBTQIA+), ou não, da década 1980 aos dias atuais. Essa perspectiva ocorre por meio de entrevista oral com três indivíduos que se identificam como LGBT. O estudo evidenciou que os sujeitos estabelecem uma relação intrínseca com os espaços e que as memórias vivenciadas têm, no espaço, o suporte das identidades compartilhadas.

Palavras-chave: Espaço, Memória, LGBT, São José dos Campos, Região Moral.

Abstract: The paper intends to investigate through social memory and space, that enables the comprehension of subjectivity about representations by means this populations, the lesbians, gays, bisexuals and transgenders (LGBT) socialization places, in Sao Jose dos Campos-SP. The research starts from the concepts of ghetto and moral regions that studies the urban spaces starting from the identity’s frontiers, giving significances to the senses and identities, permeated by meanings. It intends to understand how the relationship between the joseenses citizens and the LGBT community occurs, as well as, the connection of this population with the deliberately spaces considerate GLS (gays, lesbians and supporters) and Gays Friendly, or not, from the 80s to today. This perspective occurs by means the interview with three people who identifies their self with LGBT. The study has showed that people establish a deep connection within spaces and those memories has, at space, the support of shared identities.

Keywords: Space, Memory, LGBT, Sao Jose dos Campos, Moral Region.

Resumen: El articulo busca investigar, por medio del espacio y de la memoria social, que posibilita la compreension de la representacion sobre las subjetividads de esa populacion, y cuais eran y san los sitios de socializacion de la comunidad LGBT (Lésbianas, Gays, Bissexuales y Transgeneros), en la ciudad de Sao Jose dos Campos-SP. La busqueda parte de los conceptos de region moral y gueto, que estudian los espacios urbanos, a partir de las fronteras identitarias, concediendo valor a los sentidos y representaciones identitarias, impregnados por represetaciones. Tambien busca comprender como ocure las relaciones entre los habitantes de los alrededores con la comunidad LGBT, así que su relacion con los espacios GLS (Gays, Lesbianas, Simpatizante), Gays Friendly, desde hace 1980 hasta los días atuales. Esa perpectiva ocurre por medio de entrevistas con tres personas que san LGBT. El studio ha demonstrado que la gente establece una profunda relacion con los espacios y que las memorias tienen, en los espacios, el apoyo de las identidades compartidas.

Palavras-clave: Espacio. Memoria. LGBT. Sao Jose dos Campos. Region Moral.

Introdução

A partir da visão foucaultiana, é possível estabelecer uma relação entre a moral e o indivíduo, aliado ao espaço em que se habita. Foucault (1984, p. 21) chama esta relação de “teologia do sujeito moral”, em que

a ação não é moral somente em si mesma e na sua singularidade; ela o é também por sua inserção e pelo lugar que ocupa no conjunto de uma conduta; ela é um elemento e um aspecto dessa conduta, e marca uma etapa em sua duração e um progresso eventual em sua continuidade.

O autor considera que a ação moral “tende à sua própria realização; além disso, ela visa, por meio dessa realização, a constituição de uma conduta moral que leva o indivíduo, não simplesmente a ações sempre conformes aos valores e às regras, mas também a certo modo de ser característico do sujeito moral” (Idem).

Isso revela o controle sobre os corpos dos indivíduos, além da imposição de uma moral pré-estabelecida dentro de determinado espaço para justificar as relações de poder e, consequentemente, essa lógica promove a construção deste mesmo espaço. Por esse meio, visa-se reproduzir substancialmente a divisão de classes, ou seja, as classes que possuem o domínio em diferentes instâncias, inclusive sobre o corpo. A reprodução de uma racionalidade construída socialmente é a mesma que regula os prazeres, e, do mesmo modo, os indivíduos que são submetidos ao domínio desta. A moral, portanto, possui papel importante na construção social do espaço. Historicamente, a sociedade perpetuou uma moral e condutas determinadas pelos signos patriarcais e heteronormativos e, a cidade, como locus das relações estabelece e reproduz socialmente essa lógica.

São José dos Campos, município sede da Região do Vale do Paraíba e Litoral Norte, possui características intrínsecas relacionadas ao cristianismo desde sua formação. Isto se deve muito ao fato de a aldeia de São José, no século XVI, ter sido fundada não somente por um padre jesuíta, como este, também é reconhecido como seu patrono, além do nome do município, ser em homenagem a um santo, assim como muitos outros municípios no Brasil. Desde sua fundação, portanto, o município preserva características acentuadamente cristãs (SILVA; VIEIRA; ZANETTI; MARTINS; RIBEIRO, 2010).

O município, reconhecido atualmente como polo tecnológico e industrial, com relevância nas atividades científico-industriais no setor aeroespacial, ganhou notoriedade, sobretudo, a partir da década de 1920, com a implementação de infraestrutura urbana para tratamento da tuberculose, doença muito temida em todo o país à época (ZANETTI, 2008). Foi desse modo, com os importantes subsídios econômicos, e, sobretudo, estruturais, provenientes da “fase sanatorial”, que a cidade passou a investir, na década de 1950, na chamada “segunda fase da industrialização” (PDDI, 2017).

As questões geográficas também conferiram importante papel no desenvolvimento do município, uma vez que, está localizado entre duas importantes sedes administrativas: São Paulo e Rio de Janeiro, além de estar próximo à Serra da Mantiqueira e ao Porto de São Sebastião. Foi com esta privilegiada localização que a cidade se caracterizou como grande centro comercial e prestador de serviços, principalmente após a inauguração da Rodovia Presidente Dutra em 1951 (ZANETTI, 2008). No entanto, foi a partir da década de 1960, sobremaneira, que o município se consolidou como “complexo tecnológico-industrial aeroespacial” (SOUZA, 2008).

Com a segunda fase da industrialização, na década de 1950, o município recebeu mais investimento do estado e um maior contingente populacional. Atualmente São José dos Campos, município de porte médio do interior paulista, é reconhecido como polo tecnológico e referência no setor aeronáutico, graças à presença desde 1950 do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que proporcionaram a instalação de fábricas especializadas no setor, como a Embraer.

São José dos Campos possui população estimada de 737.310, sendo a sétima maior população do Estado, com Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 53.615,25, o que caracteriza o município como maior e mais rico da Região Metropolitana do Vale do Paraíba Paulista e Litoral Norte (IBGE, 2019). Ainda que a cidade tenha se desenvolvido tecnológica e economicamente, a cidade se mantém tradicional nos costumes. Dados do IBGE (2010) apontam que, do total da população estimada, 422.667 são católicas e 142.826 evangélicas. Embora esses dados não definam características culturais, eles reforçam a predominância de uma moral baseada nos preceitos cristãos.

Avançado economicamente e tradicional nos costumes, o município de São José do Campos vive as contradições de uma assincronia urbana (VÉRAS, 2001), ao conviver com as diferenças de ritmos entre os usuários da cidade. As memórias aqui analisadas estão associadas ao espaço da cidade de São José dos Campos, de modo que elas se produzem e se reproduzem também, ao mesmo tempo em que o espaço se modifica (GIDDENS, 1990; HALBWACHS, 1990).

Este estudo busca, portanto, discutir e compreender quais são e onde estão os espaços de socialização homoerótica na cidade de São José dos Campos. Para além disso, tem-se o objetivo de analisar como ocorre a relação histórica dos habitantes da cidade, com essa população. Para tanto, a pesquisa se divide em três tópicos; o primeiro que discute as noções conceituais e históricas de gênero e sexualidade. O segundo que relaciona a memória e o espaço social com a comunidade LGBT. E o terceiro que trata do centro da cidade como região moral e gueto.

Metodologia

Neste estudo, foram utilizadas as categorias analíticas Identidade, Memória Social, Espaço e Região Moral. Valemo-nos do suporte teórico de Stuart Hall (2006) e Anthony Giddens (2008) para discutirmos identidade. Hall entende que o momento cultural em que vivemos é resposta das mudanças estruturais ocorridas na segunda metade do século XX. Essas mudanças, decorrentes da pós modernidade, fragmentaram as “paisagens” de gênero, classe, etnia, entre outros. Para Hall (2006), o sujeito - que antes tinha um núcleo centrado no seu eu, consolidado pelas experiências geracionais, em que o passado era venerado e os símbolos amplamente valorizados- passou a assumir identidades diferentes, em diferentes momentos. Giddens (2008) diferencia, neste escopo, a identidade pessoal da identidade social. A identidade pessoal, na concepção do autor, seria o conjunto de características pelas quais o indivíduo se identifica e atribui sentido a si. Ao passo em que a identidade social, seria a soma de aspectos que a sociedade e o grupo atribuem ao indivíduo e, dessa forma, ele se identifica.

O conceito de Memória Social será discutido por meio de Maurice Halbwachs (1990). O autor compreende a memória como campo de significação que leva o indivíduo a constituir tanto as próprias recordações como a sua identidade a partir da interação deste com um determinado grupo e, do mesmo modo, em um determinado lugar (HALBWACHS, 1990).

O conceito de Espaço, como categoria analítica, será embasado nos estudos de Pierre Bourdieu (1986) que o entende, sobretudo, como dimensão social, e não somente como político ou geográfico, ainda que também o seja. Bourdieu (1986) considera que o espaço geográfico é o espaço objetivo, exposto em sua materialidade e forma e, o espaço social, é o que traz em si as representações. Por esse motivo, o espaço social pode ser entendido como subjetivo, uma vez que é a partir da luz das relações sociais que ele se constrói. Bourdieu (1986) afirma que o espaço social tem a tendência de agir como espaço dos símbolos e, da mesma forma, como espaço que contempla diferentes estilos de vida, ainda que isto dependa de outros fatores culturais (BOURDIEU, 1986).

Entre os conceitos de Espaço e Lugar, encontra-se, em Michel Foucault (1987), importante contribuição. O autor entende o espaço como um conjunto de ações que resultam em lugares. Ações essas mediadas pelo controle, sobretudo, dos corpos dos indivíduos. O controle do corpo no e pelo espaço garante o funcionamento do Estado e seu status quo, assegurando, dessa forma, a ordem social. Segundo o autor, o dispositivo panóptico, máquina do biopoder de vigiar os corpos e seus movimentos, “organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente”. Nesse sentido, o espaço e a sociedade se constituem instrumentos da disciplina e do controle (FOUCAULT, 1987, p. 124).

O conceito de gênero foi amparado pelos estudos de Joan Scott (1995). De acordo com a autora, gênero é uma categoria analítica que passou por modificações ao longo das décadas, sobretudo, com a inclusão/maior notoriedade das mulheres no meio social. O gênero, entendido como um saber sobre as diferenças sexuais, e denota características de categorizar sexualmente determinados corpos (SCOTT, 1995), construindo significados culturais para essas diferenças e, consequentemente, posicionando-as dentro de relações hierárquicas. Gênero, para Scott “é um elemento constitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos” e “se constitui como forma primária de dar significado às relações de poder” (SCOTT, 1995, p. 86). É assim que trataremos as representações sobre os sexos, como relações de poder heteronormativos.

Outro conceito importante para a reflexão é o de Região Moral que, de acordo com Robert Parker (1984), está relacionado a uma leitura espacializada das questões identitárias da cidade. Região moral é utilizada por Parker como categoria analítica para se aplicar a regiões onde prevaleça um código moral divergente do comumente aceito. Os indivíduos que habitam regiões morais são considerados excêntricos e “anormais”, resíduos de categorias que a moral constrói (PARKER,1984, p. 44/45). Esses espaços, formados de modo a assegurar o direito à cidade, leva-nos a investigar as formas de acesso ao lazer do segmento LGBTQIA+, assim como nos leva a investigar como se dá a relação entre esse grupo e os moradores da cidade de São José dos Campos, sob o ponto de vista de três entrevistadas mulheres que se relacionam afetivo-eroticamente com mulheres e das memórias e vivencias das mesmas sob o ponto de vista de Henry Lefebvre (2001) e da concepção dos espaços vividos, imaginados e concebidos.

Utilizou-se de depoimentos de três participantes de pesquisa[1] para tratar dos conceitos de território, bem como de espaços vividos, imaginados e concebidos, sob o ponto de vista de Henry Lefebvre e David Harvey. Foram também de igual importância os conceitos de memória social e identidade, bem como o aporte instrumental da História Oral para a coleta das entrevistas, realizadas com três mulheres que se relacionam afetivo-eroticamente com mulheres. A Entrevistada 1 (E1) possui 23 anos, a Entrevistada 2 (E2), 32 anos, e a Entrevistada 3 (E3), 57 anos, todas residentes na região Leste da cidade. Optou-se por manter o anonimato das entrevistadas e adotar o sistema de identificação utilizando a letra E (Entrevistada) e a sequência numérica arábica dos depoimentos, ou seja, E1, E2, E3. As entrevistas seguiram um roteiro semiestruturado com perguntas relacionadas ao espaço e às suas vivências e foram coletadas individualmente.

Este artigo busca, portanto, por intermédio de aporte bibliográfico e de fontes primárias, discutir sobre as demandas de gênero e sexualidade relacionadas ao espaço urbano da cidade de São José dos Campos, apoiadas no conceito de Região Moral e de gueto para tratar dos espaços destinados à comunidade LGBTQIA+, de modo geral, uma vez que não há registros de espaços destinados a um determinado tipo de grupo, nas décadas de 1980 e 2000.

Gênero e sexualidade em São José dos Campos

Para Edward MacRae e Peter Fry não é plenamente possível definir a homossexualidade fora do campo psicológico e médico, uma vez que o significado muda de sociedade para sociedade, sendo considerado, portanto, algo subjetivo. Para os autores, os papéis atribuídos aos homens e mulheres nas sociedades industrializadas, como a brasileira, influenciam de modo a restringir as ações dos indivíduos:

O nosso argumento a que as pessoas chamadas "homossexuais" não sofrem de nenhuma "condição", mas que acabam, isto sim, sendo levadas por pressões sociais, em grande parte, a desempenhar variações pouco ortodoxas dos papeis sociais normalmente atribuídos aos homens e as mulheres (MACRAE; FRY, p. 12, 1988).

Ou seja, a homossexualidade se insere, assim como o gênero, em categorias de análise. Com as transformações sociais, culturais e tecnológicas intensificadas no século XX, as definições de gênero e sexualidade se modificaram, no entanto, sem ameaçar o status quo. Segundo Guacira Louro (2001), a sexualidade passou a ser promovida, e ao mesmo tempo, continuou regulada pela sociedade, uma vez que esse “dispositivo histórico” continuava acordado com a estrutura hegemônica-patriarcal. E a partir dessa lógica heteronormativa, condiciona-se as identidades “dos outros” que não se encaixavam no padrão estabelecido. A autora entende que

Em nossa sociedade, a norma que se estabelece, historicamente, remete ao homem branco, heterossexual, de classe média urbana e cristão e essa passa a ser a referência que não precisa mais ser nomeada. Serão os "outros" sujeitos sociais que se tornarão "marcados", que se definirão e serão denominados a partir dessa referência. Desta forma, a mulher é representada como "o segundo sexo" e gays e lésbicas são descritos como desviantes da norma heterossexual. Ao classificar os sujeitos, toda sociedade estabelece divisões e atribui rótulos que pretendem fixar as identidades (LOURO, 2001, p. 6).

Foi nos anos de 1980 que “emergiram os primeiros estudos sobre aspectos do desenvolvimento da homossexualidade tendo por referência o indivíduo como sujeito psicologicamente saudável” na onda do Movimento Homossexual e Lésbico que, mesmo com grande dificuldade, conseguiu despertar o interesse de muitos para a problemática lésbica, sobretudo, nas grandes cidades (BARBOSA; FACCHINI, 2005, p. 18).

Em São José dos Campos, no entanto, essas lutas não ecoaram significativamente no habitus das relações sociais da cidade. Constituía-se, assim, um espaço de regulação dos corpos, sobretudo, aqueles que não se encaixavam nos padrões heterormativos. Isto é, com a epidemia de AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), houve a implantação de algumas políticas nacionais de combate à doença, pautadas, principalmente, nos gays e nas travestis, que ficaram estigmatizados como propagadores da AIDS, e, consequentemente, foram marginalizados no convívio social (ROSSI, 2009). Rossi afirma que,

a chegada do vírus à cidade trouxe uma abertura nos diálogos referentes ao sexo. Campanhas e palestras foram oferecidas na cidade, no primeiro surto da doença, entre 1983 e 1985 quando atingiu o grupo homossexual. A ausência de informação entre órgãos públicos e a população marcou o caminho do vírus na cidade (ROSSI, 2009, p. 23).

A predominância do pensamento heteronormativo-patriarcal-cristão na cidade de São José dos Campos é destacada na entrevista de um evangélico da Igreja Quadrangular, concedida ao Jornal Vale Paraibano:

Todos os evangélicos, sabemos que essas doenças cíclicas nada mais são do que a manifestação da vontade de Deus, querendo castigar os erros e descaminhos do homem ao longo da sua trajetória sobre a face da Terra. Sabemos que são antinaturais e violentadores desse sagrado tempo do Espírito Santo, que é o corpo humano, as relações chamadas homossexuais e que nós chamamos de sadômitas [...]. Ora, a AIDS nada mais é que as chuvas de arenitos, lava e areia que Deus faz desabar sobre a humanidade, quando passa a considerar o homossexualismo como alguma coisa normal e natural [...] Sou totalmente contrário e se algum membro da minha família vier a contrair AIDS, não terá de mim a menor complacência, porque saberei que ele contraiu a doença por ter desviado dos sadios caminhos do senhor (Jornal O Vale Paraibano Apud VIEIRA, 1987, p. 2).

Ou seja, houve resistência à condição de ser homossexual em São José dos Campos. Contudo, é possível observar que, especificamente em relação às mulheres lésbicas, não há menções, o que denota grande invisibilidade tanto por parte da mídia, quanto da própria população, que concentrou seus esforços em excluir socialmente os homens gays e as travestis do cotidiano joseense. Tal invisibilidade pode ser descrita por Boaventura Santos (2007), que afirma que a sociedade é organizada sob uma distinção entre os visíveis e os invisíveis: “As distinções invisíveis são estabelecidas por meio de linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos: o ‘deste lado da linha’ e o ‘do outro lado da linha’” (SANTOS, p. 71, 2007). A divisão é tamanha que os indivíduos “do outro lado da linha”, são imersos quase que inteiramente no manto da invisibilidade social (Idem). Desse modo, entre os visíveis e marginalizados, se encontrava os gays e as travestis.

Nota-se, que o discurso contra os LGBTQIA+ não é exclusivo de São José dos Campos, ele se estendeu a muitos outros lugares do Brasil. Muitas das travestis, em São José dos Campos, foram expulsas do centro da cidade em decorrência da epidemia da AIDS. Rossi (2009) afirma que, “nos anos tumultuados pela doença, as travestis foram expulsas do centro de São José dos Campos, pela polícia militar e pela população, pois, a AIDS resultou numa fobia generalizada” (ROSSI, 2009, p. 28).

A história da sexualidade é a história dos discursos sobre a sexualidade. Esta história, no Ocidente, não pode ser considerada como um “‘regime de silêncio’, ao contrário, como um “constante e historicamente cambiante incitamento ao discurso sobre o sexo” (WEEKS, 2000, p. 35). O controle, portanto, não se caracterizou pela repressão no discurso, mas com o controle exercido pela produção dos discursos em torno da sexualidade, das formas de regular os corpos, de atribuírem características e de se negar possibilidades, por meio do aparato da sexualidade (Idem). Com a iminência da AIDS, o controle dos corpos se tornou imperativo, a partir da justificativa de que esta seria uma doença disseminada majoritariamente pelos homossexuais e travestis. Desse modo, tais narrativas se tornaram ainda mais eloquentes no cotidiano joseense.

A memória na representação do espaço joseense

Para Alessandri Carlos (2007, p. 41), a possibilidade do “entendimento do espaço geográfico enquanto produto histórico e social abre perspectivas para analisar as relações sociais a partir de sua materialização espacial”, o que sugere que a prática social teria o espaço como condição de sua realização. Dessa maneira, as “relações sociais realizam-se concretamente por meio de uma articulação espaço-tempo, o que ilumina o plano do vivido, ou seja, a vida cotidiana e o lugar”. Assim sendo, a reprodução de relações sociais “materializam-se em um espaço apropriado para este fim, e a vida, no plano do cotidiano do habitante, constitui-se no lugar produzido para esta finalidade e é nesta medida que o lugar da vida constitui uma identidade habitante-lugar” (Idem).

De acordo com a autora, é por meio de seu corpo e de seus sentidos, bem como das interações, que o indivíduo constrói e usa “um espaço em um tempo definido pela ação cotidiana”. Ou seja, o lugar torna-se a parte do espaço apropriado para a vida. É nesse sentido que se constrói a relação dos indivíduos, da identidade e do lugar. Segundo Alessandri Carlos (Idem, p. 41), é sob essa tríade que se observa a necessidade de “considerar o corpo, pois é através dele que o homem habita e se apropria do espaço (através dos modos de uso) e significa que nossa existência espaço-temporal, tem uma corporeidade, pois agimos através do corpo; é ele que nos dá acesso ao mundo”.

A memória torna-se importante nesse processo referente à atividade humana, pois ela também é responsável por construir a identidade permeada da sua relação com o lugar. De acordo com Maurice Halbwachs (1990, p. 122),

se vivemos só, a região do espaço que nos cerca de modo permanente e suas diversas partes não refletem somente aquilo que nos distingue de todas as outras. Nossa cultura, nossos gostos aparentes na escolha e na disposição desses objetos se explicam em larga medida pelos elos que nos prendem sempre a um grande número de sociedade, sensíveis ou insensíveis (Idem).

O autor entende que, quando o indivíduo não compartilha memórias em comum com outros grupos, de modo a compreender o espaço e, sobretudo, o lugar no qual está, por meio das comunidades na qual se insere, mesmo com suas subjetividades, ele perde parte dessas memórias; sobretudo aquilo que é imaginado e percebido, além do que foi ou é vivido.

Nesse sentido, a memória histórica a qual Halbwachs (1990) se refere é importante nessa concepção, pois auxilia na compreensão dos indivíduos sobre as reminiscências, mesmo que não as tenham necessariamente vivido. É por meio dessa memória que conseguem conceber determinadas circunstâncias. Para Michel Pollak (1989, p. 3), o conceito de memória de Halbwachs enfatiza a força dos diferentes agentes que interferem nos pontos de referência que a estruturam e que as inserem na memória da coletividade a qual pertencemos. O autor ainda afirma que, ao “definir o que é comum a um grupo e o que o diferencia dos outros, fundamenta e reforça os sentimentos de pertencimento e as fronteiras socioculturais” (Halbwachs, 1990, p. 131; Pollak, 1989, p. 3). A memória faz parte de uma rede que estrutura, efetivamente, a relação dos LGBTs em São José dos Campos, pois, ela engendra uma série de fatores que são relegados no escopo da sociedade, por não pertencerem as classes hegemônicas, e se, estas controlam muitas vezes a forma como é escrita a história, cabe à memória demonstrar fatos desconhecidos (Portelli, 1997).

A Entrevistada E1 (2017) imagina as características do Alter, um dos poucos bares/boates destinados a essa população na cidade, como a boate Freakout (localizada no Centro, a Bariloche, na região Sul, assim como o Tocata e o Acústico, comumente frequentados por essa população. No entanto, somente o Alternativo Mix é denominado como LGBTQIA+. E mesmo que a E1 não tenha nunca frequentado o local, idealiza-o de acordo com referências de outras pessoas; uma vez que ela possui uma memória histórica sobre o lugar:

Entrevistadora: Você costuma frequentar alguns desses espaços (destinados ao público LGBT)?

Entrevistada 1: Não.

Entrevistadora: Por quê?

Entrevistada 1: Ah, eu acho que não faz meu tipo, assim. ‘Na real’, é uma coisa, eu acho que a gente já tinha conversado uma vez sobre o Alter (boate LGBT localizada no centro de São José dos Campos) né? O Alter ele é muito rebaixado pelo público LGBT. Todo mundo pensa que as pessoas que frequentam o Alter, é um pessoal mais... (De uma classe social mais baixa). Então, e nisso, acaba tendo uma resistência. Eu nunca fui, não por conta disso, porque eu nunca curti baladas, assim. Mas vou ser bem sincera, pelo que o povo fala, eu nunca tive curiosidade de ir lá também conhecer, porque se eu também tivesse curiosidade de ir lá, eu já teria ido. Mas pelo que as pessoas falam, eu não fico com vontade. Dizem que lá, rola um pessoal meio estranho (Entrevistada 1, 2017).

Observa-se nessa fala que as memórias sociais influenciam na pouca “curiosidade” que ela possui em conhecer o lugar e, de fato, saber se realmente o “pessoal é meio estranho”, como outras pessoas “dizem”. Mesmo que a vivência de E1 seja subjetiva e que tenha sua própria construção social, ela se apropria das memórias de um círculo de pessoas que conhece para ter uma opinião sobre a boate LGBT.

De acordo com Halbwachs (1990, p. 132), “quando um determinado grupo está inserido numa parte do espaço ele a transforma à sua imagem, ao mesmo tempo em que se sujeita e se adapta às coisas materiais que a ela resistem”, e, sobretudo, como entende o autor, “a imagem do meio exterior e das relações estáveis que mantém consigo passa ao primeiro plano da ideia que faz de si mesmo”. Ainda sob o ponto de vista de E1, as memórias sociais que ela possui sobre a boate LGBTQIA+, foram adquiridas de um grupo específico, os gays:

E1: Mas é engraçado que o Alter (boate destinada ao público LGBT na cidade de São José dos Campos) ele tem essa reputação bem baixa, ele é o local para público LGBT que mais dura em São José dos Campos. Você já parou para pensar nisso? [...] Porque, na verdade, se você for parar para pensar, numa coisa, pelo menos assim, vendo alguns amigos meus, tudo. Como eles rotulam muito o Alter, aí o pessoal que tem uma melhor condição financeira acaba indo para São Paulo, ou para Taubaté, que é perto. O pessoal prefere ir para outra cidade, quem tem um pouco mais de grana, do que ir para o Alter. [...] Mas ainda acho que o Alter é o ponto de encontro de uma galera mais baixa renda.

Entrevistadora: Bom, não conheço o Alter, na verdade, mas você acha que são pessoas mais velhas, mais novas, pessoas de todos os tipos? Entrevistada 1: Eu nunca entrei lá, na verdade, mas já passei lá. Galera de tudo que é tipo. Travesti, gays, lésbicas, drags. É bem diversificado. Entrevistadora: Essa baixa reputação vem dos próprios gays e lésbicas, ou pessoas heterossexuais?

Entrevistada 1: Dos gays e lésbicas. Porque para você ter ideia, eu nunca escutei um hetero falar que aquela balada é podre. (Risos) [...] E também ninguém reclama. Tipo “ai, eu passei lá na frente e tinha uma galera estranha”. Nunca ouvi ninguém falar, sério mesmo, hetero, assim. Que eu me lembre, não [...] Gay principalmente, nossa, “mete o pau” (Risos) (Entrevistada 1, 2017).

Halbwachs (1990) entende que a memória social, não se faz com o indivíduo isolado, mas com o indivíduo como membro de um grupo e é o “próprio grupo que, dessa maneira, permanece submetido à influência da natureza material e participa de seu equilíbrio” (p. 32). O autor ainda complementa, mesmo que se pudesse supor que quando os que pertencem ao grupo estão separados, e que não encontrem nada em seu ambiente material, ainda assim, se permanecem unidos por meio do espaço (IDEM).

Segundo Halbwachs (1990, p.133), as imagens espaciais desempenham um papel na memória coletiva de modo a assegurar as lembranças que mantém a identidade dos grupos. De acordo com o autor, o lugar recebe a marca do grupo, assim como o grupo recebe a marca do lugar, portanto,

todas as ações do grupo podem se traduzir em termos espaciais, e o lugar ocupado por ele é somente a reunião de todos os termos. Cada aspecto, cada detalhe desse lugar em si mesmo tem um sentido que é inteligível apenas para os membros do grupo, porque todas as partes do espaço que ele ocupou correspondem a outro tanto de aspectos diferentes da estrutura e da vida de sua sociedade, ao menos, naquilo que havia nela de mais estável (HALBWACHS, 1990, p. 133).

Michel Pollak (1989, p. 3), entende que a memória é construída de modo coesivo e não coercitivo e colabora para que se torne uma lembrança comum ao grupo o que, por vezes, o diferencia de outros, por ser um amálgama que “fundamenta e reforça os sentimentos de pertencimento e as fronteiras socioculturais”. De acordo com o autor, há, portanto, uma “comunidade afetiva” (Idem) que favorece tais memórias, não de maneira imposta, mas, pelas experiências em comum desse círculo de pessoas. Nesse sentido, observa-se também que, além da sexualidade, a identidade, de modo geral, pode auxiliar os indivíduos a se identificar com determinado grupo.

Ao se fazer uso da história oral como forma de trazer à tona lembranças carregadas de memória, Alessandro Portelli (1997) ressalta a capacidade da História Oral em traduzir significados e agudizar sensibilidades: “elas (as lembranças) sempre lançam nova luz sobre áreas inexploradas da vida diária das classes não hegemônicas” (1997, p. 31). Ainda segundo o autor, o mais significativo das contribuições de uma entrevista é o elemento da subjetividade que pode emergir com força: “fontes orais contam-nos não apenas o que o povo fez, mas o que queria fazer, o que acreditava estar fazendo e o que agora pensa que fez” (1997, p. 31).

As participantes da pesquisa E3 e E1 possuem diferentes vivências; no entanto, se assemelham em alguns aspectos, sobretudo na relação que possuem com a cidade que, para elas, tem um viés conservador. De acordo com E3:

Aqui que eu me fiz, mas acho que São José, - todo mundo reclama disso, se queixa disso -[...] é uma cidade extremamente fria e conservadora. Eu não me vejo espelhada nessa cidade mesmo. Sabe assim, embora eu me sinta joseense, eu não me reconheço. Então, já faz muito tempo que eu convivo no meio cultural e acho que foi isso que me acolheu um pouco, porque as pessoas do meio cultural são mais abertas. Acho que isso me ajudou muito. Mas a cidade como um todo, muito pelo contrário, nesse sentido que eu falo pra você que eu vivo num gueto. Mas um gueto ideológico. Porque assim como eu sinto um peixe fora d’agua na minha família, eu me sinto na cidade, de um modo geral. Parece que eu estou sempre falando uma língua diferente das pessoas, ou elas estão falando uma língua diferente da que eu falo (Entrevistada 3, 2017).

Alistair Thomson, Michael Frisch e Paula Hamilton enfatizam a relevância da História Oral como possibilidade de recuperar experiências de populações marginalizadas ou invisíveis na documentação oficial (2006, p. 75). Nas entrevistas realizadas para este estudo, fica evidente que as participantes necessitam desse meio de expressão para deixar claro o quanto alguns espaços da cidade são hostis às manifestações de afeto de suas respectivas orientações sexuais. E1, que nasceu no município de São José dos Campos, tem uma memória convergente com a de E3, no que se refere à cidade:

E1: O (Parque) Santos Dummont não (é tranquilo se relacionar com pessoas do mesmo sexo). Porque tem muita criança. Aí tem muito guarda. Eu conheço gente que fala que já foi repreendido lá. Eu nunca tive esse problema, mas, duas meninas já falaram que foram. Um guarda falou “vocês não podem se beijar aqui!”. Elas discutiram, bateram boca, falaram que ia chamar a polícia. Mas não deu em nada. Mas eu acho que deveria, sim. Mas eu acho que, sinceramente, lugares privados. Ah, porque, na verdade, assim, existe a lei, mas não é todo mundo que cumpre ela. Então eu estou em um lugar público, se alguém vai lá e faz alguma coisa comigo, eu não sei se realmente eu vou ser protegida. Então eu acho que em um lugar privado é mais difícil de acontecer alguma coisa.

Entrevistadora: Por que, necessariamente, você acha que tem que ter esses espaços?

Entrevistada 1: Por quê? Pô, eu preciso me divertir, preciso me sentir segura. E eu não vou, às vezes, para algum lugar...eu vou. Não estou dizendo que eu não frequento nada. Não, eu frequento, claro [...] não, eu frequento. Mas é que é diferente você frequentar sendo você. Você conseguir dar um beijo em alguém. Sem ninguém parar o que está fazendo (para olhar) (Entrevistada 1, 2017).

Para Halbwachs (1990, p. 135), nas cidades menores, os laços tendem a permanecer identitariamente menos modificados e enquanto o grupo evolui, em seu aspecto exterior muda mais lentamente”. Nesse sentido, ainda de acordo com o autor, os “hábitos locais resistem às forças que tendem a transformá-los, e essa resistência permite perceber melhor, até que ponto, em tais grupos, a memória coletiva tem seu ponto de apoio sobre as imagens espaciais” (HALBWACHS, 1990, p. 135).

Guetos e região moral na cidade de São José dos Campos (1980 – 2000)

De acordo com Nestor Perlongher (1987, p. 46), tanto o gueto gay quanto a região moral estão compreendidos na cena das vivências homoeróticas nas cidades. Para o autor, “a constância de certas populações em agruparem suas perambulações à procura de sexo, diversões, prazeres e outros vícios próximos à ilegalidade”, em áreas especializadas, mereceu status de região moral, atribuído pela sociologia urbana. Enquanto os guetos gays se define por algumas premissas que os estabelecem. As relações homoeróticas em espaços restritos condicionaram a comunidade LGBTQIA+ a se socializar em guetos (ROSSI, 2009).

As várias pautas socioculturais e sexuais da década de 1970 provocaram novas dinâmicas urbanas, impostas pelo cruzamento das várias demandas do olhar a cidade como espaço de direito para as pessoas que vivem, sentem e ‘fazem a cidade’. Júlio Simões e Regina Facchini (2009) entendem que, a partir da década de 1970, com a formação dos grupos de afirmação homossexual, as pautas relacionadas ao tema obtiveram um maior destaque, ainda que ficassem reservadas aos guetos gays em um primeiro momento. Para os autores, o fato de muitos dos homossexuais deste grupo pertencerem à cena política da época fez com que estes buscassem “promover e difundir novas formas de representação da homossexualidade, contrapostas às conotações de sem-vergonhice, pecado, doença e degeneração” (Idem, p, 13).

Na cidade de São José dos Campos, tais pontos de socialização se localizam no centro da cidade, sobretudo a partir da década de 1980. No entanto, de acordo com Rossi (2009), muitos deles se mantinham sem identificação, evitando, dessa forma, a estigmatização do local como “espaços gays”. A entrevistada E1 (E1), de 23 anos, residente na região Leste do município, questionada sobre os espaços de convivência da comunidade, entende que os LGBTQIA+ também procuram os seus espaços de modo a se sentirem incluídos no grupo. Disse E1: “se você for parar para pensar, todo LGBT se sente excluído. Por isso que ele busca lugares que é da tribo dele, para que ele se sinta mais seguro. Eu sou assim, eu fico com medo, quando eu estou em um lugar que não é LGBT” (E1, 2017).

De acordo com Magnani (2002, p. 22), as pessoas que procuram esses “pedaços”, que o autor conceitua como uma área espacial na qual existem delimitação de funções, estão sempre relacionadas com questões simbólicas, as quais remetem a “gostos, orientações, valores, hábitos de consumo e modos de vida semelhantes”. Quem busca essa convergência de valores na cidade está à procura de pessoas que, comumente, se identificam com aquele estilo de vida, como afirma E1.

Magnani (2002) entende que se trata de um ponto de coesão entre essa população, muitas vezes excluída: “venham da onde vierem, o que buscam é um ponto de aglutinação para a construção e o fortalecimento dos laços” (IDEM). Para o autor (2002, p. 22), quando essas pessoas se aproximam, eles intentam, sobretudo, “encontrar seus iguais, exercitar-se no uso de códigos comuns, apreciar os símbolos escolhidos para marcar as diferenças” assim como pertencer a algum lugar no qual se sentem confortáveis e seguros.

Nestor Perlongher (1986), em seu estudo sobre as regiões morais entende que, mesmo que exista uma tendência em descentralizar os espaços de socialização, como consequência da modernização urbana, os centros das cidades persistem na ideia de se especializarem em “espetáculos do tipo único, e notoriamente no que se refere à chamada ‘vida noturna’. De acordo com o autor, o que caracteriza os centros urbanos, muitas vezes, é a possibilidade do imprevisto, das novidades da opção de consumo e interação que a vida social proporciona”. O autor afirma que o centro se torna o “lugar privilegiado, de intercâmbios, [...] é também o local de aventura, do acaso, das extravagâncias, das fugas. Fluxos de populações, fluxo do desejo” (Idem). Além disso, entende que as causas que agem de modo a constituir essas regiões morais ocorrem em parte devido à segregação que essas populações sofrem no meio urbano, assim como, em parte, porque nessas regiões morais, esse grupo tem a permissão das vivências cerceadas em outro espaço. Para o autor, “as imposições da vida na cidade fazem com que os indivíduos marginalizados pela sociedade busquem apoio naqueles que partilham das mesmas vivencias, nos mesmos lugares” (Idem).

O isolamento imposto pelo exterior leva a uma intensificação do intercâmbio social e cultural dentro do gueto. O gueto é o produto de uma dialética móvel e tensa entre a hostilidade externa e a afinidade interna que se expressa como uma ambivalência no nível do consciente coletivo. Por exemplo, mesmo que os judeus europeus protestassem contra sua relegação a distritos isolados, eles também se tornaram profundamente ligados a esses lugares, apreciando a relativa segurança e as formas especiais de vida coletiva por eles proporcionadas. Do mesmo modo, os negros tinham orgulho de ter “construído uma comunidade à sua própria imagem”, mesmo ressentindo o fato de tê-lo feito sob coerção, resultado da intransigente exclusão branca, cujo objetivo era espantar o fantasma da “igualdade social” representado pela miscigenação (DRAKE & CAYTON, 1945, p. 115). Guetos são “cápsulas étnicas” dedicadas a manter um grupo excluído numa relação de subordinação separatista. Assim, “todos os guetos são segregados, mas nem todas as áreas segregadas são guetos”. Dentro dessa perspectiva, há bairros mais isolados, que podem concentram um grau alto de riqueza, porém, mesmo devido ao isolamento espacial, não são considerados guetos, pois, a “a segregação neles é inteiramente voluntária e eletiva e por isso não são inclusivos ou perpétuos” (WACQUANT, 2004, p.10).

Nesse sentido, além do uso do espaço, pode-se notar uma prática da territorialidade sexual dos LGBT concentrada no centro da cidade de São José dos Campos. Segundo Haesbaert (2004), os territórios têm relação diretamente ligada ao poder, não somente ao poder de modo concreto, como também ao poder simbólico, cujas relações são estabelecidas e/ou formadas, o que corrobora com o fato de se dominar determinado espaço, moldando-o aos indivíduos que dele se apropriam.

Magnani (2002, p. 22) entende que o centro da cidade demonstra algumas características singulares no que se refere à apropriação do “pedaço”. O autor acredita que existem formas diferentes de atribuir significado a esse espaço, sobretudo quando este se torna ponto de referência a um determinado grupo. São nesses espaços apropriados que os indivíduos deixam sua marca, assim como se relacionam com seus “iguais”, como exemplifica Haesbaert (2004), transformando esse espaço em território. De acordo com Magnani (2002), o termo “pedaço” pode ser compreendido como um espaço situado entre o âmbito privado (a casa) e o público, “onde se desenvolve uma sociabilidade básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém mais densa, significativa e estável que as relações formais e individualizadas impostas pela sociedade” (2002, p.21).

Rossi (2009), entende que a localização central desses espaços de circulação em geral, e de encontros especificamente da população LGBT no centro de São José dos Campos, estabeleceu-se de modo pouco visível, devido, principalmente, às represálias que esse grupo sofria, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, com a epidemia de AIDS a qual assolou a população LGBT+ e dificultou a “visibilidade positiva” que surgiu, sobretudo, na década de 2000 (ROSSI, 2009; FRANÇA, 2006; FACCHINI, 2008). Essa falta de visibilidade positiva, no entanto, estimulou a luta pelo direito às vivências dessa população, que buscava relações tanto afetivas, quanto eróticas com seus iguais. De acordo com o autor:

A formação dos guetos homossexuais ocorreu devido à exclusão social. Na cidade de São José dos Campos, na década de 1980 e 1990, era nos guetos que o gay se identificava com seus iguais, para adquirir o direito às suas vivências. Grande parte dessa socialização acontecia à noite, em bares, destinados a esse público. Localizados geralmente no centro da cidade, próximos uns dos outros (ROSSI 2009, p. 35).

Perlongher (1986, p. 58) ressalta que há, então, o duplo sentido da região moral para os marginalizados:

De um lado, a preferência dos homossexuais por perambularem na ‘região moral’ teria sido historicamente a resposta à marginalização a que a sociedade global os condena; elas teriam encontrado aí um ponto de fuga para os seus desejos reprimidos pela moral social.

Para Rossi (2009), nos guetos da cidade de São José dos Campos, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, o fluxo de gays e lésbicas, assim como de travestis, dragqueens e bissexuais, ocorria de modo diferente. Certos locais tinham maior frequência de gays e/ou lésbicas e, em outros lugares, havia uma maior concentração de travestis e dragqueens.

A Entrevistada 2 entende que as regiões morais influenciam na construção do espaço e, consequentemente, na criação de lugares destinados a esse tipo de público (E2, 2017). Mesmo que a “visibilidade positiva” tenha aumentado em torno dessa população, não houve significativas alterações no que se refere à localização desses lugares, uma vez que eles permanecem no centro da cidade. E2 entende que existem sempre locais mais escondidos, de modo a evitar preconceitos e/ou represálias:

A questão de território está sempre ligada às comunidades de baixa renda. Se você for no (bairro) Esplanada você não vai achar um bar GLS (gays, lésbicas, simpatizantes), digamos assim. Mas se você for na (rua) Humaitá (área central), que é perto da favela, você vai achar. (Isso acontece) pelo preconceito em geral e pelo fato de ser sempre algo mantido escondido. Não pode ser visto (Entrevistada 2, 2017).

No bairro jardim Esplanada, região Oeste de São José dos Campos, não há nenhum local privado que seja destinado ou apresentado como um bar gay friendly, ou mesmo, boates GLS. Considerado bairro, preponderantemente residencial de classe média e classe média alta em São José dos Campos, o Jardim Esplanada possui concentração da população de classe A e B, com mais de 60% da população apresentando renda superior a 10 salários mínimos, nesse sentido, o Bairro, é considerado um dos “mais consolidados da cidade” (CÉSARE JUNIOR, 2013; Plano Diretor, 2017, p. 135).

A região Central de São José dos Campos é dividida em dois principais setores socioeconômicos: Centro 1 e Centro 2. O Centro 1 que é onde se concentram grande parte dos estabelecimentos considerados LGBTQIA+/GLS, apresenta, “características peculiares de um desenvolvimento antigo, porém também revela sintomas de estagnação e claros sinais de bolsões persistentes de pobreza” (Plano Diretor, 2017, p. 135 – 136). Um indicativo sobre as razões da pobreza que existe nessa área, é o fato de existir a Favela Nova Esperança, localizada no Banhado, o que torna o Centro 1, consideravelmente mais vulnerável socioeconomicamente. No que se refere ao Centro 2, os índices são distintos, sendo considerada a área mais desenvolvida e estruturada do município. Esta área possui a maior renda média domiciliar da cidade, bem como, um nível altíssimo de escolaridade (Plano Diretor, 2017, p. 135 – 136).

É no centro da cidade de São José dos Campos que se concentra em maior quantidade, bares e demais espaços de socialização LGBT. Espaços onde a referida população se expressa livremente, destituída das amarras sociais impostas pela ideologia dominante, imperativa em outros espaços da cidade. Tais espaços funcionam, segundo conceito de David Harvey, como núcleos de “Cidades Rebeldes”, espaços possíveis de ampla luta política. Segundo o autor, o espaço urbano funciona como um ativador das lutas políticas e sociais “as características atuais de cada lugar são importantes e a reengenharia física e social e a organização territorial desses lugares são armas na luta política (HARVEY, 2014, p. 213).

Em São José dos Campos, no entanto, não se verifica nenhum outro ponto de confluência de bares/boates gay friendly ou GLS, além das que ficam situadas na região central da cidade. Por isso, os guetos e os espaços de socialização acabam por se constituírem ao mesmo tempo dentro desta cidade, uma vez que fazem parte do município de São José dos Campos e fora, pois essa região moral se constituiu quase que de maneira clandestina. Esses espaços são constituídos pelas identidades homossexuais que, como afirma Rossi (2009), são importantes na formação dos grupos e das memórias dos pertencentes a esse círculo. Mesmo que as vivências sejam, em sua maioria, singulares, as lembranças e a forma de observar a cidade tanto vivida quanto concebida se tornam parte do processo das memórias sociais.

Lefebvre (2001), em Direito à Cidade, discute, assim como Harvey, em A condição pós-moderna (1989), as especificidades da dimensão urbana. De acordo com Lefebvre (2001), a cidade, de um modo geral, sempre teve “relações com a sociedade no seu conjunto, com sua composição e seu funcionamento, com seus elementos constituintes, com sua história. Portanto, ela muda, quando muda a sociedade no seu conjunto” (2001, p. 59). Lefebvre identifica as diversidades do espaço: as são as práticas espaciais, as representações do espaço e os espaços de representação como invenções mentais, que imaginam novos sentidos e possibilidades para práticas espaciais.

Lefebvre se vale das categorias dos espaços vivido, percebido e imaginado, carregado de representação, como forma de compreensão da produção social do espaço. De acordo com Harvey, portanto, os espaços de representação têm o potencial, não somente, de “afetar a representação do espaço, como também de agir como força produtiva material com respeito às práticas espaciais” (1989, p. 203).

Embora a cidade de São José dos Campos tenha se desenvolvido economicamente, graças às mudanças estruturais e tecnológicas, por outro lado, pode-se afirmar que não houve correspondência no campo cultural. Ainda presa aos costumes tradicionais, como destacaram as entrevistadas, grupos com valores heteronormativos resistem a que segmentos fora dos padrões estabelecidos tenham também direito à cidade. A invisibilidade das mulheres LGBTQIA+ na cidade reforça as diversas violências simbólicas as quais elas e os segmentos dos quais se identificam estão expostos.

Considerações finais

Este artigo buscou analisar a cidade de São José dos Campos de modo a compreender os espaços de convivência homoeróticas ao longo do tempo. Por meio das entrevistas, amparadas pelos referenciais teóricos verificou-se que essas relações ocorrem, em alguns casos, de forma discreta, por medo de represália ou mesmo, de agressões físicas e verbais. No entanto, há poucos estabelecimentos na cidade voltados a atender o público LGBT, localizados, em sua maioria, no centro da cidade, o que denominou-se de região moral.

O desenvolvimento industrial de São José dos Campos, sobretudo, a partir da década de 1970, tornou a cidade desenvolvida economicamente, no entanto, do ponto de vista das relações sociais, não avançou muito.

Atualmente não se pode dizer que todos os grupos que compõem a população LGBTQIA+ possua o direito à cidade, especialmente quando este se torna um lazer pago, porém, observa-se que estes locais destinados a esse público (situados no Centro da cidade), além de privilegiar o consumo, também permitem a afirmação da identidade e da sexualidade, embora as vivências homoeróticas ocorram de modo subjetivo. Observou-se ainda, por meio dos depoimentos orais que, mesmo que as experiências sejam distintas e subjetivas, o elo entre a cidade e os LGBTQIA+, ocorre de modo conflituoso.

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Apêndice

Depoimentos orais:

Entrevistada 1, 2017.

Entrevistada 2, 2017.

Entrevistada 3, 2017.

Sites:

https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/sao-jose-dos-campos/panorama acessado em:13/11/2017

Notas

[1] A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) sob o CAAE: 96714318.8.0000.5503.

Autor notes

i Mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). Professora de História na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. E-mail: maiarasanches12@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3271-090X.
ii Doutora em História Social pela Universidade Pontifícia Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora de Pós graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). E-mail: vzanetti@univap.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2968-9342.
iii Doutora em História Social pela Universidade Pontifícia Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora de Pós graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). E-mail: papali@univap.br ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8234-4266.

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