Resumo: Apresenta-se o acervo da coleção herpetológica das Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia, com lista completa das espécies de répteis depositados na coleção. A coleção herpetológica abriga atualmente 3.349 espécimes, possui coleção científica e didática. Todo o acervo está devidamente tombado e acondicionado conforme exigências mínimas para coleções. E representa uma excelente base de dados para o estudo da herpetofauna amazônica. As cidades com maior representatividade de depósitos de espécimes na coleção são Santarém e Belterra, Pará, Brasil. Grande parte dos exemplares é oriunda de expedições científicas e pode ser considerada uma coleção regional dinâmica, pois se encontra à disposição da comunidade. Entretanto, são necessários maiores investimentos de ordem estrutural, para a manutenção e crescimento do acervo, para que este continue no desempenho de suas funções.
Palavras-chave: Coleção científica, Herpetofauna, Oeste do Pará, diversidade.
Abstract: It shows the collection of the herpetological collection of the Tapajos Integrated Colleges/College Amazon, with complete list of species of reptiles and amphibians deposited in the collection. The herpetological collection currently houses 3.349 specimens, has scientific and didactic collection. The entire collection is properly tumbled and packaged as minimum requirements for collections. He represents an excellent database for the study of amazon herpetofauna. The cities with the most representative specimens of deposits in the collection are Santarem and Belterra, Pará, Brazil; most copies come from scientific expeditions and be can considered a regional dynamic collection because it is to the community. However, greater investments are needed structural, for the maintenance and growth of, the collection so that it continues in of continue with the performance of their duties.
Keywords: Scientific collection, herpetofauna, west of Pará, diversity.
Resumen: Presenta la colección de la colección herpetológica de los Colegios Integrado Tapajós/Facultad Amazonia, con la lista completa de especies de reptiles depositados en ella. La colección herpetológica actualmente alberga 3.349 ejemplares, tiene carácter científico y didáctico. La colección completa está organizada y cumple con los requisitos mínimos exigidos para este tipo de muestras biológicas. Representa una excelente base de datos para el estudio de la herpetofauna amazónica. Las ciudades con las muestras más representativas depositadas son Santarém y Belterra, Pará, Brasil, la mayoría de los ejemplares provienen de expediciones científicas y puede considerarse una representativa muestra de la dinámica regional. Sin embargo, se necesita una mayor inversión estructural, para el mantenimiento y crecimiento de la colección, para que continúe en el ejercicio de sus funciones.
Palabras clave: Colección científica, herpetofauna, al oeste de Pará, diversidad.
Originales
A coleção herpetológica das Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia, Santarém, Pará, Brasil: 1 - Répteis
The herpetological collection of Integrated colleges of Tapajós/College of Amazon, Santarém, Pará, Brazil: 1 - Reptiles
La colección herpetológica de los Facultades Integradas de Tapajós/Facultad de Amazonia, Santarém, Pará, Brasil: 1 - Reptiles
Recepção: 26 Abril 2016
Aprovação: 07 Agosto 2016
O Brasil é muito diverso e abrange a região mais rica do mundo em táxons animais (MITTERMEIER, 1988; MARQUES e LAMAS, 2006). Diante disso, há a necessidade urgente de melhor conhecer a imensa riqueza biológica do planeta, em especial, às crescentes ameaças provenientes do crescimento populacional desordenado que leva à degradação ambiental, a perda e fragmentação de hábitats (LEWINSOHN, 2006). As coleções científicas possuem papel fundamental para o conhecimento da biodiversidade, por proporcionarem informações básicas sobre as espécies e a região, em favor da diversidade e extensão territorial da região amazônica (MAGALHÃES et al., 2001).
As coleções zoológicas são importantes fontes de informações para todos os que trabalham com o estudo da biodiversidade animal, pois proporcionam o avanço do conhecimento que pode ser aplicado em diferentes maneiras na sociedade, tanto para a atuação governamental, quanto para a gestão ambiental. É nas coleções científicas que encontramos espécies da fauna já extinta, formando uma base de dados fundamental para os estudos de caracterização e impacto ambiental (ZAHER e YOUNG, 2003).
Historicamente, a primeira coleção científica que surgiu no Brasil foi fundada pelo imperador Dom João VI, no ano de 1818 e foi denominada Casa dos Pássaros, instituição ao qual deu origem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em seguida, entre os anos de 1866 e 1886, foram criadas as coleções científicas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém no Pará, e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, em São Paulo capital, respectivamente. Atualmente, estas três instituições resguardam o maior acervo da nossa diversidade biológica nacional (ZAHER e YOUNG, 2003).
Na região Amazônica, distinguem-se dois grandes centros de pesquisas: O MPEG e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). E compete a essas duas instituições, estudar a biodiversidade amazônica em todos os seus aspectos. No entanto, os estudos da herpetofauna amazônica ainda são poucos (AZEVEDO-RAMOS e GALATTI, 2001), deixando assim uma enorme lacuna no que diz respeito ao conhecimento desta fauna.
A aceleração do desenvolvimento econômico na região oeste do Pará causou alterações nos ambientes naturais, transformando grandes áreas de florestas contínuas em um mosaico de paisagens, com fragmentos de florestas isoladas por diferentes tipos de hábitats, como áreas de crescimento de vegetação secundária, pastagens e lavouras (DIEGUES,1993 e MARGULIS, 2003).
Dessa forma, os inventários herpetológicos oferecem uma ampla visão sobre a distribuição de um grande número de espécies, melhorando a compreensão dos padrões de distribuição das espécies, em função de diversas variáveis ambientais. Contudo, a criação e manutenção de coleções científicas é uma prática pouco utilizada por instituições, devido (a) falta de especialistas, (b) o baixo ou inexistente investimento por parte de agências financiadoras e, (c) logística deficitária, o que dificulta o deslocamento, alojamento das equipes, pesquisadores e a aquisição de instrumentos científicos (MAGALHÃES e BONALDO, 2003).
No entanto, por limitações financeiras, logística e de pessoal, a região oeste do Pará ficou por muito tempo necessitada de conhecimento sobre os aspectos da sua biodiversidade, em especial a Herpetofauna, sendo conhecida aos poucos através de trabalhos pontuais (CHALKIDIS, 2000; FROTA, 2000; FROTA e YUKI, 2001; SANTOS JÚNIOR e FROTA, 2002; FROTA et al , 2006; FROTA e YUKI, 2005; FROTA e SANTOS JÚNIOR, 2005; SANTOS JUNIOR e FROTA et al., 2007; STURARO et al., 2010; CALVETE et al., 2011; RIBEIRO et al., 2014; GANANÇA et al., 2014; SABAJ-PÉREZ, 2014; SOUSA et al., 2015 ).
E na contramão dos fatos, foi que em meados de 1999, iniciou-se os trabalhos da Coleção Herpetológica nas Faculdades Integradas do Tapajós, hoje Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia (FIT/UNAMA), que surgiu diante da necessidade de melhor conhecer a região oeste do Pará e amostrá-la cientificamente, sobretudo com a abertura de fronteiras agrícolas no norte do país, que culminou com um dos maiores índices de desmatamento da Amazônia, com cerca de 28.000 km2 (COHENCA, 2005). A região Oeste do Pará compreende 25 municípios (IBGE, 2007), distribuídos por 722.358 km2 com regiões fitogeográficas distintas, como a Floresta de Terra Firme, Várzea e Igapó (SIOLI, 1983; FUGLER, 1986).
Diante do exposto, este estudo objetiva descrever os exemplares depositados na coleção Herpetológica do Laboratório de Pesquisas Zoológicas, das Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia (FIT/UNAMA), com intuito de expor sua procedência e divulgar o acervo para a comunidade.
Para este trabalho foi utilizado o banco de dados da coleção herpetológica, do Laboratório de Pesquisas Zoológicas (LPZ), das Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia (FIT/UNAMA). Verificou-se a natureza, as cidades com maior número de coletas e os anos com maior número de tombamentos de indivíduos na coleção.
Os procedimentos de triagem, morte, fixação, conservação, tombamento, colecionamento e curadoria seguem os descritos em literatura (CARAMASCHI, 1987; COOPER et al., 1989; FRANCO e SALOMÃO, 2002). Após o recebimento, os espécimes passaram pela triagem onde é verificado se todas as informações estão completas. Todos os exemplares foram mortos, fixados em posição anatômica e receberam uma etiqueta de acrônimo LPHA (Linha de Pesquisa em Herpetologia da Amazônia). Em seguida foi realizada a biometria e a identificação. Formulários com os dados dos espécimes foram preenchidos e armazenados em arquivos físicos e digitais. Por fim, os exemplares foram alocados em recipientes de vidro submersos em álcool a 70% com rótulo contendo as informações: Família, Gênero, Espécie, número-tombo, local da coleta, coletor, data e coordenadas geográficas.
Neste trabalho os espécimes foram identificados ao menor nível taxonômico possível e listados apenas aqueles que possuíam dados completos. Não consideramos o nível taxonômico de subespécie.
A Coleção possui 3.349 espécimes de Répteis com dados completos, distribuídos em 26 famílias, organizadas de acordo com a abundância de espécimes coligidos, onde as cinco primeiras famílias somadas representam mais de 60% do total de espécimes de répteis (Tabela 1).

As espécies foram distribuídas em 3 grupos: Testudines (quelônios), Squamata (lagartos fossoriais, lagartos e serpentes) e Crocodylia (crocodilianos) e suas respectivas famílias, gêneros e espécies (Tabela 2).


As cidades do Pará, Brasil com maior representatividade foram: Santarém (52,07%), Belterra (29,90%), Itaituba (6,48%), Aveiro (2,20%), Oriximiná (2,05%), Monte Alegre (1,14%), Prainha (1,00%), Coreaú (0,71%), Almeirim (0,54%), Tiriós (0,51%). As demais localidades somadas representam (3,4%) (Figura 1).

Entre os espécimes colecionados, 2% dos registros não tinham informações sobre a natureza da coleta. Os 29% são espécimes oriundos de doações feitas pela população da região e 69% representam espécimes coletados em expedições decorrentes de projetos científicos (Figura 2).

O período de acúmulo de espécimes de répteis na coleção abrangeu dois momentos importantes, entre os anos de 1999 e 2002 e entre 2006 e 2014 (Figura 3).

A coleção Herpetológica da FIT/UNAMA abriga em suas dependências desde de 1999, grande parte da herpetofauna local que por si só é muito diversa (FROTA et al., 2006). A herpetofauna sofreu mudanças significativas após a abertura de fronteira agrícola na região de Santarém, na qual possibilitou a instalação de grandes produtores rurais, causando desmatamentos recordes (COHENCA, 2005) e aumento considerável nas coletas de campo e nas doações.
A cidade de Santarém foi a melhor amostrada, mas observamos um aumento significativo nos últimos anos de espécimes coletados na região de Belterra. Em parte, se devem às coletas realizadas através de projetos oriundos dos convênios institucionais com o Instituto Butantan e PPBio (Programa de Pesquisas em Biodiversidade).
Entre os anos de 1999 e 2002, houve expressiva quantidade de espécimes depositados na coleção por ocasião da criação da coleção herpetológica que passou a receber doações (Figura 3). Nos anos de 2006 a 2014 os dados mostram os resultados dos esforços de coletas cientificas, realizados durante a implementação de projetos de pesquisas na Flona do Tapajós e os Encontros Butantan Amazônia - evento realizado pelo Instituto Butantan em parceria com as instituições de Ensino Superior de Santarém (JORGE 1997).
Quanto à natureza dos espécimes, registramos 2% dos exemplares que foram doados ou coletados sem que suas informações tivessem sido coligidas. Acredita - se que esses espécimes já estavam na instituição antes da criação da coleção, os quais estavam com seus dados incompletos e passaram a fazer parte da coleção didática.
A alta representatividade da família de serpentes Dipsadidae já era esperada, provavelmente seja reflexo da grande radiação e adaptação deste grupo pelas Américas e algumas ilhas do Caribe (ZAHER et al., 2009; VIDAL et al., 2010; GRAZZIOTIN et al., 2012).
A formação e manutenção de coleções regionais é um procedimento pouco frequente, pois faltam recursos, interesse, tempo, profissionais qualificados e/ou orientação para que se organizem boas coleções. Falta apoio financeiro oriundo de agências de fomento, política em longo prazo de formação e manutenção de coleções no Brasil. A maior parte das coleções brasileiras foi criada através de esforços isolados de um ou alguns pesquisadores e instituições, movidos pela necessidade de criar fontes próprias de consulta e informação (ZAHER e YOUNG, 2003). Logo, a criação e manutenção de coleções científicas regionais é de suma importância, pois nelas se reúnem espécies de diferentes biomas.
A centralização de informações científicas possui pontos positivos - através do rápido acesso e a possibilidade de utilização de informações oriundas dos mais diversos locais - e pontos negativos, quando muitos espécimes coletados deixam de ser conservados por dificuldade de acesso a coleções de outros estados (ZAHER e YOUNG, 2003). Além disso, há problemas de manutenção na infraestrutura das instituições que abrigam as coleções científicas.
A coleção herpetológica da FIT/UNAMA possui acervo com representação de natureza regional, encontra-se informatizada e que apresenta lista das espécies que ocorrem na região Oeste do Pará, comprovando a alta diversidade de espécies e colocando os exemplares à disposição da comunidade. As representatividades temporal, geográfica e taxonômica da coleção atestam sua importância, assim como o incremento constante de seu acervo, faz dela um registro dinâmico dos estudos herpetofaunísticos regionais.
Agradecemos às Faculdades Integradas do Tapajós/Faculdade da Amazônia pela concessão das bolsas de iniciação científica à IASB, LBVN e ASGS. Aos curadores que contribuíram para a manutenção e incremento da coleção.







