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TEORIA DA HISTÓRIA E AS NOVAS HUMANIDADES: DEBATES CONTEMPORÂNEOS
THEORY OF HISTORY AND THE NEW HUMANITIES: CONTEMPORARY DEBATES
Caminhos da História, vol. 27, núm. 2, pp. 3-6, 2022
Universidade Estadual de Montes Claros

Dossiê

Caminhos da História
Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil
ISSN: 1517-3771
ISSN-e: 2317-0875
Periodicidade: Semestral
vol. 27, núm. 2, 2022


Este trabalho está sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-Não Derivada 4.0 Internacional.

Palavras chave: Teoria da História, Novas Humanidades, Teoria, História, Humanidades

O presente dossiê reúne contribuições que enfatizam o diálogo da Teoria da História com desafios contemporâneos que têm transformado as Humanidades e suas posições epistemológicas, ontológicas e ético-políticas. Sabemos que a emergência e a consolidação do conceito de História na modernidade impulsionou e foi impulsionada por saberes e práticas que conferiram centralidade a uma noção euro e androcêntrica de humanidade. A fratura e o questionamento dessa experiência moderna de tempo, tendo em vista seus desdobramentos violentos, foi acompanhada da tematização e interpelação de um senso mais convencional de História com base em uma ampla revisão do papel e das potencialidades das Humanidades em geral.

Desse modo, a radicalização contemporânea da crise da experiência moderna se processa em consonância à emergência de novos horizontes temporais e, consequentemente, de novas perspectivas de estudo no âmbito das Humanidades que se propõem, por exemplo, a explorar as dinâmicas da existência com base nas perspectivas epistemológicas não ocidentais e anticoloniais e na performatividade de gênero que resiste à naturalização de uma concepção binária. Os diagnósticos relativos ao potencial destrutivo do humano próprio à era do Antropoceno, à excessiva ênfase cartesiana na razão, à dinâmica excludente imposta pelo androcentrismo e pelos racismos no que diz respeito à abertura para a alteridade nos levam a buscar novas formas de articulação da historicidade. Desse modo, compreendemos que tais articulações não podem passar ao largo da necessidade do questionamento da dicotomia natureza x cultura, o que torna imprescindível o reconhecimento da agência de outros seres e relações. Assim como o reconhecimento da agência de corpos que resistem à normatização do binarismo de gênero, responsáveis por subverter a centralidade de uma cultura falocêntrica, permitindo o entendimento das múltiplas possibilidades de (re)articulação dos desejos. Da mesma forma, o diálogo com as matrizes teóricas anticoloniais pressupõe a necessidade da valorização da presença de outros corpos e saberes que visam desestabilizar os lugares comuns de reprodução de saber e poder caros ao Ocidente.

Esses debates se encontram na construção de práticas epistêmicas, ontológicas, estéticas e ético-políticas que procuram assegurar a diferença, uma relação e tematização demorada e intensa com a diferença, questionando os protocolos convencionais e canônicos da História e das Humanidades em geral. No centro do debate está a reivindicação por outras relações possíveis com as coisas, com os seres, com o corpo, com os mortos, com o presente, passados e futuros, de modo que os desafios próprios à sua narração continuam exigindo das Humanidades o diálogo e também o confronto com determinadas perspectivas e debates mais generalizados. Todos esses desafios encontram-se na construção de um pensamento de risco que implica na recondução de afetos e na imaginação (utópica) de novas realidades e possibilidades de mundo que transformem (e têm transformado) nossa relação conosco mesmos, com a política, a sociedade, com a ciência, com as Humanidades.

Diante das tendências atuais, apresentamos o Dossiê Temático “Teoria da História e as novas Humanidades: debates contemporâneos” com o intuito de tematizar alguns desses desafios contemporâneos sob a ótica da Teoria da História, da História da Historiografia e das Humanidades em diálogo com as questões de gênero, étnico-raciais, ontologias e perspectivas não-ocidentais, os pós-humanismos e as reflexões e diagnósticos sobre o tempo presente e o Antropoceno.

Agradecemos à Revista Caminhos da História e a todes que contribuíram para a construção do Dossiê, especialmente aos colegas que enviaram seus textos.

Autor notes

1 Doutor em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Professor de Teoria da História e História da Historiografia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Carangola. E-mail: andramos7@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4624-4524.
2 Doutor em História Social da Cultura pela PUC-RJ e Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor dos Programas de Pós-Graduação em História e em Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). E-mail: mmellorangel@yahoo.com.br. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5822-4969.
3 Doutora em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com estágio no Departamento de Literatura Comparada da Universidade de Stanford. Professora do curso de História da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). E-mail: thamara.rodrigues@uemg.br. Orcid: http://orcid.org/0000-0003-2330-6494.

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