Dossiê

A GAZETA ESPORTIVA E JORNAL DOS SPORTS: APROXIMAÇÕES NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

THE SPORTS GAZETTE AND THE SPORTS JOURNAL: APPROACHES IN THE FIRST HALF OF THE 20TH CENTURY

LA GACETA DEPORTIVA Y LA REVISTA DEPORTIVA: APROXIMACIONES EN LA PRIMERA MITAD DEL SIGLO XX

Gustavo Dal'Bó Pelegrini i
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brasil
Sérgio Settani Giglio ii
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brasil

Caminhos da História

Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil

ISSN: 1517-3771

ISSN-e: 2317-0875

Periodicidade: Semestral

vol. 30, núm. 02, 2025

revista.caminhosdahistoria@unimontes.br

Recepção: 30 Maio 2025

Aprovação: 28 Junho 2025



DOI: https://doi.org/10.46551/issn.2317-0875v30n2p.67-88

Resumo: Durante a primeira metade do século XX, o crescimento do campo esportivo brasileiro ocorreu de forma indissociável do desenvolvimento da imprensa e de sua expansão no âmbito esportivo. Muito mais do que um papel meramente informativo, a imprensa esportiva atuou de forma a idealizar, divulgar, apoiar e até mesmo executar diversos eventos a fim de movimentar o cenário esportivo dos centros urbanos. Contando em suas equipes muitas vezes com nomes politicamente importantes nos cenários esportivo e tradicional, a atuação dos jornais foi decisiva no desenvolvimento e significação do esporte regionalmente e nacionalmente. O presente trabalho, portanto, analisa a bibliografia existente referente A Gazeta Esportiva (SP) e o Jornal dos Sports (RJ), dois importantes e influentes periódicos dentro do recorte do período de seu surgimento (décadas de 1920 e 1930) até o início dos anos 1950, destacando possíveis aproximações em suas atuações como agentes de promoção e significação do esporte brasileiro no período. Conclui-se que os jornais construíram ideias diferentes de nação. O Jornal dos Sports valorizava a questão da mestiçagem enquanto A Gazeta Esportiva valorizava a presença dos imigrantes.

Palavras-chave: imprensa esportiva, esporte e política, história do esporte.

Abstract: During the first half of the 20th century, the growth of the Brazilian sports scene was inextricably linked to the development of the press and its expansion into the sports field. The role of the sports press was not merely one of information; rather, it was instrumental in the idealisation, publicity, support and execution of various events, with the objective of propelling the sports scene in urban centres. It is evident that the role of the newspapers was often decisive in the development and significance of sport, both regionally and nationally. This is particularly evident when considering the presence of politically important names in the sporting and traditional scenes on their teams. This paper, therefore, undertakes an analysis of the extant bibliography concerning Gazeta Esportiva (SP) and Jornal dos Sports (RJ), two periodicals of particular importance and influence within the scope of the period from their emergence (1920s and 1930s) to the early 1950s, with a view to highlighting possible similarities in their actions as agents of promotion and the significance of Brazilian sport in the period. The conclusion drawn from this analysis is that newspapers constructed divergent conceptions of the nation. The Jornal dos Sports focused on the issue of mixed race, while the Gazeta Esportiva emphasised the presence of immigrants.

Keywords: sports press, sport and politics, history of sport.

Resumen: Durante la primera mitad del siglo XX, el crecimiento del deporte brasileño ocurrió inseparablemente del desarrollo de la prensa y de su expansión en el campo deportivo. Mucho más que un papel meramente informativo, la prensa deportiva actuó para idealizar, publicitar, apoyar e incluso ejecutar diversos eventos con el fin de mover la escena deportiva en los centros urbanos. Los periódicos, que a menudo cuentan con nombres políticamente importantes en el escenario deportivo y tradicional, desempeñaron un papel decisivo en el desarrollo y la trascendencia del deporte a nivel regional y nacional. Este trabajo, por tanto, analiza la bibliografía existente referente a A Gazeta Esportiva (SP) y Jornal dos Sports (RJ), dos periódicos importantes e influyentes en el período de su surgimiento (décadas de 1920 y 1930) hasta inicios de la década de 1950, destacando posibles semejanzas en sus acciones como agentes de promoción y significación del deporte brasileño en el período. Se concluye que los periódicos construyeron diferentes ideas de nación. Jornal dos Sports valoró la cuestión del mestizaje mientras que A Gazeta Esportiva valoró la presencia de inmigrantes.

Palabras clave: prensa deportiva, deporte y política, Historia del deporte.

Introdução

A produção acadêmica nas ciências humanas acerca do esporte possui grande relevância atualmente, seja nas áreas de história, sociologia, antropologia, educação física ou comunicação. Pierre Bourdieu, importante sociólogo francês, já havia demonstrado como o esporte pode ser visto como um “campo” específico da sociedade, ou seja, como um espaço relativamente autônomo com sua lógica, história e evolução próprias, ainda que existindo dentro de um macrocosmo maior e, assim, sujeito também a interferências externas a esse campo (BOURDIEU, 2003, p. 183). A história do esporte tem se mostrado uma área de estudos cada vez mais consolidada, muito por conta da possibilidade de utilização de diversos tipos de fontes para suas pesquisas (MELO et al, 2013). Gebara (2002), ao tratar sobre a construção do campo da história do esporte, aponta para a importância do tratamento de tais fontes, ressaltando que a confiança ilimitada no documento pode levar a uma posição enganosa, sendo de fundamental importância buscar compreender e contextualizar tais documentos para além do que eles apresentam por si sós.

Nesse contexto, vemos os periódicos como um dos principais tipos de documentos a serem utilizados pelos pesquisadores em seus trabalhos. Muito mais do que apenas um retrato da realidade, os periódicos devem ser encarados como uma fonte inserida e produzida dentro de um tempo específico, que registra uma realidade conveniente para o grupo que domina a sua produção. Como nos mostra Luca, a imprensa atua na produção do campo ao selecionar, ordenar, estruturar e narrar determinados fatos de uma determinada maneira, escolhendo “o quê” e “como” algo deve chegar ao público (2008, p. 139). Assim sendo, parte fundamental da pesquisa com periódicos é a pesquisa sobre os próprios periódicos, buscando entender questões que podem passar despercebidas em um primeiro momento, tal como quem escreveu, para quem escreveu, quando escreveu e quais são os motivos em escrever ou não escrever algo.

A importância dos estudos dos periódicos se fundamenta também pelo papel de autoridade exercido pela imprensa, tanto tradicional como esportiva, interpretando e produzindo os sentidos dos acontecimentos. Como afirma Barbosa (2007, p. 152 - 153), a partir do veículo de mídia, o jornalista detém o poder de transformar em senso comum aquilo que poderia ser apenas sua própria experiência individual, sendo que seu poder é proporcional à sua relevância perante seu grupo e ao público. Assim, mesmo dentro do campo esportivo, relevantes cronistas e jornalistas deteriam o poder de criar consensos a partir de suas próprias experiências particulares.

Dentro do campo esportivo, a imprensa ocupa lugar privilegiado ao interpretar e produzir sentidos para os acontecimentos. Segundo Guedes (2011), o campo de futebol é, antes de tudo, um campo de debates, no qual diferentes discursos disputam uma hegemonia sobre a narrativa a ser produzida, tanto nas vitórias quanto nas derrotas. Ainda segundo a autora, esses discursos não se restringem às quatro linhas. Pelo contrário, por se tratar de um tema que desperta intensas emoções no público, o futebol será interpretado muitas vezes como metáfora da vida cotidiana, como se seus acontecimentos não coubessem no jogo em si, produzindo-se narrativas que tentarão explicar o povo brasileiro, suas características, anseios, qualidades, mazelas e significações, ainda que de forma estereotipada, a partir deste esporte.

Esse campo de disputas de discursos produzirá, portanto, as autoridades no trato do futebol e suas interpretações, ou seja, indivíduos com grande reconhecimento em seu grupo e perante o público, que serão os responsáveis pela produção dos chamados discursos autorizados (GUEDES, 2011). Tais autoridades dão ao próprio discurso essa imposição de interpretação fiel à realidade, oficial e verdadeira, ao passo que são eles mesmos agentes muito significativos dentro do campo esportivo. Nesse sentido, jornalistas e cronistas são as autoridades máximas nessa produção de discursos autorizados, fazendo-se com que seja fundamental que não apenas os jornais sejam estudados, mas também seus autores e escritores. Como demonstra Ribeiro (2007), até pelo menos a primeira metade do século XX, muitos dos cronistas, jornalistas e editores dos jornais eram dirigentes de clubes e federações, além de pertencerem a círculos próximos com membros influentes de diferentes instâncias governamentais, tendo assim influência direta nos rumos do futebol brasileiro.

Discutir, portanto, o papel da imprensa dentro do campo esportivo se mostra de fundamental importância, tendo em vista que, como afirma Melo (2012, p. 24), os sentidos e significados do esporte desenvolveram-se a partir das visões de cronistas e jornalistas, que as concebiam na convergência de seus interesses particulares, dos interesses da empresa e dos que consideravam ser interesses públicos que, por sua vez, seriam de forma geral interesses de pequenos grupos ou setores.

Dito isso, o presente artigo analisa a formação da imprensa esportiva nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, tendo a virada do século XX e suas primeiras décadas como recorte, observando principalmente como alguns dos principais veículos e personagens da imprensa relacionaram-se com o desenvolvimento do esporte nessas duas cidades. Após essa análise histórica, são elencados dois dos mais relevantes periódicos esportivos do século XX para uma investigação mais minuciosa: A Gazeta Esportiva, de São Paulo, e o Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro. A discussão parte, então, da criação e do desenvolvimento desses dois jornais na primeira metade do século XX, compreendendo-os como agentes significativos do campo esportivo, ao passo que tanto os veículos como seus jornalistas, cronistas e editores eram figuras de grande relevância e atuação ativa no cenário esportivo nacional.

Para o debate, foram pesquisados os itens “Jornal dos Sports”, “A Gazeta”, “Gazeta Esportiva”, “Mário Filho”, “Cásper Líbero” e “Thomaz Mazzoni” na base acadêmica Scielo, e os itens “Jornal dos Sports, “A Gazeta” e “A Gazeta Esportiva” na base Google Acadêmico em outubro de 2023, e selecionadas as publicações que debatiam histórica e politicamente a trajetóia dos dois jornais. Na base Scielo, foram encontrados três artigos correspondentes ao Jornal dos Sports, enquanto apenas um artigo foi encontrado correspondente A Gazeta ou A Gazeta Esportiva, sendo que os textos encontrados relacionados a “Mário Filho”, “Cásper Líbero” e “Thomaz Mazzoni” já estavam contidos nos resultados encontrados relacionados aos jornais. Já com relação a base Google Acadêmico, foram selecionados os textos apontados como mais relevantes dentro do filtro de ordenação da própria base de dados. Foram analisadas as três primeiras páginas de buscas a partir da ordem mostrada, e incluídos no artigo os textos que mais contribuíssem com a discussão sobre a gênese e desenvolvimento dos dois periódicos. A partir dos textos encontrados nas duas bases acadêmicas, foram também analisadas referências apontadas nos textos que pudessem contribuir com a discussão, sejam elas livros, teses ou dissertações.

A escolha por realizar uma pesquisa a partir da bibliografia acadêmica, ao invés de recorrermos aos próprios jornais, se deu por buscarmos analisar a produção acadêmica relativa aos periódicos, reunindo as pesquisas que de forma mais relevante se debruçaram sobre o tema. Nosso objetivo é o de recolher os dados e análises que já olharam para A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports, destacando suas principais aproximações e também possíveis distanciamentos relevantes. Entendemos que uma pesquisa em fontes primárias com o mesmo objetivo seria uma escolha que demandaria demasiado tempo e esforço, visto que o período estudado compreende desde a década de 1930, na qual os jornais foram fundados, até a virada para os anos 1950.

Além disso, para além dos diários, a pesquisa também analisa a influência de figuras históricas dos jornais, especificamente Cásper Líbero e Thomas Mazzoni d’A Gazeta e A Gazeta Esportiva, e Mário Filho, do Jornal dos Sports, na política esportiva e tradicional brasileiras. Entendemos que o olhar sobre tais figuras também acontece de forma mais satisfatória para o objetivo da pesquisa se realizado a partir das publicações acadêmicas já existentes, pois ainda que a atuação de tais personagens se dê de forma clara nos jornais aos quais pertenciam, tal relação não era de exclusividade, com estes agentes também atuando em outros setores da mídia e da política, fazendo com que a análise das publicações dos jornais não daria conta de tais relações.

Uma breve história das primeiras décadas da imprensa esportiva

Ainda que o foco do artigo seja a imprensa esportiva do século XX, cabe referenciar que o esporte já era presente nos jornais desde o século anterior ao nosso recorte. Atividade atrelada ao lazer e às relações sociais de uma elite nacional e regional, as corridas de cavalo, por exemplo, já constavam nas páginas dos jornais cariocas desde a década de 1810, ganhando ainda mais notoriedade a partir de 1847, quando uma publicação no Jornal do Commercio lançava a tentativa de uma estruturação do turfe no Rio de Janeiro que, ainda que falhasse num primeiro momento, seria concretizada poucos anos depois (MELO, 2012). Vemos, nesse sentido, que coube à imprensa, veículo de rápida divulgação de informações e ideias dentro do meio urbano, não apenas a tarefa de informar a população sobre acontecimentos esportivos, mas também os promover.

O crescimento esportivo seguia a pleno vapor na segunda metade do século XIX, e já na década de 1850 iniciou-se a existência de uma imprensa especializada no trato esportivo e das atividades físicas. Em 1885 foram criadas no Rio de Janeiro as publicações O Sport e O Sportsman, enquanto em 1891 surge em São Paulo A Plateia Esportiva, complemento de A Plateia (RIBEIRO, 2007). Segundo Melo (2012), na última década do século XIX o esporte já era uma atividade relevante na sociedade urbana carioca a ponto de o Jornal do Brasil, recém-inaugurado, publicar a coluna Sport em sua segunda edição com notícias sobre o turfe, em 10 de abril de 1891. Em 1898 surge em São Paulo a revista O Sport e o jornal Gazeta Esportiva – que não tem relação com o diário A Gazeta Esportiva, objeto deste estudo (RIBEIRO, 2007). Nesse momento, os esportes que dominavam as páginas dos jornais, especializados ou não, eram o turfe, o remo, as corridas a pé, o ciclismo, o críquete e até mesmo as touradas (RIBEIRO 2007; MELO 2012).

Na virada do século XIX para o século XX, o futebol já era uma prática consolidada nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, mas ainda não estava presente nos jornais. Foi em 1901 que o futebol se tornou tema da imprensa pela primeira vez, quando a coluna Sport do carioca Correio da Manhã publica uma pequena nota em 22 de setembro sobre a partida entre Paysandu Cricket Club e Rio Cricket and Atlhetic Association (RIBEIRO, 2007). Em São Paulo, as primeiras notícias foram veiculadas em outubro do mesmo ano, no jornal O Estado de S. Paulo, após partidas entre uma equipe paulista e uma carioca na região central da cidade. O registro foi feito pelo jornalista Mário Cardim[1], que foi, segundo Ribeiro (2007), um dos idealizadores da fundação da Liga de Futebol Paulista no mesmo ano.

Se nas primeiras publicações da imprensa acerca do esporte o conteúdo era restrito a pequenas notas, a promoção de eventos e a divulgação dos resultados, ainda no fim do século XIX essa realidade já começa a mudar. A imprensa exerce um papel importante na divulgação da prática como um todo, sem se restringir à comunicação dos eventos, mas aproximando os eventos esportivos de seus leitores no que tange a compreensão do esporte e produção de sentidos (MELO, 2012). Continuamente, a imprensa perde seu caráter meramente informativo, abrindo espaço para os textos opinativos, coexistindo, inclusive, divergências de opinião. O desenvolvimento do caráter opinativo da imprensa esportiva irá encontrar no gênero da crônica seu espaço mais privilegiado. Sobre as crônicas, Melo diz:

Escritas em tom mais pessoal, trata-se de um retrato literário da cidade. Por tal característica, possuem interessantes potencialidades para discutir representações sobre os mais distintos aspectos de um tempo [...]. Os esportes foram presença constante nesses escritos, o que pode ser compreensível pelo fato de que os cronistas constantemente expressavam seus posicionamentos sobre o processo de construção de um imaginário e um ideário modernos, do qual a prática [esportiva] era algo constituinte. (MELO, 2012, p. 34)

Diversos nomes importantes da literatura nacional também publicaram crônicas que de alguma forma dialogavam com o esporte desde a segunda metade do século XIX. Podemos destacar, entre outros nomes, Machado de Assis, José de Alencar, Arthur Azevedo, Raul Azevedo e Olavo Bilac (MELO, 2012). Se, num primeiro momento, as crônicas tinham o esporte como um pano de fundo, a partir do século XX este já começaria a ter um papel protagonista. A presença de literatos na crônica esportiva seria prática comum ao longo do século XX, como veremos adiante.

O estabelecimento do esporte como um tema da imprensa, atrelado ao desenvolvimento do futebol, fez com que este se tornasse figura cada vez mais frequente nos jornais. O foco principal dos textos jornalísticos, porém, tratava-se muito mais dos possíveis prejuízos ou benefícios que o futebol traria a população, além de um esforço para marcar os diferentes grupos que praticavam tal esporte, classificando-os a partir de suas posições sociais (RIBEIRO, 2007). Foi apenas em outubro de 1902 que Mário Cardim escreveu a primeira reportagem amplamente descritiva sobre uma partida de futebol, publicada no jornal O Estado de S. Paulo (RIBEIRO, 2007). Em pouco tempo, O Estado de S. Paulo – e Mário Cardim – já seria considerado a grande referência tratando-se do futebol paulista, enquanto tal posto veio a ser ocupado no Rio de Janeiro pelo jornal Gazeta de Notícias, com sua coluna diária chamada Gazeta dos Esportes (RIBEIRO, 2007).

Com a crescente importância do futebol e de sua divulgação nos veículos de imprensa, mais e mais periódicos surgiram no decorrer da década de 1900. Com a vinda de uma seleção da Argentina ao Brasil em 1908 para a disputa de amistosos, vemos surgir uma das principais características de nossa imprensa esportiva até os dias de hoje: o nacionalismo. Tal sentimento se mostrou presente nas publicações mesmo com a derrota das equipes brasileiras, sendo o futebol capa do jornal Gazeta de Notícias pela primeira vez. Paulo Barreto, jornalista do veículo, escreve então que o Brasil se tornaria uma potência imbatível caso apresentasse maior disciplina e organização (RIBEIRO, 2007). O debate sobre tal organização e disciplina do futebol brasileiro, tanto do ponto de vista do jogo em si, como tratando-se de sua organização institucional, seria continuamente revisitado e rediscutido por todo século XX.

Esses debates, comandado pelos jornalistas e veiculados nos jornais, não eram restritos ao campo das ideias. Nesse aspecto, cabe voltar à figura de Mario Cardim, jornalista do Estado de S. Paulo e fundador da Liga de Futebol Paulista. Cardim era membro da diretoria do Paulistano, importante clube esportivo do início do século XX, além de ser um dos criadores da Federação Brasileira de Futebol em 1915. No ano seguinte, Cardim extinguiu tanto a Liga Paulista quanto a Federação Brasileira, e apoiou a criação da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) (RIBEIRO, 2007). É explícita a circulação de Mário Cardim pelas instâncias de poder do futebol paulista e brasileiro, potencializado pela sua posição na emergente imprensa esportiva nacional. Veremos que a relação estreita entre membros da imprensa e as diferentes esferas de poder institucional do futebol brasileiro continuaria pelas décadas seguintes, com destaque para o importante diário carioca Jornal dos Sports, que surgirá na década de 1930.

Apesar do florescimento do jornalismo esportivo nesses primeiros anos de século, o seu real desenvolvimento só ocorre a partir dos anos de 1920, quando o futebol se torna um esporte de massas, processo esse que está diretamente ligado ao advento do profissionalismo, que irá se concretizar em 1933 (STYCER, 2008). Não por acaso, é na década de 1920 que o jornal A Gazeta, um dos principais diários da época, criará o suplemento semanal A Gazeta Esportiva, que futuramente se tornará um dos principais diários esportivos do país.

A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports: surgimento e contexto político nacional

É no início do século XX, momento de crescimento e desenvolvimento cada vez maior da imprensa brasileira, que surge o jornal A Gazeta. Criada pelo jornalista Adolfo Araújo em maio de 1906, após passar por diferentes donos e crises o jornal será comprado por um de seus repórteres, Cásper Líbero, em 1918, com o auxílio de outros três indivíduos: seu irmão, José Líbero, e seus amigos Júlio Prestes, futuro governador do estado de São Paulo, e Oscar Rodrigues Alves, filho do ex-presidente do Brasil, Rodrigues Alves, ambos filiados ao Partido Republicano Paulista (PRP), que teve o pai de Cásper, Honório Líbero, como um de seus fundadores (STYCER, 2008).

Com Cásper Líbero no comando do diário, A Gazeta se transformará rapidamente num dos principais veículos jornalísticos da cidade de São Paulo. A partir dela, Cásper colocará em ação seis princípios que nortearão o desenvolvimento de seu projeto jornalístico. Seriam eles, segundo Hime (1998), o progresso, o nacionalismo, o regionalismo, o jornalismo enquanto função social, a coletividade e a juventude. Esses princípios, interligados entre si, serão observados marcadamente também em seu suplemento esportivo e futuro diário A Gazeta Esportiva.

Segundo Stycer (2008), foi em dezembro de 1928 que surgiu A Gazeta – Versão Esportiva, suplemento de A Gazeta que circulava semanalmente. Uma década depois, o suplemento era publicado três vezes na semana, já com o nome A Gazeta Esportiva, e em 1947 ele torna-se um diário – fato que não pôde ser visto por Cásper Líbero, vítima fatal de um desastre aéreo em 1943. Também em 1928 um nome que teria grande protagonismo no jornalismo esportivo nacional era contratado para A Gazeta: Thomaz Mazzoni. Em 1930 ele passou a comandar a redação do suplemento esportivo, função que continuaria exercendo com a transformação do suplemento em diário (RIBEIRO, 2007).

Um ano após Mazzoni tornar-se chefe do suplemento esportivo de A Gazeta, Argemiro Bulcão toma a iniciativa de criar um diário esportivo no Rio de Janeiro, então capital federal. Assim, em março de 1931, Bulcão e seu sócio Ozéas Mota criam o Jornal dos Sports (JS), que entraria para história como o primeiro diário exclusivamente esportivo do Brasil (HOLLANDA, 2012).

O JS trocaria de mãos poucos anos depois de sua criação. Em outubro de 1936, o jornalista Mario Filho, comandante da editoria esportiva do jornal O Globo, compra o jornal de Bulcão (COUTO, 2017). Para isso, Mario Filho contou com o aporte financeiro de três amigos: Roberto Marinho, dono do jornal O Globo, José Bastos Padilha, presidente do Clube de Regatas do Flamengo, e Arnaldo Guinle, empresário e ex-presidente do Fluminense Football Club e da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) (HOLLANDA, 2012). Na formação dessa sociedade, percebemos a circulação e íntima relação de Mario Filho com o poder institucional dos clubes e federações, característica essa que continuaria sendo mantida nas décadas seguintes por meio dele e de seus cronistas.

O nascimento do Jornal dos Sports aconteceu no contexto político da chamada Era Vargas, período entre a Revolução de 1930 e o fim do Estado Novo em 1945, no qual Getúlio Vargas governou o Brasil de forma ininterrupta. A partir dos anos 1930, com a ascensão de Getúlio ao poder, há o desenvolvimento do projeto de Nação no qual o indivíduo é visto como parte de uma sociedade de massa, tendo “comportamento social e moral marcado pela desorientação, formando um todo amorfo, anônimo e uniforme” (BARBOSA, 2007, p. 105). Essa massa precisaria, portanto, ser guiada por um governo forte e centralizador, com poder para impor quais são os caminhos que a Nação deveria seguir. Nesse projeto, é necessária a educação do povo via diferentes aparelhos submetidos aos interesses e regulações do Estado, entre eles a imprensa (Idem, Ibidem).

Neste processo, como afirma Barbosa, os debates relacionados à política e ao poder ganham mais espaço na imprensa, com o Estado tendo a exclusividade desta divulgação, fazendo com que o público se afastasse dos periódicos (2007, p. 108). O público, no qual se incluíam a grande massa de trabalhadores urbanos que faziam parte do projeto de identidade nacional proposto pelo Estado, buscaria novos tipos de conteúdo na mídia, procurando “cada vez mais na fantasia e na emoção de personagens mitificados a expressão de seu rosto silenciado. Ao se ver apartado da discussão política, mostrará a sua face nas colunas que enfocam o entretenimento e nas notícias que envolvem os dramas do cotidiano” (2007, p. 108-109). Tais fatores podem ser vistos como responsáveis por impulsionar ainda mais o desenvolvimento de um jornalismo esportivo especializado, que cada vez mais conquistava relevância e interesse do público.

Nesse período, segundo Drumond (2008, p. 18), o esporte foi fortemente usado como propaganda política do regime, visando “a criação de uma atmosfera de euforia e otimismo, na produção de uma raça forte e eugênica, [...] [funcionando como] um instrumento formador da identidade nacional”. Tal identidade nacional, construída como ideologia oficial do governo, não deve, porém, ser encarada como uma imposição aceita passivamente pelo povo, como aponta ainda Drumond. Ao circular no interior da sociedade, ela passa por reinterpretações e ressignificações. Dentro desse processo, os meios de comunicação de massa, como o rádio e a imprensa, desempenham papel fundamental (DRUMOND, 2008).

O controle da imprensa e propaganda era assunto de grande importância para Getúlio Vargas. Como demonstra Drumond (2008), em 1931 Vargas cria o DOP – Departamento Oficial de Propaganda, vinculado ao Ministério da Justiça. Em 1934 é criado o DPDC – Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, que substitui o antigo órgão, e em 1938, já no Estado Novo, o DPDC é substituído pelo Departamento Nacional de Propaganda (DNP). Em 1939, o DNP sofre nova transformação, nascendo o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Desde a criação do DPDC, todos esses órgãos ficaram sob o comando de Lourival Fontes, jornalista e escritor sergipano admirador do fascismo italiano. Devido a importância e influência de seu cargo, Fontes foi convidado pela CBD para chefiar a delegação brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1934 na Itália (DRUMOND, 2008).

Segundo Barbosa (2007, p. 103), ainda que os órgãos de controle e repressão tenham influenciado os rumos da imprensa, não podemos afirmar que todos os veículos sofreram negativamente com as ações ocorridas durante o governo Vargas. Ao analisar a imprensa carioca, a autora afirma que:

Ainda que haja a clara utilização dos meios de comunicação – inclusive os mais modernos, como o rádio – para atingir um público agora identificado como massa, há também o alinhamento dos dirigentes das principais publicações com o regime. Ainda que haja encampação de alguns periódicos, perseguição de outros tantos, há mais proximidades, acordos e relações conjuntas entre os homens de governo e os homens de imprensa do que divergências. (BARBOSA, idem, ibidem.).

A visão de Drumond em relação à imprensa esportiva vai ao encontro com o exposto por Barbosa, ao afirmar que esta “não foi alvo de intervenção direta do governo, que instaurou a censura através do DIP e não possuía grandes jornais opositores” (2008, p. 66). Ainda assim, para o autor, o Jornal dos Sports foi um grande aliado de Vargas, principalmente na figura de Mário Filho – fortemente influenciado pelo sociólogo Gilberto Freyre –, defensor do ideal da democracia racial, da unidade nacional, do ufanismo pátrio e do ideal eugênico. Entretanto, o apoio de Mário Filho ao governo de Getúlio Vargas não deve ser visto como um alinhamento puramente ideológico. Como afirma Antunes (2004, p. 126), o jornal Crítica, fundado por Mário Rodrigues, pai de Mário Filho, em 1928, e dirigido por ele e seu irmão mais velho, Milton Rodrigues, após a morte do pai em março de 1930, sofreu com a repressão das tropas revolucionárias de Getúlio Vargas por apoiar Júlio Prestes à sucessão do presidente Washington Luís, sendo empastelado.

A postura de apoio do JS a Getúlio Vargas, porém, não se limita ao período comandado por Mário Filho. Segundo Couto (2017), o jornal já estava alinhado ideologicamente com o Estado desde quando era comandado por Argemiro Bulcão, tendo demonstrado em seus editoriais preocupação com questões ligadas diretamente ao governo, como “os cuidados com a saúde pública e dos atletas e a formação da raça brasileira”.

Se a imprensa esportiva não foi um alvo de intervenção direta no governo Vargas, o mesmo não pode ser dito da imprensa “tradicional”. Como já apontado anteriormente, Cásper Líbero tinha relações muito próximas com importantes agentes políticos do Partido Republicano Paulista (PRP). Como aponta Stycer (2008), na eleição de 1930 Cásper apoiou Julio Prestes, candidato do partido à presidência, inclusive recebendo dinheiro de publicidade eleitoral. Posteriormente, Cásper é oposição a Revolução de 1930, que marca a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, e por isso seu jornal A Gazeta é empastelado, tendo seus equipamentos destruídos e fazendo com que seu dono se exilasse voluntariamente na Europa. Cásper reassume o comando do jornal em 1931 e apoia a Revolução Constitucionalista de 1932. Com a derrota do movimento, o jornalista é preso e deportado, passando por Lisboa e Paris até ser anistiado (STYCER, 2008).

Após seu retorno ao Brasil, Cásper Líbero passa a apoiar o governo Vargas, por, segundo Hime (1998), manter-se fiel antes de tudo aos ideais nacionalistas, mas também, como já dito, pela necessidade de alinhamento das grandes mídias com o Estado, seja para evitar a censura ou empastelamento, seja pelas vantagens econômicas deste alinhamento. Segundo Barbosa (2007, p. 111), o Governo Vargas lançou mão de diferentes estratégias para além da simples coerção na busca da construção de um consenso narrativo de apoio por parte da mídia, como a isenção de Imposto de Renda para jornalistas e o subsídio do papel de imprensa para jornais que apoiassem o governo. Cásper Líbero, agora apoiador do Estado Novo, recebeu então uma indenização do governo pelo empastelamento do jornal em 1930, do qual parte do dinheiro foi usado para a construção da nova sede d’A Gazeta em 1939 (STYCER, 2008).

Cásper Líbero foi figura atuante na política nacional, sempre utilizando A Gazeta para divulgar suas ideias e ações. Hime (1998) afirma, porém, que Cásper o faz subordinando o político ao jornalista, defendendo que não havia pretensões políticas maiores, destacando seu papel como homem da imprensa e salientando que ele “jamais aceitou a indicação de seu nome para cargo algum”. Entretanto, como aponta Stycer (2008), “é ingenuidade imaginar que seria preciso aceitar um cargo público para exercer e usufruir o poder, como se não bastasse o poder que o próprio jornal lhe dava”.

Se Cásper Líbero, mesmo sem ocupar cargos públicos, foi personagem atuante na política nacional e regional (no caso paulista), o mesmo podemos dizer sobre Mário Filho e seu Jornal dos Sports (no caso carioca). O destaque conquistado por Mário Filho fez com que ele tivesse grande trânsito fora do meio esportivo, em diferentes esferas e momentos:

O respeito conquistado não apenas no meio esportivo, mas também entre políticos e intelectuais, permitiu-lhe exercer uma ação política real na conformação e no desenvolvimento, sobretudo, do profissionalismo no futebol. Conquistou a confiança de Getúlio Vargas e teve acesso facilitado ao seu gabinete, tanto no período do Estado Novo como, posteriormente, durante o mandato ganho nas urnas. Nas tribunas de honra, sempre teve assento garantido ao lado de personalidades. (ANTUNES, 2004, p. 130).

O caso mais emblemático de atuação política de Mário Filho e o JS é a construção do Maracanã para a Copa do Mundo de 1950. Como demonstram Tavares e Votre (2015), o jornal era defensor do empreendimento, entendido não apenas como uma importante praça esportiva para a realização do campeonato, mas também como uma demonstração da força do povo e da nação brasileira. Segundo os autores, a questão da construção do estádio era encarada como uma empreitada patriótica pelo jornal. A definição do projeto se deu em 1947, enquanto sua inauguração foi em 1950, período totalmente compreendido pelo governo de Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951), que sucedeu Getúlio Vargas na presidência do país. Cabe salientar, como afirma Drumond (2008, p. 42), que “a organização da Copa do Mundo de 1950, no Brasil, marcou o auge da ligação do Estado com o esporte”, e que “a política esportiva do governo Dutra foi apenas uma continuação dos tempos de Getúlio”. Após a realização da Copa do Mundo em 1950, o JS continuou tendo como pauta constante em seus textos e crônicas as questões do Maracanã, defendendo sua utilização como forma de promover e incentivar o futebol carioca e brasileiro. Além de Vargas e Dutra, Mário Filho também tinha ótimo relacionamento com Juscelino Kubitscheck, como afirma Ruy Castro (1992, p. 291).

Os jornais e a política esportiva

Se a influência de Cásper Líbero e Mario Filho nas políticas institucionais e de Estado era feita de forma um pouco mais velada, na política esportiva seus papéis eram muito mais explícitos. Ainda que não ocupassem cargos na diretoria de clubes ou federações em si, seus jornais exerciam grande peso ao cobrar e defender determinadas demandas.

A pauta do profissionalismo no futebol brasileiro é um dos principais exemplos de atuação da imprensa nos rumos da política esportiva. Segundo Yamandu e Góis Junior (2012), o pagamento para jogadores era bastante comum tanto no futebol paulista como no carioca já na década de 1920, numa prática conhecida como “profissionalismo marrom”. Os autores afirmam que os clubes buscavam manter-se fiéis ao elitismo, mas que a cobrança por vitórias nos jogos fazia com que estes recorressem ao pagamento ilegal de jogadores de classes populares. Já nesse momento, portanto, começou a ser pautada a possibilidade da legalização do profissionalismo, haja vista que o “profissionalismo marrom”, ainda que ilegal, era uma prática bastante comum e conhecida.

Ainda segundo Yamandu e Góis Junior (2012), enquanto a elite e dirigentes se posicionavam contra o profissionalismo, a imprensa se mostrava a favor. O profissionalismo já era uma prática legal em diversos outros países, e temia-se que cada vez mais jogadores deixassem o Brasil para atuar em lugares como Uruguai, Argentina e Itália. Ainda assim, os clubes não aceitavam o profissionalismo, argumentando que tanto os jogadores quanto a torcida pertenciam a elite, membros de tais clubes esportivos. Porém, segundo Correa (apudYAMANDU; GÓIS JUNIOR, 2012), tal fator também se dava por conta de redução de gastos. É nesse momento, em que o futebol ganha cada vez mais popularidade, que os dirigentes passam a se sentirem obrigados a ter em suas equipes os melhores jogadores disponíveis, a fim de conquistarem sequências de vitórias e manterem seu capital político. É dessa forma que o futebol acaba perdendo de forma definitiva o seu caráter elitista, afinal, o “amadorismo se sustentava em um discurso moral que estava longe da prática cotidiana do futebol nos anos 1920” (YAMANDU; GÓIS JUNIOR, 2012, p. 12).

Na década de 1920, como mostra Stycer (2008), Cásper Líbero foi figura importante para “pacificar” o futebol paulista, que na época possuía duas diferentes associações: a Associação Paulista dos Esportes Atléticos (APEA), criada em 1917, e a Liga dos Amadores de Futebol (LAF), criada em 1925 por clubes descontentes com a falta de coibição do falso amadorismo pela APEA, e que segundo Caldas (1990), seria uma atitude tomada por “elitismo, preconceito social e racial”. Em 1929, um ano após a criação do suplemento esportivo d’A Gazeta, o clube Paulistano deixou a LAF, o que significava a extinção da organização. Cásper, então, cria uma comissão para negociar a volta dos clubes da LAF para à APEA e, em 21 de dezembro de 1929, uma reunião na sede d’A Gazeta marca o retorno do Germânia, líder dos dissidentes, para a primeira divisão da APEA (STYCER, 2008). Para Caldas (1990), tal solução representava um importante passo rumo ao profissionalismo, de grande interesse para os negócios de Líbero.

A defesa do profissionalismo também foi pauta de Mário Filho no início dos anos 1930, ainda antes de sua entrada no Jornal dos Sports, como afirma Antunes, sabendo que “o jornalismo esportivo seria beneficiado com o desenvolvimento do futebol profissional e com o aumento do público interessado” (2004, p. 127-128). Com a profissionalização do futebol carioca e a consequente cisão entre os clubes amadores e profissionais, que criaram Liga Carioca de Futebol (LCF) em 1933, Mário Filho convenceu os dirigentes dos clubes da nova liga a realizarem campeonatos entre as torcidas, a fim de trazerem mais público aos estádios (ibidem).

A atuação do Jornal dos Sports pelo profissionalismo, porém, ocorreu também durante a administração de Argemiro Bulcão. Segundo afirma Gomez (2017) e Mayor et. al. (2022), o jornal era ligado ao grupo de Arnaldo Guinle e Mário Filho ainda antes de sua compra, em 1936. Guinle, como já dito, era um importante dirigente do futebol carioca que havia perdido certo espaço desde a chegada de Getúlio Vargas ao poder e a entrada de novos dirigentes esportivos no comando de entidades esportivas cariocas e nacionais, e via na ascensão do profissionalismo uma grande oportunidade de retomar sua influência política. Dessa forma, o Jornal dos Sports se apresentou como favorável ao profissionalismo, atendendo às demandas políticas e influências do grupo de Guinle e Mário Filho.A Gazeta Esportiva também tomará partido da discussão acerca da intervenção do Estado na organização esportiva durante o Estado Novo, mas agora na figura de seu chefe de redação, Thomaz Mazzoni. Segundo Negreiros (1999), Mazzoni trazia críticas em seus textos no jornal em relação a falta de organização no futebol brasileiro, pedindo uma maior intervenção estatal de Vargas no esporte. Para o autor, a criação do Conselho Nacional de Esportes (CND), que estabelece uma maior legislação para todas as atividades esportivas, é resultado da luta de Mazzoni.

Outro assunto no qual Mazzoni e A Gazeta tiveram papel fundamental foi na preparação da Seleção Brasileira para a disputa da Copa do Mundo de 1938, na qual, como também aponta Negreiros (1999), o jornal e seu editor se envolveram de forma direta com a “Campanha do Selo”. Esta campanha foi uma iniciativa da CBD na qual os torcedores brasileiros compravam selos com o intuito de ajudarem a financiar a viagem da delegação brasileira à França para a disputa do Mundial de 1938. Segundo Negreiros (1999, p. 229), Mazzoni coloca na torcida brasileira a responsabilidade de sucesso da seleção na competição, ao afirmar que quanto maior fosse o conforto dos jogadores brasileiros na viagem, maior seria a chance de sucesso no mundial.

Da mesma forma que A Gazeta Esportiva levantava questionamentos quanto a organização das competições e da estrutura do futebol estadual e nacional como um todo, o Jornal dos Sports também tinha esses temas como pauta, mesmo quando ainda administrado por Argemiro Bulcão. Couto (2010) demonstra que desde seus primeiros anos de existência, o JS se pautava pelas ideias de “progresso”, “desenvolvimento”, “beleza” e “emoção”. Nesse sentido, defendia assuntos considerados modernas, como uma atualização da legislação esportiva de forma a facilitar a transferência de jogadores, por exemplo. Outra pauta defendida por Bulcão era “um modelo de organização, com criação de entidades e associações, com regras e legislações específicas” (COUTO, 2010), para que, com organização, disciplina e planejamento, o esporte pudesse se desenvolver.

O Jornal dos Sports da “Era Bulcão” manteve-se próximo aos dirigentes esportivos de clubes, federações e confederações, característica essa que foi apropriada por Mario Filho quando este passou a dirigir o jornal, como afirma Hollanda (2012). O autor salienta que apesar do JS ser sempre atrelado a figura do jornalista, a dimensão política do JS também se dava em outras esferas e figuras:

O aceno político foi menos salientado, por exemplo, para perceber a composição do seu elenco de cronistas, cuja notoriedade extrapolava a dimensão esportiva e se inseria diretamente na teia de poder dos dirigentes e dos políticos. Sem se envolver em cargos ou postos de maneira direta, Mario Filho chamava ao seu jornal grandes nomes das letras brasileiras, da magistratura e da esfera de poder desportiva de então. (HOLLANDA, 2012, p. 91)

Sobre o caráter personalista apresentado pelos periódicos, centrado nas figuras de Mário Filho (JS) e Thomaz Mazzoni (AGE), cabe destacar que não apenas eles se davam de modos diferentes em cada um dos jornais, mas também os definir de tal forma talvez não consiga abarcar a complexidade das relações entre os jornalistas e os diários. Se, do lado do JS, Mário Filho era o proprietário do jornal, que era inclusive conhecido como “O Jornal do Mário Filho”, o jornalista nem sempre escrevia com grande regularidade em seu diário, tendo uma vasta gama de jornalistas e cronistas de relevância em sua equipe. Do lado d’AGE, a relação personalista se dava de forma diferente com Thomaz Mazzoni. Ele era, sem dúvidas, seu jornalista mais conhecido, além de editor, fazendo com que o nome do jornal fosse fortemente atrelado ao seu, mas sem possuí-lo de fato ou mesmo ocupar o cargo de diretor. Assim, apesar de ambos os periódicos terem Mário Filho e Thomaz Mazzoni como principais nomes de seus quadros, as relações entre os cronistas e os jornais não era de simples extensões destas figuras, mas espaços para debates de ideias e divergências nos mais variados assuntos, ainda que se mantendo atrelado de alguma forma a estes importantes nomes.

Ao analisar os cronistas do JS, Hollanda elenca cinco nomes presentes nas páginas do no período que demonstra a proximidade de Mário Filho e do próprio jornal com o âmbito político esportivo, sendo eles: João Lyra Filho, José Lins do Rego, Manuel do Nascimento Vargas Neto, Luiz Gallotti e Mário Pollo. Os cinco cronistas citados exerceram diferentes cargos de prestígios dentro da esfera político esportiva, além de também serem nomes de grande relevância na política tradicional do período, demonstrando com clareza como o JS e Mário Filho circulavam nos ambientes de poder, influenciando “de uma forma própria e muito sutil, os destinos esportivos brasileiros” (HOLLANDA, 2012, p. 97).

A partir desse local de autoridade e influência, os jornais e seus editores e cronistas podiam ditar os rumos do esporte em diferentes esferas. Umas das mais conhecidas formas de atuação é a promoção de eventos esportivos. Tais eventos, muitas vezes criados para que os jornais continuassem tendo assuntos nos momentos em que o futebol não estava acontecendo, foram de grande importância para o desenvolvimento de cenário esportivo na primeira metade do século XX. Se Mario Filho e o Jornal dos Sports podem ser considerados grandes incentivadores e atores na construção do Maracanã e na realização da Copa de 1950, outros eventos também os têm como responsáveis, adentrando a segunda metade do século XX: Jogos Infantis (1947), Torneio Rio/São Paulo de clubes (1951), Taça Rio (1951), Jogos da Primavera (1951), Campeonato de Pelada (a partir dos anos 1960) e Campeonato de Torcidas (1936, criação de Mario Filho ainda na revista O Globo Esportivo) (HOLLANDA, 2012).

A Gazeta Esportiva e o jornalista Cásper Líbero também promoveram diversos eventos que ajudaram a moldar o cenário esportivo paulista e nacional. Destacam-se nesse sentido a Corrida de São Silvestre (1925), a Prova Ciclística 9 de Julho e uma competição esportiva entre universidades (STYCER, 2008). Thomaz Mazzoni, por sua vez, será importante por ajudar a criar uma identificação clubística entre os torcedores e o jornal, inventando diversos apelidos para os clubes (Timão – Corinthians, Campeoníssimo – Palmeiras, Clube da Fé – São Paulo, Moleque Travesso – Juventus) e confrontos (Derby Paulista, Choque-Rei, Majestoso) (STYCER, 2008). Tal expediente já havia sido lançado por Mario Filho na década de 1930, ao criar a expressão Fla-Flu.

Mas para além das questões afetivas promovidas pelos jornais em relação aos clubes, podemos afirmar também que foi de interesse desses atores da imprensa esportiva moldar também a forma “correta” de se torcer. O já mencionado Campeonato de Torcidas criado por Mario Filho premiava a torcida mais festiva, mais animada e mais organizada (HOLLANDA, 2017), o que incentivava um padrão de comportamento.

João Lyra Filho, presidente do CND nos anos 1940 e colunista regular do Jornal dos Sports, também tinha atenção bastante especial ao tema e, alinhado com os ideais do Estado Novo, acreditava que as torcidas deveriam estar sob constante atenção das autoridades, visto que seu comportamento passional poderia ser uma ameaça ao estabelecimento da ordem e da disciplina (HOLLANDA e CHAIM, 2020).

Thomaz Mazzoni era também um grande defensor dessa visão, e junto com A Gazeta Esportiva e a Rádio Gazeta promoveu o concurso de melhor torcida durante o Campeonato Paulista de 1943. Esse concurso, disputado entre as torcidas uniformizadas dos clubes, tinha também como função disciplinar o torcedor que comparecia ao estádio, ensinando-o a forma correta de torcer a partir dos ideais estadonovistas (HOLLANDA e CHAIM, 2020).

Considerações Finais

Ainda que com suas diferenças de trajetória, não são poucos os paralelos possíveis que podem ser traçados entre A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports. Ambos os jornais, antes de mais nada, se desenvolveram na esteira evolução do profissionalismo do futebol brasileiro, o qual ajudaram a defender, e foram os principais jornais esportivos de suas cidades por décadas a fio. Ambos os jornais tiveram grande proximidade com figuras importantes da política institucional brasileira e esportiva, no qual se destacam os próprios colunistas do diário carioca. Também atuaram intensamente nas disputas políticas envolvendo o esporte na primeira metade do século XX, ainda que de maneira relativamente velada, sem que seus donos ocupassem cargos públicos ou indicações. E ambos defenderam de forma explícita os ideais varguistas do Estado Novo no ambiente social e esportivo.

Mas não somente de aproximações viveram os dois periódicos. A rivalidade entre paulistas e cariocas é fortemente retratada no futebol brasileiro, o que inclui suas dimensões institucionais e o meio da imprensa (RIBEIRO, 2007). Dessa forma, não foram poucas as vezes em que os cronistas de um jornal criticaram e responderam o do outro, como mostra Toledo (2012). A maior desavença parece ser do lado paulista, que criticava a passionalidade e amadorismo das crônicas dos cariocas, ao invés de agirem de forma profissional, racional, analítica e crítica, como supostamente faziam os paulistas, numa disputa acerca do discurso jornalístico do futebol profissional recém instaurado (TOLEDO, 2012). O debate mostra o bairrismo presente na imprensa esportiva da primeira metade do século XX, característica que vai ao encontro com paulistanismo descrito por Hime (1998) como característica d’A Gazeta, que demonstrava ser a favor do desenvolvimento nacional desde que esse fosse liderado por São Paulo. Ainda assim, é notória a participação de Thomaz Mazzoni no JS, escrevendo colunas de forma recorrente no diário carioca.

Este paulistanismo presente n’A Gazeta inclusive faria com que os periódicos enxergassem de forma diferente a construção do caráter nacionalista do Brasil e do esporte em relação ao Jornal dos Sports. Sendo um tema bastante caro para ambos os jornais, a ideia de Nação no Rio de Janeiro era construída principalmente a partir da questão da mestiçagem. Já em São Paulo, que passava nas últimas décadas por uma grande onda de imigração de trabalhadores vindos de Itália, Portugal, Espanha, Grécia e países árabes por conta do desenvolvimento da metrópole, vivenciava o desenvolvimento da Nação a partir desta mistura de diferentes culturas (todas consideradas brancas, diga-se), indo ao encontro de um ideal de embranquecimento da população que poderia, segundo intelectuais e governantes da época, eliminar a mancha da escravidão (SILVA, D. 2014, p. 31-32). Assim, tanto o JS quanto AGE buscavam exaltar e trazer ao centro do debate a questão da brasilidade, porém vindo de lugares bastante diferentes. Enquanto a base da brasilidade do JS era a miscigenação, a base de AGE dialogava com a forte imigração dos trabalhadores brancos para São Paulo.

Traçar e discutir a trajetória desses dois jornais e seus personagens, agentes tão significativos no desenvolvimento do campo esportivo da primeira metade do século XX e fontes de grande relevância para as pesquisas de diversas áreas do esporte na atualidade, mostra-se tarefa de primeira importância. Tanto A Gazeta Esportiva quanto o Jornal dos Sports – junto de Cásper Líbero, Thomaz Mazzoni e Mário Filho, suas figuras principais – se valeram de táticas e ações bastante semelhantes para se firmarem dentro do competitivo campo de disputa da imprensa esportiva em ascensão, além de implementarem seus projetos jornalísticos e esportivos com tremendo sucesso.

Acreditamos que essa pesquisa suscite outras perguntas acerca do papel destes dois diários esportivos, assim como suas relações e influências nas décadas seguintes. Por exemplo, como os diários reagiram aos anos seguintes do final da Era Vargas, tão intimamente relacionada com a história de ambos? Ou quais foram os projetos encabeçados pelos jornais e seus posicionamentos durante o período de 1958 e 1970, com as três conquistas da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira? Qual foi o papel dos jornais para a criação e posterior consolidação dos campeonatos nacionais de futebol de clubes, a partir de 1959? Ou quais foram as linhas editoriais e temas principais dos jornais nos anos seguintes à morte de seus principais nomes, Mário Filho (1966) e Thomaz Mazzoni (1970)? Quais posturas adotaram os jornais acerca da chegada e do mandato de João Havelange como presidente da FIFA a partir de 1974. Entendemos que tais questionamentos demonstram que muitas são as possibilidades de continuidade de pesquisas relacionadas aos diários, que tanto marcaram época na imprensa esportiva brasileira do século XX.

Referências Bibliográficas

BARBOSA, Marialva. História cultural da imprensa: Brasil, 1900-2000. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Lisboa: Fim de Século, 2003.

CALDAS, Waldenyr. O Pontapé inicial: memória do futebol brasileiro (1894-1933). Coautoria de Manoel José Gomes Tubino, Claudio Macedo Reis. São Paulo: IBRASA, 1990.

CASTRO, Ruy. O anjo pornográfico. A vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

COUTO, André Alexandre Guimarães. Uma arena de notícias: a fundação do Jornal dos Sports e seus primeiros cronistas. In: ENCONTRO REGIONAL DA ANPUH-RIO, XIV., 2010, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: UniRio, 2010.

COUTO, André Alexandre Guimarães. Os Cronistas do Jornal dos Sports (1950 – 1958): subjetividade, clubismo e denuncismo. FuLiA / UFMG, v. 2, n. 3, set.-dez., 2017.

DRUMOND, Maurício. Nações em jogo: esporte e propaganda política em Vargas e Perón. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008.

GAMBETA, Wilson (Org.). Primeiros passes: documentos para a história do futebol em São Paulo (1897-1918). São Paulo: Edições Ludens, Biblioteca Mário de Andrade, 2014.

GEBARA, Ademir. História do Esporte: novas abordagens. In: PRONI, Marcelo Weishaupt; FIGUEIREDO, Ricardo Lucena. Esporte, história e sociedade. Campinas: Autores Associados, 2002, p. 5 – 29.

GOMES, Eduardo de Souza. A chegada do profissionalismo: imprensa e dirigentes de futebol no Rio de Janeiro (1933) e na Colômbia (1948). Esporte e Sociedade, ano 12, n. 29, mar. 2017, p. 1 – 22.

GUEDES, Simoni Lahud. Discursos autorizados e discursos rebeldes no futebol brasileiro. Esporte e Sociedade, Niterói, n.16, 2011.

HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. O cor de rosa: ascensão, hegemonia e queda do Jornal dos Sports entre 1930 e 1980. In: HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de; MELO, Victor Andrade de (orgs.). O Esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: 7 letras, 2012. p. 80 – 106.

HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. A invenção do Fla-Flu: breves apontamentos. Ludopédio, São Paulo, v. 95, n. 9, 2017.

HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. CHAIM, Aníbal Martinot. Ordem e progresso nas arquibancadas: o jornalismo esportivo e a gênese das torcidas uniformizadas de futebol durante o regime político do Estado Novo (1937 – 1945). Revista História, São Paulo, n.179, 2020.

HIME, Gisely Valentim Vaz Coelho. Cásper Líbero e o exercício do jornalismo nas páginas d’A Gazeta. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXI., 1998, São Paulo. Anais... São Paulo: Universidade de São Paulo; 1998.

LUCA, Tânia Regina de. Fontes impressas: história dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bacellar (org.). Fontes Históricas. São Paulo: Editora Contexto, 2005, p. 111 – 153.

MAYOR, Sarah Teixeira Soutto; SILVA, Sílvio Ricardo da; ALABARCES, Pablo Alejandro. Influências da Argentina no advento do profissionalismo brasileiro: uma análise da revista El Gráfico e do Jornal dos Sports (1930-1933). Movimento, v. 20, 2022.

MELO, Victor Andrade de. Causa e consequência: esporte e imprensa no Rio de Janeiro no século XIX e década inicial do século XX. In: HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de; MELO, Victor Andrade de (orgs.). O Esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: 7 letras, 2012. p. 21 – 51.

MELO, Victor Andrade de; DRUMOND, Maurício; FORTES, Rafael; SANTOS, João Manoel Casquinha Malaia dos. Pesquisa histórica e história do esporte. Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013.

NEGREIROS, Plínio José Labriola de Campos. Construindo a nação: futebol nos anos 30 e 40. In: COSTA, Márcia Regina da; FLORENZANO, José Paulo; QUINTILHO, Elizabeth; D’ALLEVEDO, Silvia Carbone; SANTOS, Marco Antônio S. (orgs). Futebol: espetáculo do século. São Paulo: Musa Editora, 1999. p. 214 - 239.

RIBEIRO, André. Os donos do espetáculo: história da imprensa esportiva do Brasil. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2007.

SILVA, Diana Mendes Machado da. “No Brasil, jogador de futebol nasce feito”: a Copa de 1958 e o futebol popular em A Gazeta Esportiva. In: GIGLIO, Sérgio Settani; SILVA, Diana Mendes Machado da (org). O Brasil e as Copas do Mundo: futebol, história e política. São Paulo: Zagodoni, 2014, p. 28 – 36.

STYCER, José Maurício. Líbero, Mazzoni e a criação de A Gazeta Esportiva. In: ENCONTRO DA ALESDE, I., 2008, Curitiba. Anais... Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2008.

TAVARES, Ana Beatriz Correia; VOTRE, Sebastião Josué. Estádio do Maracanã: dos alicerces ao colosso do Derby. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.37, n. 3, p. 258 – 264, ago. 2015.

TOLEDO, Luiz Henrique de. A cidade e o jornal: A Gazeta Esportiva e os sentidos da modernidade na primeira metade do século XX. In: HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de; MELO, Victor Andrade de (orgs.). O Esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: 7 letras, 2012, p. 52 – 79.

YAMANDU, Walter; GÓIS JUNIOR, Edivaldo. Profissionalismo “marrom” do futebol e a imprensa paulista (1920-1930). Recorde: Revista de História do Esporte, vol. 5, n. 2, junho-dezembro de 2012, p. 1-13.

Notas

[1] Em sua adolescência Mario Sergio Cardim (1884-1953) participou do quadro associativo do Sport Club Internacional, sendo um dos primeiros sócios e disputou o campeonato da LPF em 1902. Em 1903, integrou o Club Athletico Paulistano. Participou de outras modalidades (tiro e tênis) e atuou como árbitro. Integrou as diretorias do Internacional, Paulistano e LPF. Em 1906, ano em que assumiu a condição de cronista do jornal O Estado de S.Paulo escreveu com Luiz Fonseca o Guia de Football (GAMBETA, 2014).

Autor notes

i Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas. Email: gustavo_dbpelegrini@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-6069-6272.
ii Doutor em Educação Física pela Universidade de São Paulo. Docente dos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas. Email: sergio@ludopedio.com.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3190-0859.

Ligação alternative

Modelo de publicação sem fins lucrativos para preservar a natureza acadêmica e aberta da comunicação científica
HMTL gerado a partir de XML JATS4R