Comunicação, Gêneros e Sexualidades

A subjetividade nos processos comunicativos de uma relação poliamorosa em trisal

Camila Ribeiro Castro Soares
Universidade Federal do Tocantins, Brasil
José Fernando Patiño Torres
Universidade de Brasília, Brasil

Esferas

Universidade Católica de Brasília, Brasil

ISSN-e: 2446-6190

Periodicidade: Cuatrimestral

vol. 1, núm. 27, 2023

revesferas@gmail.com

Recepção: 12 Dezembro 2022

Aprovação: 16 Maio 2023



DOI: https://doi.org/10.31501/esf.v1i27.14323

Ao publicar na revista Esferas, os autores declaram que o trabalho é de sua exclusiva autoria e assumem, portanto, total responsabilidade pelo seu conteúdo. Os autores retêm os direitos autorais de seu artigo e concordam em licenciar seu trabalho usando uma Licença Pública Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0), aceitando assim os termos e condições desta licença (https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/legalcode). Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir do artigo publicado para fins não comerciais, desde que atribuam o devido crédito aos criadores do trabalho (autores do artigo). Os autores concedem à revista Esferas o direito de primeira publicação, de se identificar como fonte publicadora original do trabalho e concedem à revista uma licença de direitos não exclusivos para utilizar o trabalho das seguintes formas: vender e/ou distribuir o trabalho em cópias impressas e/ou em formato eletrônico; distribuir partes e/ou o trabalho como um todo com o objetivo de promover a revista por meio da internet e outras mídias digitais e impressas; gravar e reproduzir o trabalho em qualquer formato, incluindo mídia digital. Em consonância com as políticas da revista, a cada artigo publicado será atribuída uma licença CC BY-NC 4.0, a qual estará visível na página de resumo e no PDF do artigo com o respectivo link para os termos da licença. Licença Creative Commons Quaisquer materiais publicados nessa revista estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Resumo: Esta escrita se trata do recorte de um estudo de caso acerca de como o poliamor se configura subjetivamente em um arranjo relacional entre três pessoas. A base epistemo-metodológica da investigação se sustentou na Epistemologia Qualitativa. Identificou-se no estudo o valor do desenvolvimento de uma comunicação ética entre o trisal na produção de sentidos subjetivos outros na forma como foram configurando subjetivamente sexualidade e aspectos de gênero ao longo de seu envolvimento poliamoroso.

Palavras-chave: Comunicação, Poliamor, Sentidos subjetivos, Sexualidade, Trisal.

Abstract: This writing deals with the clipping of a case study about how polyamory is subjectively configured in a relational arrangement among three people. The epistemo-methodological basis of the investigation was based on Qualitative Epistemology. The value of developing ethical communication between the throuple was identified in the production of alternatives subjectives senses in the way they were subjectively configuring sexuality and gender aspects throughout the polyamorous involvement between them.

Keywords: Communication, Polyamory, Sexuality, Subjectives senses, Throuple.

Resumen: Esta escritura es un extracto del estudio de un caso sobre cómo el poliamor se configura subjetivamente en una relación afectivo-sexual entre tres personas. La base epistemo-metodológica de la investigación es la Epistemología Cualitativa. Se identificó el valor del desarrollo de una comunicación ética entre la trieja en la producción de otros sentidos subjetivos en la medida en que fueron configurando subjetivamente sexualidad y aspectos de género a lo largo del envolvimiento poliamoroso entre ellos.

Palabras clave: Comunicación, Poliamor, Sexualidad, Sentidos subjetivos, Trieja.

A modo de entrada: uma introdução

O presente artigo compartilha algumas das informações construídas e interpretadas com o trabalho de campo realizado em recente pesquisa de mestrado na área da Comunicação. Através de nossa conversação realizada no encontro virtual com três pessoas que vivenciam um relacionamento afetivo-sexual em trisal, buscamos, com um estudo de caso, dialogar, analisar e responder a questão de como o poliamor se configura subjetivamente nesse arranjo relacional.

O poliamor é uma forma contemporânea de relacionamento não-monogâmico que se refere ao consenso, simultaneidade e não-exclusividade afetivo-sexual no envolvimento entre mais de duas pessoas (Klesse, 2011; Pilão, 2021). Em específico, a configuração em análise nessa escrita está direcionada para uma relação poliamorosa grupal e fechada entre três pessoas, atualmente chamada de trisal (Reis, 2017).

Para este recorte nos interessa o desenvolvimento dos próprios processos comunicativos como promotores e promovidos pela forma na qual as três pessoas de nosso estudo foram configurando subjetivamente sexualidade e gênero na vivência de sua relação poliamorosa.

Os participantes de nossa investigação se (auto)identificam como duas mulheres bissexuais e um homem heterossexual, se articulando no cenário social da pesquisa e em nossa conversação mediante uma representação binária de gênero com algumas manifestações questionadoras dos atributos naturalizados dessa configuração social dominante, mas que ao cabo parece também reforçá-la. Ainda, para conhecimento de alguns marcadores sociais do perfil do trisal que compõe o estudo de caso, nossos interlocutores na pesquisa são pessoas brancas, de classe média, com ensino superior completo; na ocasião do trabalho de campo completavam quatro anos de relacionamento nesse arranjo relacional poliamoroso.

Dessa forma, o artigo se desdobra em três ramificações: na primeira apresentamos a base metodológica a partir da qual desenvolvemos a pesquisa e trazemos nossas alianças teóricas para argumentar o que entendemos por processos comunicativos. Em seguida, construímos a informação acerca de como a vivência sexual entre Elizabete, Olívia e William, como ficcionalmente chamamos os participantes, é configurada subjetivamente em sua relação poliamorosa. Por fim, a última ramificação se refere aos indicadores que elaboramos dos sentidos subjetivos produzidos pelo trisal sobre a forma como alguns aspectos de gênero se configuram em seu arranjo relacional.

O valor da subjetividade na comunicação

Um dos traços mais desafiadores que a presente pesquisa nos trouxe, de forma a nos provocar e instigar em diversos aspectos, foi o fato de nos imiscuirmos e enveredarmos por uma área do conhecimento – a Comunicação – que não configura propriamente nossa formação de base – a Psicologia. De todo modo, o caráter inter e transdisciplinar compõe nosso interesse e atitude diante do acesso e construção do pensar e experimentar o mundo, além de também marcarem a própria Comunicação e o espírito de nosso tempo.

Então, valemo-nos da inter e transdisciplinaridade para analisar o valor e presença da subjetividade nos próprios processos comunicativos de uma relação poliamorosa entre três pessoas. Dessa maneira, a comunicação ocupa um lugar nuclear em nosso estudo, enquanto um elo que possibilita vincular a metodologia com base na Epistemologia Qualitativa de González Rey (2010) e a complexidade dos processos comunicativos na configuração subjetiva poliamorosa de um relacionamento afetivo-sexual entre três pessoas ao assumirmos a negociação como um de seus valores centrais (Klesse, 2011).

Ao desenvolver a Epistemologia Qualitativa, o psicólogo e pesquisador cubano González Rey formulou: a) o método construtivo-interpretativo; b) a singularidade; e c) a comunicação (em sua forma dialógica), como sendo os princípios que fundamentam sua proposta metodológica (González Rey, 2010). Nesse panorama, a comunicação diz respeito ao lugar central que a dialogicidade ocupa na pesquisa, sendo que para a Epistemologia Qualitativa a própria investigação é compreendida como um processo comunicativo; mais abaixo, nessa ramificação, apresentamos nossa aposta e alianças na perspectiva comunicacional do estudo.

O método construtivo-interpretativo se especifica por seu caráter processual, não linear e dialógico na produção e interpretação da informação e do conhecimento, assim como seu principal instrumento de pesquisa, do qual lançamos mão: a conversação, que está circunscrita neste recorte a um encontro virtual realizado, aproximadamente em duas horas, entre a pesquisadora e o trisal participante do estudo de caso.

A dinâmica conversacional, como também a conversação é nomeada na Epistemologia Qualitativa, e o método construtivo-interpretativo se caracterizam por seu direcionamento ao que está implícito nas narrativas e comportamentos dos indivíduos participantes da pesquisa, não correspondendo à descrição e análise restrita do que é dito, mas muito mais ao não dito, ao encadeamento de conjecturas que a pesquisadora atenta e cuidadosamente vai construindo como indicadores a partir das contradições e afetações percebidas na dinâmica da conversação (González Rey, 2010; Moncayo Quevedo, 2017).

Nesse sentido, a análise e interpretação da informação produzida se dá através da estratégia de construção do conhecimento conforme nos propicia os princípios da Epistemologia Qualitativa, que apresentamos acima. Isso significa que em nossa execução metodológica a atenção e implicação intelectual se direciona principalmente para o que está implícito nas expressões dos participantes na dinâmica conversacional. Esse implícito está diretamente relacionado com uma concepção epistemológica que assume a subjetividade como base ontológica. Isso quer dizer que o registro do social no indivíduo, e em fenômenos grupais, se desenvolve não a partir de uma reprodução do social, mas se configura de maneira complexa e pontualmente humana, portanto singular, por meio dos sentidos subjetivos produzidos (González Rey, 2010).

Dessa forma, a integração do momento empírico com a produção intelectual da investigadora acontece em contatos que se caracterizam de maneira provocativa e de tensionamento na conversação junto aos participantes e com a teoria, em movimentos contínuos de idas e voltas, ao traçar conjecturas dos sentidos subjetivos produzidos pelo trisal em sua vivência relacional, que vão dando pistas para a construção de indicadores desses mesmos sentidos subjetivos.

Desse modo, afirmar a importância da dimensão dialógica dos processos comunicativos alude ao engajamento emocional dos participantes com suas vivências, e também da pesquisadora, junto a investigação. O que, por sua vez, possibilita conceber os conflitos sociais e individuais em sua parcela de expressão significativa através de um viés comunicacional, seja essa comunicação processada de maneira explícita ou implícita com os participantes na pesquisa.

Assim, a comunicação, enquanto princípio dialógico da Epistemologia Qualitativa, configura um espaço constante de produção de informação, na qual se vincula a ética do cuidado e o desenvolvimento subjetivo. A dialogicidade criada pela interação entre indivíduo e sociedade é representada no espaço da pesquisa “em que o sujeito se inspira em suas diferentes formas de expressão simbólica, todas as quais serão vias para estudar sua subjetividade e a forma como o universo de suas condições sociais objetivas aparece constituído nesse nível” (González Rey, 2010, p.14).

Esse princípio de uma comunicação dialógica nos interessa sobremaneira, tanto pela qualidade de abertura que confere ao momento empírico da pesquisa, quanto à interpretação da informação que construímos como indicadores de sentidos subjetivos dos participantes através de nossa conversação. Desse modo, a comunicação está diretamente conectada com a produção de subjetividades.

Sendo assim, quando falamos em configuração subjetiva, nos referimos à categoria da subjetividade de acordo com o aporte teórico também criado por González Rey. Em uma perspectiva histórico-cultural, a subjetividade ganha, então, uma dimensão psíquica processual, construtiva e não linear, rompendo com as dicotomias sociedade/indivíduo, objetivo/subjetivo e simbólico/emocional. Nessa dimensão, as configurações subjetivas dizem respeito às dinâmicas psíquicas mais estáveis produzidas por e produtoras de sentidos subjetivos diante das experiências, relações e espaços sociais que como indivíduos vivenciamos (González Rey, 2016).

Com isso, para analisar os aspectos subjetivos nos processos comunicativos do trisal seguimos também os rastros da professora Vera França (2001), nessa escrita ela tece uma argumentação provocativa acerca do objeto de pesquisa da Comunicação, afirmando estar ele muito voltado a um caráter empírico e para a mídia. À contrapelo, a pesquisadora propõe justamente a inter e transdisciplinaridade como constituintes da Comunicação, enquanto área de conhecimento, dizendo da importância também de um viés comunicacional nas produções de saberes.

Em outra escrita mais atualizada e amadurecida acerca das problematizações e provocações que a própria autora levantou na virada do século, França (2016) partilha seu percurso como investigadora e pesquisadora na área da Comunicação expressando um “desejo de uma nova comunicação” que se caracterize através de um “modelo dialógico” e por uma “perspectiva relacional da comunicação” (França, 2016, pp. 217-218). Portanto, fazemos uso de suas reflexões para colocar em movimento a concepção de processos comunicativos que apoiamos e da qual recebemos apoio desde a Epistemologia Qualitativa e a Teoria da subjetividade (González Rey, 2010, 2016).

Nessa conjuntura, estamos igualmente de acordo com outra professora e pesquisadora também da Comunicação, Lucrécia Ferrara salienta que “estamos em estágio de mudança, de transformação que exige entender que as relações sociais mudaram e que é indispensável refazer ou repensar a comunicação, tarefa que submete a sua epistemologia a outras exigências” (Ferrara, 2016, p. 151).

Então, adotamos para o percurso investigativo uma postura que assume a comunicação como eixo de estabilidade dinâmica das relações humanas. “Trata-se, portanto, o processo comunicativo, de algo vivo, dinâmico, instituidor – instituidor de sentidos e de relações [...]; espaço de realização e renovação da cultura” (França, 2001, p. 16); da globalidade, circularidade e complexidade do processo comunicativo, como afirma a autora.

Nesse sentido, entendemos a comunicação como um processo aberto e contraditório, ao mesmo tempo subjetivo, social e coletivo, no qual se registra a possibilidade de crescimento dos indivíduos envolvidos em uma relação quando se está atento aos preconceitos e a formação de juízos de valores direcionados ao outro em função das diferenças (González Rey, 1995). O que estamos dizendo é sobre “o valor dos processos comunicativos para o próprio desenvolvimento humano” (Patiño Torres, 2022, p. 174) e, ainda, o fato de que a comunicação está além de um viés instrumental, de que é um espaço qualitativo relacional para o desenvolvimento da personalidade, mais especificamente da subjetividade (Patiño Torres, 2022).

Os questionamentos de França (2001) nos propiciaram situar nosso objeto de pesquisa, a configuração subjetiva de uma relação poliamorosa em trisal, também no âmbito de seus processos comunicacionais. Dessa maneira, a professora e pesquisadora problematiza acerca do objeto de estudo da Comunicação: “não existe esse “lugar”, essa “perspectiva da comunicação”, mas apenas, como indicam alguns, o objeto empírico – os meios de comunicação, ou a mídia – analisada pelo olhar das muitas disciplinas existentes (e dentro das quais nos colocamos)?” (França, 2001, p. 12).

Assim, desde a Epistemologia Qualitativa, apresentamos uma proposição de comunicação como sendo um processo através do qual são gerados novos sentidos (subjetivos) e novas ações em seu próprio curso. Nesse cenário, falamos da comunicação como um sistema ativo e estrutura dialógica, e desenvolvemos uma compreensão na qual o diálogo produz e é produzido concomitantemente pelos sentidos subjetivos dos indivíduos que estão envolvidos no processo comunicativo.

Portanto, a comunicação não é entendida simplesmente como

um fenômeno linguístico, mas subjetivo, no qual intervêm múltiplos registros que não são da ordem linguística, como as posturas, imagens, fantasias e emoções, que representam processos que podem não estar presentes na linguagem durante o diálogo (González Rey, 2009, p. 189; tradução nossa).

Fazemos a passagem para as ramificações seguintes, lembrando que para a Teoria da subjetividade os sentidos subjetivos são produções psicológicas humanas criadas da unidade entre as emoções experimentadas pelos indivíduos com os acontecimentos de sua vida e os aspectos simbólicos dos espaços sociais que partilham. Sendo assim, os sentimentos, emoções e afetos estão na base de qualquer experiência significada subjetivamente, sendo as configurações de sexualidade e de gênero duas de suas expressões (González Rey & Moncayo Quevedo, 2019) presentes na vivência poliamorosa do trisal.

A configuração subjetiva sexual entre o trisal

Foucault (1988, p. 39) coloca em pauta uma importante questão em uma das raras menções explícitas que faz à monogamia, ele evidencia que sua naturalização e hegemonia nas sociedades ocidentais, principalmente a partir do final do século XVIII, faz com que a sexualidade do casal heterossexual, tido como legítimo, se transforme em norma e deixe de ser o centro das atenções, submetendo mais intensamente as sexualidades múltiplas e “periféricas” a análises meticulosas.

Nesse sentido, aqui estamos nós, através da pesquisa, mas também enquanto sociedade moderna, pós-moderna e hipermoderna, validando a observação foucaultiana de que a sexualidade, mais especificamente, as sexualidades (auto)nomeadas como dissidentes se tornaram o foco de problematização a ser escrutinada em nossa época.

Dizemos isso, pois as vivências sexuais e de gênero consideradas dissidentes, o são justamente pela produção das “próprias leis que buscam estabelecer linhas causais ou expressivas de ligação entre o sexo biológico, o gênero [...] e a ‘expressão’ ou ‘efeito’ de ambos na manifestação do desejo sexual por meio da prática sexual” (Butler, 2003, p. 38), a partir de normas sociais que se outorgaram e tiveram outorgadas histórico-culturalmente uma noção de continuidade e coerência.

Desse modo, seguimos com a companhia de Butler (2003, 2019) e Preciado (2014) como background, que em seus trabalhos colocam as ideias foucaultianas também em interlocução, para pensar, com a questão de sexo-gênero e o heteropatriarcado, de que formas a sexualidade se configura subjetivamente (González Rey & Moncayo Quevedo, 2019; Moncayo Quevedo, 2017; Meireles, 2020) na vivência do arranjo relacional em trisal dos participantes da pesquisa, a partir do trabalho de campo.

Assim, produzimos a informação percebendo a atuação da heteronormatividade, como subjetividade social hegemônica (Meireles, 2020), conjunta a norma monogâmica, na forma como a sexualidade foi se configurando subjetivamente como bissexualidade e heterossexualidade na relação afetivo-sexual dos participantes do estudo.

Então, em nossa conversação, Elizabete chama o sentimento diferente que começou a nutrir por Olívia de amor carnal e que ela demorou um pouco pra identificar esse sentimento, porque até então ela tinha um amor de amigo. Nessa conjuntura, uma sociedade regida por valores patriarcais, na qual permeia a moralidade cristã, a heteronormatividade e a monogamia como exemplo relacional, torna dificultosa e mascarada a (auto)percepção e concessão de necessidades e desejos que escapam a essas maneiras hegemônicas de existência; no caso das participantes da pesquisa, a necessidade e o desejo homoafetivosexual, que compõe parte da configuração subjetiva da sexualidade do trisal. Sendo assim, entre Elizabete e Olívia a única forma de amor socialmente aceito, diante da subjetividade social heteromononormativa, seria um amor de amigo ou um amor fraternal.

Com isso, Elizabete nos contou que foi muito difícil quando percebeu esse sentimento diferente por Olívia, pois na crença religiosa que ela e William participavam:

primeiramente... o adultério é algo inadmissível e, segundo... a o homossexual, a homossexual é visto com maus olhos e isso pra mim era assim, era... repugnante, eu posso falar a palavra na ocasião, eu lutei contra mim mesma, porque eu tive um autopreconceito muito grande... (fala Elizabete, 38 anos).

Nesse ponto, o que mais nos chama atenção na conversa é o sentimento de repugnância e autopreconceito muito grande relatado por Elizabete e sua hesitação ao usar a expressão homossexual. O desejo homossexual, em específico, o desejo homossexual feminino carrega no curso da história e da cultura ocidental heteropatriarcal lugares de estigma e fetichização, e, anterior a isso, mediante uma perspectiva predominantemente essencialista e biologicista, um não-lugar da sexualidade enquanto vivência do corpo (registrado socialmente como) feminino (Butler, 2003, 2019; Preciado, 2014).

Entendemos, então, que os sentimentos de autopreconceito e repugnância de Elizabete aparecem na conversação quando relacionado ao desejo homossexual, ao amor carnal como sentimento diferente que ela começou a nutrir por Olívia. Já ao dizer da bissexualidade, Elizabete conta que era um tabu para ela e Olívia, só que ela lidou melhor com isso, enquanto para Olívia a bissexualidade é muito difícil pra entender, porque não tinha. tido contato com mulheres antes.

Sendo assim, entendemos que a possibilidade do desejo homossexual é que foi o repugnante na vivência sexual para Elizabete e Olívia e que a partir da produção de sentidos subjetivos, que reconfiguraram a sexualidade como bi, foi possível lidar melhor com isso e configurar subjetivamente o relacionamento afetivo-sexual na forma de trisal. Dessa maneira, construímos o indicador de que o terrível foi o desejo homossexual integrante da bissexualidade que forma parte da vivência sexual do trisal (I1). Pois Olívia conta, de modo análogo:

Então, mas eu acho que pra ele (William) é mais fácil, na minha visão né, porque o mundo é machista, ele ter duas mulheres, do que, por exemplo, se ele tivesse outro homem. Eu vejo que, por exemplo, se eu tivesse dois homens ainda é aceitável, porque o homem é aceitável, o problema é ter relação com uma pessoa do mesmo sexo, a bissexualidade é terrível (fala Olívia, 33 anos).

A maneira como a bissexualidadese configurou subjetivamente na vivência poliamorosa do trisal em nosso estudo de caso acaba por corroborar com o estudo de Klesse (2011) que faz apontamentos sobre uma afinidade entre a bissexualidade e o poliamor, com Sheff (2014 apud Porto, 2017) quem especifica ser a bissexualidade feminina muito presente no poliamor e também acerca da bissexualidade como um caminho da não-monogamia e dos relacionamentos hodiernos (França, 2016).

Contudo, não estamos dizendo com isso que a bissexualidade não possibilita à pessoa que a vivencia produzir sentidos subjetivos outros que não se referem necessariamente ao desejo homossexual como seu componente. Em uma escrita recente, Pilão (2021), mais abaixo, nos ajuda a pensar melhor acerca do que Olívia expressa a seguir sobre sua vivência bissexual no arranjo relacional em trisal:

Então na minha cabeça era uma brincadeira e eu não me sentia uma pessoa bissexual, eu achava que era uma fase, ia passar e então eu empurrava pra embaixo da cama os meus problemas dessa questão

(fala Olívia, 33 anos).

Trata-se da ideia de que a sexualidade se direciona a partir de uma concepção também de extremos binários, nesse caso homo e heterossexual, que em algum momento se estabelecerá em um desses polos, constituindo uma sexualidade entendida como verdadeira (Pilão, 2021).

Em um aspecto macro, então, a bissexualidade vivenciada pelo trisal como um tabu diz de sentidos subjetivos produzidos por eles a partir da subjetividade social dominante heteronormativa na sociedade ocidental. Mas também, a vivência bissexual de Olívia e Elizabete parece se configurar mediante um espaço social outro: a comunidade LGBT+ (Lésbicas, gays, bissexuais, travesti, transexuais, transgêneros+). Olívia diz, a esse respeito, em outro momento da conversação que semprefoi da luta das minorias, que sempre t.ve amigas lésbicas, amigos gays e quando começou seu envolvimento com Elizabete e William não se sentia uma pessoa bissexual, pois achava que era uma fase. Dizemos, então, do espaço social da comunidade LGBT+ como contexto para a forma como a bissexualidade foi configurada subjetivamente no arranjo relacional do trisal, pois é comum nesses espaços sociais um entendimento da bissexualidade como indecisão (Pilão, 2021) ou fase, invalidando muitas vezes a vivência afetiva e sexual das pessoas que se nomeiam como bissexuais.

Nesse ponto da construção interpretativa da informação é interessante notar, com a expressão abaixo de Elizabete, que parece ser justamente a sensação e o sentimento de traição que fez com que eles tomassem consciência e assumissem para si mesmos, em um primeiro momento, que estavam de fato vivenciando uma “nova” configuração de relacionamento afetivo-sexual.

Elizabete nos conta, nesse sentido:

(...) quando ela (Olívia) saiu com essa outra pessoa, com esse rapaz, que ela contou pra gente, eu me senti traída, o William se sentiu traído e a Olívia se sentiu traindo a gente. (...) E aí quando a gente descobriu que não ia conseguir ficar separado mais depois disso, a gente sentou e conversou: tudo bem, vamos ficar junto? Vamos. Então vamos ficar junto mesmo, é a gente (fala Elizabete, 38 anos).

Essa fala de Elizabete nos ajuda também a identificar o desenvolvimento dos processos comunicativos entre o trisal na configuração subjetiva de seu arranjo relacional como poliamoroso. Também o episódio do primeiro beijo entre Olívia e Elizabete nos proporciona indicações sobre as formas pelas quais o trisal foi desenvolvendo a comunicação no processo subjetivo de seu relacionamento poliamoroso, Elizabete expressa a esse respeito: ela (Olívia) foi e me beijou no banheiro, quando a gente saiu, a gente contou pro William, porque ela me fez contar. Vão aparecendo, então, indicações de sentidos subjetivos de uma comunicação honesta, responsável e ética, atributos esses condizentes com a ideologia do poliamor, de acordo com a investigação de Klesse (2011).

A configuração subjetiva de gênero do trisal

Partimos uma vez mais com o que vimos aprendendo com Butler (2003, 2019), quem faz uma elaborada e complexa crítica à proposição estruturalista que dicotomicamente vinculou o sexo à causa naturalista e o gênero a uma construção cultural na sociedade moderna; o que gerou ao longo da história civilizatória uma implicação de gênero binária (mulher/homem) como extensão do sexo determinado biologicamente (feminino/masculino). Essa performatividade de gênero, como a autora conceitua, acontece pela reiteração dessa extensão, produzindo um modo de subjetivação social dominante cisnormativa, quer dizer, de caracteres que tornam(riam) o binômio homem-mulher o modelo verdadeiro, que designa(ria) ao lugar de cópia, portanto, falha e abjeta, qualquer variação desse modelo. Em seu turno,

A teoria da subjetividade explica esses estereótipos de gênero como configurações subjetivas que integram e geram sentidos subjetivos resultantes de um microcosmo da história de cada indivíduo, que por sua vez expressa sentidos subjetivos que corporificam processos dominantes da subjetividade social (González Rey & Moncayo Quevedo, 2019, p. 144; tradução nossa).

Nesse diapasão, começamos essa seção com Olívia contando que dois papéis de mulher na casa foi difícil, que são duas pessoas, duas mulheres, na função de mulher na forma como o gênero é configurado subjetivamente no arranjo relacional do trisal. Ela diz ainda que foi difícil porque no relacionamento padrão meio que a mulher é que fala, o cara... é diferente né...

A partir de uma perspectiva binária, a maneira como Olívia expressa sua fala e as reticências que aparecem como modo de descontinuidade dessa mesma expressão nos faz pensar em uma possibilidade de complemento: no relacionamento padrão meio que a mulher é que fala, o cara... obedece e fica quieto a respeito das atividades domésticas, e que o diferente na configuração de gênero no relacionamento do trisal não é necessariamente o cara... participar de modo efetivo na realização dos serviços domésticos e sim ter uma outra mulher em casa, com um jeito diferente do meu de arrumação, de preocupação com certas coisas (...) de rotina do dia-a-dia, como também nos conta Elizabete nesse momento da conversação.

Isso nos move à construção do indicador de sentidos subjetivos de que o trisal parece reiterar a ideia operante do relacionamento padrão de que a divisão e execução das tarefas domésticas é função do papel de mulher (I2), antes disso, que existiriam funções específicas e naturais com base no gênero designado no nascimento. Esse indicador está de acordo com o que Reis (2017) encontrou em sua pesquisa – realizada também com um trisal constituído por duas mulheres e um homem – sobre a configuração de gênero nessa formação de trisal ocorrer de modo similar à representação de casal enquanto relacionamento padrão na normativa monogâmica e heterossexual.

Contudo, uma diferença interessante é que as mulheres integrantes do trisal no estudo de Reis (2017) expressam satisfação ao apoio mútuo entre elas na realização das atividades domésticas. Enquanto que em nossa investigação o que vemos como produção de sentidos subjetivos na configuração de gênero, nesse aspecto, foi a necessidade de adaptar também a ter uma outra mulher em casa, como diz Elizabete em nossa conversação.

A partir desse ponto, trazemos uma fala de William mediante uma questão que provocamos ao pedir que ele contasse como foi sua vivência no início do envolvimento entre os três, a partir do seu lugar de homem e do machismo na sociedade, com Elizabete se apaixonando por uma mulher:

(...) essa questão do machismo, da masculinidade, ela foi um empecilho pra mim ali no começo né. Tem um lado bom, mas tem um lado ruim, porque eu sou homem né, eu sei como que é a tratativa de homem pra essa situação (...) infelizmente nós homens, a gente sempre foi condicionado a uma situação né, de ser o alfa, pra homem você ser o segundo não adianta nada, então isso, isso é muito ruim né, a gente carregar esse peso de sempre ter que ser perfeito, ser o bom, ser o provedor de tudo. Então eu tive muita dificuldade em falar da nossa relação por conta disso né, tive muito medo por conta de tudo isso aí (fala William, 38 anos).

O que William conta nos mobiliza a formular o indicador de que a indissociação que o trisal fazia entre machismo . masculinidade foi um empecilho (I3) no início do envolvimento amoroso e sexual entre eles, pela forma como a questão de gênero se configurava subjetivamente. Isto é, o modo que William se reconhecia como homem (e também era reconhecido?), até experienciar o arranjo relacional em trisal, era através de sentidos subjetivos de uma subjetividade social dominante da masculinidade restrita e reduzida a uma caracterização machista de ser o alfa.

Assim, se nomear e ser visto como homem na sociedade moderna e ocidental, historicamente constituída e constituinte de subjetividades sociais dominantes hetero-cis-mononormativa a partir de valores patriarcais, machistas e misóginos, tem um lado bom da garantia e concessão de privilégios, mas tem um lado ruim, no sentido de que esse mesmo contexto histórico-cultural pode implicar uma produção de sofrimento também aos homens por carregar esse peso de sempre ter que ser perfeito, ser o bom, ser o provedor de tudo. Ainda, um modelo de masculinidade que teve atribuído e atribuiu culturalmente à agressividade uma condição de propriedade natural masculina, o que tem sido gerador de estigma para masculinidades que encontram na sensibilidade formas outras de expressão.

Nessa conjuntura, seguimos o diálogo com o trisal, apresentando abaixo algumas expressões mais de William, que nos subsidiam com a construção do indicador anterior:

(...) tudo pra mim era muito simples de resolver e não funciona assim né, as coisas não são tão simples assim né, como é no universo masculino. No universo masculino é tudo muito prático né, mas no universo feminino não, não é só a razão, muitas... a maioria das vezes existe a emoção junto né e não que no masculino isso não tenha, mas a gente não deixa isso aflorar né (fala William, 38 anos).

A fala de William nos encaminha na retomada de aspectos histórico-culturais da sociedade moderna que (se) desenvolveu (através de) uma epistemologia binária (Preciado, 2019, p. 25) dicotomizando, entre outros “pares”, razão . emoção, onde a primeira definiria um suposto universo masculino e a segunda determinaria outro universo, . feminino. Nesse sentido, considerando os valores patriarcais como edificadores de tal forma de se produzir conhecimento, se constituiu uma hipotética superioridade, inclusive moral, da razão sobre a emoção, o que acaba por reforçar os binarismos e hierarquiza esses atributos e universos em um maniqueísmo, isto é, elementar e respectivamente, como bom e ruim.

Embasados na teoria da subjetividade e aliançados com González Rey (2000, 2016), recordamos, no entanto, que as emoções têm papel protagonista na produção de subjetividades. Sendo assim, a conscientização pelo trisal de suas próprias emoções ao longo da relação nos possibilita construir o indicador da produção de novos sentidos subjetivos acerca da importante presença da sensibilidade na forma como a masculinidade foi sendo reconfigurada no arranjo relacional do trisal (I4). Esse indicador produz eco e ecoa, principalmente, com as seguintes expressões de William em nossa conversação:

Toda conversa que a gente tinha no início do relacionamento eu me impunha muito...: Não, é desse jeito e ponto e acabou... E não é, não funciona assim. Em nenhuma relação, quer ser ela em dois, três, quatro, profissional, amorosa, a imposição ela não... ela é maligna, ela não traz benefício nenhum (fala William, 38 anos).

(...) às vezes aqui conversando com elas eu falo: Eu to desarmado. Olha só... e não é isso... Eu to desarmado por que eu contei tudo pra elas? Mas é, às vezes, a forma com que a gente se sente... vulnerável e o homem não pode ser vulnerável? Pode, a gente pode, mas a gente não consegue, não é, não é tão simples assim, na verdade é bem difícil (fala William, 38 anos).

Nesse momento, aparecem, uma vez mais, pistas dos processos comunicativos entre Elizabete, Olívia e William, de modo que as mudanças na comunicação entre eles foi geradora de possibilidades para que a própria relação se configurasse e se desenvolvesse em um arranjo poliamoroso de trisal. Visto que é através da qualidade da comunicação que as emoções podem adquirir maneiras de serem expressas, em sua especificação, enquanto necessidades, motivações e desejos (González Rey, 1995, 2000, 2016; Patiño Torres, 2022).

Sendo que no relacionamento dos participantes de nosso estudo, a configuração subjetiva do arranjo relacional em trisal implicou uma significativa transformação na qualidade e na ética comunicativa entre eles, portanto na expressão das próprias emoções consigo mesmos e uns com os outros, como nos conta Elizabete:

(...) hoje a gente aprendeu a... conversar uns com os outros e eu falo uns com os outros é todo mundo, porque eu e o William a gente aprendeu a conversar depois desse relacionamento. Antes desse relacionamento a gente só empurrava problemas pra baixo do tapete e seguíamos, depois que a gente ficou juntos, que a gente... os três juntos, que pra resolver tinha que conversar, muita coisa começou a surgir da cartola, que a gente nunca tinha conversado na vida e aí a gente hoje já aprendeu a conversar

(...) (fala Elizabete, 38 anos).

Desse modo, dizemos que a sociedade contemporânea, a partir da perspectiva binária, é o período em que os homens estão começando a se dar conta que “são” homens e que “possuem” uma masculinidade problemática (Giddens, 1993, pp. 69-70) e o quanto esse aspecto parece ser crucial na configuração subjetiva de gênero para a construção da relação afetivo-sexual do trisal.

Finalizações consideradas

Entendemos que as ramificações elaboradas ao longo dessa escrita nos permitiram localizar o lugar que a comunicação ocupa em nosso estudo, estando esse lugar circulado pela vinculação entre a base epistêmica e metodológica de nossa investigação e a especificidade dos processos comunicativos envolvidos na negociação de um relacionamento afetivo-sexual poliamoroso entre as três pessoas participantes de nosso estudo.

Um dos pontos de conflitos mais acentuado no processo subjetivo de reconfiguração da sexualidade no arranjo relacional do trisal ganhou forma na produção de novos sentidos subjetivos através da experiência autonomeada como bissexual entre Elizabete e Olívia, que passou a compor parte da configuração sexual do trisal. Sendo que esses novos sentidos subjetivos produzidos por eles são tensionadores da e tensionados pela subjetividade social heteronormativa predominante historicamente na cultura ocidental moderna e singularmente em suas vivências relacionais de outrora.

Nessa altura, a informação que construímos acerca da configuração de gênero no arranjo relacional poliamoroso do trisal se constituiu da autoidentificação dos participantes com o binômio homem-mulher. Pensando com González Rey e Moncayo Quevedo (2019), para quem o gênero é uma produção subjetiva e não uma abstração social, e seguindo os traçados de Butler (2003, 2019) que problematizam a proposição estruturalista da vinculação entre sexo-gênero e redução de um ao outro, construímos um indicador que aponta para a produção de sentidos subjetivos do trisal de que a divisão e execução das tarefas domésticas seria função do papel de mulher. Contudo, ao mesmo tempo, no decorrer da conversação, entendemos que o trisal vem produzindo novos sentidos subjetivos acerca da masculinidade por meio da vivência de seu arranjo relacional poliamoroso, diferenciando-a do machismo e concebendo a sensibilidade também como uma expressão masculina.

Finalmente, ao longo da conversação identificamos alguns dos processos comunicacionais entre o trisal que possibilitaram a percepção de que através do desenvolvimento de uma mútua comunicação ética de seus desejos, emoções, vulnerabilidades e inseguranças o trisal foi produzindo sentidos subjetivos que configuraram a criação de seu arranjo afetivo-sexual como poliamoroso.

Referências

Butler, J. (2003). Prefácio. Capítulo 1 – Sujeitos do sexo/gênero/desejo. In J. Butler, Problemas de gênero – Feminismo e subversão da identidade (pp. 7-60). Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Butler, J. (2019). Corpos que importam – Os limites discursivos do “sexo”. Trad. Veronica Daminelli; Daniel Yago Françoli. São Paulo: n-1 edições.

Ferrara, LD’A (2016). Epistemologia da comunicação: asserção e indecisão. In MI Vassallo de Lopes (Org.), Epistemologia da comunicação no Brasil: trajetórias autorreflexivas (pp. 143-156). 1ª ed. São Paulo: ECA-USP.

Foucault, M. (1988). História da sexualidade I: A vontade de saber. Trad. Maria Thereza C. Albuquerque; J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal.

França, MG (2016). Além de dois existem mais: estudo antropológico sobre poliamor em Brasília/DF. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Universidade de Brasília, Brasília.

França, VV (2001). Paradigmas da comunicação: conhecer o quê? Ciberlegenda, (5) (ed. especial). https://periodicos.uff.br/ciberlegenda/article/download/36784/21359.

França, VV (2016). Partilhando experiências: a atração e o desafio da comunicação. In MI Vassallo de Lopes (Org.), Epistemologia da comunicação no Brasil: trajetórias autorreflexivas (pp. 209-224). 1ª ed. São Paulo: ECA-USP.

Giddens, A. (1993). A transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas. Trad. Magda Lopes. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista.

González Rey, F. (1995). Comunicación, personalidad y desarrollo. Habana: Pueblo y Educación.

González Rey, F. (2000). El lugar de las emociones en la constitución social de lo psíquico: El aporte de Vigotski. Educação & Sociedade, ano XXI, (70), 132-148. https://www.scielo.br/j/es/a/K74Tm7bWnR5gmNQNSffsQxp/?lang=es&format=pdf.

González Rey, F. (2009). El campo heurístico que define la especificidad posmoderna en psicoterapia. In F. González Rey, Psicoterapia, subjetividad y postmodernidad: Una aproximación desde Vigotsky hacia una perspectiva histórico-cultural (pp. 188-198). Buenos Aires: Noveduc.

González Rey, F. (2010). Pesquisa qualitativa e subjetividade: os processos de construção da informação. São Paulo, SP: Cengage Learning.

González Rey, F. (2016). O social na psicologia e a psicologia social: a emergência do sujeito. Trad. Vera Lúcia M. Joscelyne. Petrópolis, RJ: Vozes.

González Rey, F., & Moncayo Quevedo, JE (2019). Sexual diversity, school, and subjectivity: the irrationality of the dominant rationale. In F. González Rey, A. Mitjáns Martínez, & DM Goulart (Orgs.), Subjectivity within cultural-historical approach: theory, methodology and research (pp. 133-147). 1ª ed. Singapore: Springer.

Klesse, C. (2011). Notions of love in polyamory: elements in a dircourse on multiple loving. Laboratorium, 3 (2), 4-25. https://www.soclabo.org/index.php/laboratorium/article/view/250/586.

Meireles, VHB (2020). Heteronormatividade e suas implicações nas subjetividades de jovens universitários cis-gays sob a perspectiva da teoria da subjetividade. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Setor de Ciências Humanas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

Moncayo Quevedo, JE (2017). Educación, diversidad sexual y subjetividad: una aproximación cultural-histórica a la educacion sexual escolar en Cali - Colombia. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de Brasília, Brasília.

Patiño Torres, JF (2022). O diálogo a três vozes na obra de González Rey: ontologia, epistemologia e método. In A. Mitjáns Martínez, MCVR Tacca, & R. Valdés Puentes (Orgs.). Teoria da subjetividade como perspectiva crítica: desenvolvimento, implicações e desafios atuais (pp. 173-193). Campinas: Editora Alínea.

Pilão, AC (2021). Conjugalities and sexualities in conflict: monogamy and polyamory among LGBT groups. Vibrant(Florianópolis), 18, Artigo e18503. https://www.scielo.br/j/vb/a/9JDvwhjtrHPLPKKTdSVvSkp/?lang=en.

Porto, D. (2017). O reconhecimento jurídico do poliamor como multiconjugalidade consensual e estrutura familiar. Tese (Doutorado em Direito) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.

Preciado, PB (2014). Manifesto contrassexual: práticas subversivas de identidade sexual. Trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: n-1 edições.

Preciado, PB (2019). Um apartamento em Urano – crônicas da travessia. Trad. Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar.

Reis, JBG (2017). A construção de um relacionamento na perspectiva do poliamor. Dissertação (Mestrado em Psicologia: Psicologia Clínica) – Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.

Modelo de publicação sem fins lucrativos para preservar a natureza acadêmica e aberta da comunicação científica
HMTL gerado a partir de XML JATS4R