

Romaria de carros de bois da festa do divino pai eterno: as viagens de Morrinhos e Vianópolis à Trindade, Goiás, Brasil
Pilgrimage of oxcarts of the feast of the divine eternal father: the journeys from Morrinhos and Vianópolis to Trindade, Goiás, Brazil
Peregrinación de carretas de bueyes de la fiesta del divino padre eterno: los viajes de Morrinhos y Vianópolis a Trindade, Goiás, Brasil
Revista Presença Geográfica
Fundação Universidade Federal de Rondônia, Brasil
ISSN-e: 2446-6646
Periodicidade: Frecuencia continua
vol. 12, núm. 1, 2025
Recepção: 11 Janeiro 2025
Aprovação: 23 Março 2025
Resumo: Este manuscrito possui o objetivo central de compreender as viagens de carro de boi de romeiros de Morrinhos e Vianópolis a Trindade, Goiás, Brasil, com a finalidade de participar na Festa do Divino Pai Eterno. O recorte espacial deste artigo contempla os municípios de Trindade (GO), localizado nas regiões geográficas intermediária e imediata de Goiânia (GO); Vianópolis (GO), intermediária de Goiânia (GO) e imediata de Anápolis; e Morrinhos (GO), intermediária de Itumbiara (GO) e imediata Caldas Novas-Morrinhos (GO). Este é um trabalho de natureza essencialmente qualitativa, com o uso de entrevistas semiestruturadas como instrumentos para coleta dos dados, o levantamento das referências e a análise dos resultados. Na pesquisa bibliográfica, autores como Coriolano (1999), Seabra (2007), D’Abadia (2014), Marques e Santos (2014), Silva, Matias e Pintassilgo (2014), Chaveiro, Azevedo e Gonçalves (2018), Garófalo e Pinho (2018) e Enoque e Almeida (2021) foram fundamentais para a construção teórica da investigação. Entre os resultados apresentados, destacam-se as compreensões dos romeiros/carreiros a respeito da própria condição de viagem, bem como o exercício de fé: o pouso, as refeições, os apoios voluntários e financeiros e a importância dos carros de bois para o deslocamento coletivo. Por fim, os conteúdos expostos elencam algumas possibilidades de estudos futuros, como o maior aprofundamento do papel feminino nas viagens e a relevância em compreender o valor da memória dos viajantes, para demonstrar que a temática “viagem religiosa” merece outras e novas abordagens investigativas.
Palavras-chave: Coletividade, Divino Pai Eterno, Romeiros, Pousos, Lugares.
Abstract: This manuscript has the central objective of understanding the ox cart journeys of pilgrims from Morrinhos and Vianópolis to Trindade, Goiás, Brazil, with the purpose of participating in Festa do Divino Pai Eterno. The spatial scope of this article includes the municipalities of Trindade (GO), located in the intermediate and immediate geographic regions of Goiânia (GO); Vianópolis (GO), intermediate from Goiânia (GO) and immediate from Anápolis; and Morrinhos (GO), intermediate Itumbiara (GO) and immediate Caldas Novas-Morrinhos (GO). This is an essentially qualitative work, using semi-structured interviews as instruments for collecting data, surveying references and analyzing results. In bibliographical research, authors such as Coriolano (1999), Seabra (2007), D’Abadia (2014), Marques and Santos (2014), Silva, Matias and Pintassilgo (2014), Chaveiro, Azevedo and Gonçalves (2018), Garófalo and Pinho (2018) and Enoque and Almeida (2021) were fundamental to the theoretical construction of the investigation. Among the presented results, the understanding of pilgrims/carreiros regarding their own travel conditions stands out, as well as the exercise of faith: landing, meals, voluntary and financial support and the importance of ox carts for travel collective. Finally, the exposed contents list some possibilities for future studies, such as further deepening the female role in travel and the relevance of understanding the value of travelers’ memories, to demonstrate that the theme “religious travel” deserves other and new investigative approaches.
Keywords: Collectivity, Divine Eternal Father, Romeiros, Landings, Places.
Resumen: Este manuscrito tiene el objetivo central de comprender los viajes en carretas de bueyes de los peregrinos desde Morrinhos y Vianópolis hasta Trindade, Goiás, Brasil, con el propósito de participar en la Festa do Divino Pai Eterno. El alcance espacial de este artículo incluye los municipios de Trindade (GO), ubicados en las regiones geográficas intermedias e inmediatas de Goiânia (GO); Vianópolis (GO), intermedia desde Goiânia (GO) e inmediata desde Anápolis; y Morrinhos (GO), intermedia Itumbiara (GO) e inmediata Caldas Novas-Morrihos (GO). Se trata de un trabajo esencialmente cualitativo, que utiliza entrevistas semiestructuradas como instrumentos de recogida de datos, levantamiento de referentes y análisis de resultados. En la investigación bibliográfica se destacan autores como Coriolano (1999), Seabra (2007), D’Abadia (2014), Marques y Santos (2014), Silva, Matias y Pintassilgo (2014), Chaveiro, Azevedo y Gonçalves (2018), Garófalo y Pinho (2018) y Enoque y Almeida (2021) fueron fundamentales para la construcción teórica de la investigación. Entre los resultados presentados, se destaca la comprensión de los peregrinos/carreiros sobre sus propias condiciones de viaje, así como el ejercicio de la fe: desembarco, alimentación, apoyo voluntario y económico y la importancia de las carretas de bueyes para los viajes colectivos. Finalmente, los contenidos expuestos enumeran algunas posibilidades para futuros estudios, como la profundización del papel femenino en los viajes y la relevancia de comprender el valor de la memoria de los viajeros, para demostrar que el tema “viajes religiosos” merece otros y nuevos enfoques de investigación.
Palabras clave: Colectividad, Divino Padre Eterno, Romeiros, Aterrizajes, Lugares.
INTRODUÇÃO
Trindade, no estado de Goiás (Figura 1), surgiu com as romarias e faz parte da região metropolitana de Goiânia nos dias atuais, cujo embrião do destino religioso foi o “aglomerado de Barro Preto; local onde foi encontrado o medalhão que daria início à romaria, ou seja, a um movimento pendular caracterizado pela religiosidade e busca pelo sagrado por parte do homem sertanejo de Goiás” (D’Abadia, 2014, p. 120). Vale ressaltar que esse núcleo urbano está localizado a 18 quilômetros da capital do estado.
Diante disso, o objetivo central do trabalho[1], é compreender as viagens de carro de boi dos romeiros de Morrinhos e Vianópolis a Trindade (GO), com o intuito de participar da Festa do Divino Pai Eterno. Enoque e Almeida (2021) mencionam que essa festividade católica é compreendida como fenômeno da peregrinação e manifestação cultural de ampla dimensão, cujo período de ocorrência corresponde ao final do mês de junho e início do mês de julho de cada ano.
Nesse sentido, a temática da viagem de carro de boi em especial o estudo da peregrinação, abarca perspectivas relevantes de descobertas e novas compreensões, especialmente acerca dos caminhos percorridos, da alimentação coletiva, da fé que em movimento, dos lugares e das redes de apoio. Torna-se relevante se ater ao fato de que “entendidas como romarias coletivas, essas manifestações religiosas, além de terem como principal elemento as visitações aos lugares considerados santos, também englobam aspectos socioculturais” (Enoque; Almeida, 2021, p. 479).
Peregrinações “se constituem em elementos singulares, sendo um mecanismo impulsionador do turismo religioso local, refletindo a relação existente entre turismo e religião” (Enoque; Almeida, 2021, p. 480). Enquanto isso, Chaveiro, Azevedo e Gonçalves (2018, p. 175) complementam que, “nos diferentes quadrantes do mundo, a fé tem feito com que milhões de pessoas se desloquem espacialmente na busca por locais onde importantes eventos religiosos aconteceram”.
Com vistas a desenvolver este manuscrito, foram levantadas as seguintes questões que justificam o estudo sobre as viagens de carro de boi pelo interior goiano e a devoção religiosa: quais relações se apresentam com os lugares de apoio à viagem? Como ocorre o planejamento para manter a tradição da viagem de carro de boi? Qual a dinâmica dos romeiros com a chegada à festa em Trindade (GO)?
Nesse sentido, o recorte espacial do artigo contempla os municípios de Trindade (GO), localizado nas regiões geográficas intermediária e imediata de Goiânia; Vianópolis (GO), na intermediária de Goiânia e imediata de Anápolis e Morrinhos (GO); na intermediária de Itumbiara (GO); e na imediata de Caldas Novas-Morrinhos (GO) (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2023).
O texto se encontra estruturado em cinco seções, além da presente introdução. Na segunda, elucida-se a fundamentação teórica, a partir de conceitos sobre viagem, peregrinação e turismo religioso; na terceira, há os aspectos metodológicos adotados no estudo para a obtenção das entrevistas e reflexão teórica; na quarta, são apresentados e analisados os resultados; e a quinta se refere às considerações finais da pesquisa.
VIAGEM, PEREGRINAÇÃO E TURISMO RELIGIOSO: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA PRELIMINAR
Ao buscar um entendimento acerca das viagens de carros de boi pelo cerrado goiano, do destino principal do Santuário de Trindade e da Festa do Divino Pai Eterno, diversas reflexões se apresentam como possibilidade de compreensão e construção teórica, cujos conceitos são necessários para aportar na temática proposta. Assim, ao refletir sobre a viagem religiosa, pressuposto teórico que fundamenta o argumento apresentado, não são descartadas as contradições a partir dos interesses dos leitores.
Diante desse quadro, Oliveira (2021) esclarece que a viagem é o ato de ir de um lugar até outro e, com origem no latim de viaticu, indica a provisão para o caminho. Como substantivo comum, sugere todos os verbos de trânsito – ir, deslocar-se, passar, percorrer, caminhar – em apenas uma palavra; e, no contexto do artigo, significa tanto o deslocamento do romeiro em si como o trajeto andado, o que a coloca, em grande medida, no domínio do espaço.
Quase todos os sinônimos da palavra “viagem” – excursão, percurso, itinerário, expedição, jornada – aludem, no entanto, à ideia de descoberta, “que acrescenta ao ato de ir um sentido inesgotável no propósito de chegar a um qualquer ponto. Há, desde sempre, qualquer coisa de aventuroso em todas as viagens” (Oliveira, 2021, p. 106). Nesse conceito inicial, salienta-se que, para os romeiros do Divino Pai Eterno, a viagem é imposta por uma questão de fé e religiosidade.
Esse caminho percorrido com carros de bois é (Figura 2), para Trigo (2013), a viagem como experiência que envolve atitudes e saberes, devido à experiência como a possibilidade de o indivíduo vivenciar um experimento profundo e transformador. Na vivência desse caminho está o pouso em lugares além do cotidiano, a alimentação do carreiro, a caminhada coletiva por longas horas em estradas rurais, entre outras experiências a serem narradas pelos entrevistados deste trabalho.

De acordo com Almeida (2014, p. 378), “a viagem nos traz a ideia do ritual transformador, que permite aos indivíduos que se lancem de forma ainda mais forte à magia da inquietude [...]”; por conseguinte, sintetiza-se que “a viagem compreende uma ida e, em geral, uma volta” (Trigo, 2013, p. 31). Nesse entremeio, último autor sublinha que tal aspecto vai além da geografia, por constituir um caminho histórico, onírico, simbólico, imaginário e espiritual.
Cumpre destacar que o viajante é um sujeito que parte do próprio local de residência para descobrir “outras facetas do mundo, das pessoas e de si mesmo” (Trigo, 2013, p. 23). Adicionalmente, os romeiros que caminham por estradas com os carros de boi são viajantes em um deslocamento a partir de seus ambientes habituais por diferentes motivações, cuja maioria se volta à busca de curas para doenças físicas e espirituais. Nesse percurso, o:
[...] trajeto e os elementos presentes nesse caminho corroboram para que o devoto se sinta como parte da romaria, refletindo diretamente na própria experiência de fé. Tal experiência é manifestada na ideia de que, ao ser romeiro, o indivíduo traduz comportamentos que exprimem a devoção, a caridade, o cumprimento à lei divina, sendo fiel aos princípios e valores pregados pela divindade religiosa. Nesse aspecto, ao se identificar com as vivências decorrentes do trajeto, o indivíduo passa a estabelecer uma profunda relação com o sagrado, sendo esta compreendida, principalmente, a partir de elementos que correspondem à religiosidade (Enoque; Almeida, 2021, p. 482).
Enquanto peregrinação, a viagem “se apresenta, fundamentalmente, como sendo um ritual marcado pelo sacrifício e pelo sofrimento daquele que empreende esta caminhada” (Enoque; Almeida, 2021, p. 492). Segundo Coriolano (1999), o romeiro vai ao destino sagrado movido por fé e devoção ao santo, para pagar promessas e fazer sacrifícios.
Nesse contexto, Seabra (2007) define o romeiro como o viajante que caminha a pé, com seus crucifixos, terços, novenas e ex-votos que, para alcançar as dádivas divinas, sobrepõe o martírio ao ócio e profano. Portanto, as romarias, ou seja, as viagens de carro de boi, são caminhadas coletivas realizadas por sujeitos plurais. Santos (2021, p. 27) argumenta que as festas e comemorações religiosas nas:
Olarias, assim como em diversos outros lugares do interior do Brasil onde a Igreja não se estabelece completamente, era comum algumas famílias oleiras se organizarem de maneira coletiva e, assim, se deslocarem até cidades consideradas sagradas, como Trindade/GO e Romaria/MG. Isso marca a fé no Divino Pai Eterno e em Nossa Senhora da Abadia, além de demonstrar que esses sujeitos tinham alguma ligação com a religião católica.
Entende-se, pois, que a relação entre a viagem, os romeiros e a fé faz parte das comunidades do cerrado; por conseguinte, o ponto de partida das viagens são os locais de residência, com destino ao Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade (GO). D’Abadia (2014, p. 16) clarifica que a festa religiosa é ressignificada “pelo movimento imbricado do profano e do sagrado. Nessa dinâmica, o período da festa de padroeiro atinge outros momentos da vida, ali convivem práticas religiosas, de lazer e de trabalho”.
Em Trindade (GO), destino das romarias de carros de bois (Figura 3), ocorrem vários shows, intensificam-se as atividades em boates e bares, o comércio se dinamiza e o espetáculo do desfile de carros de bois é realizado com estruturas semelhantes às do Carnaval, com a sequência em:
[...] espaços de concentração, desfile e dispersão. Assim como o espaço carnavalesco tem um sambódromo para realizar seus desfiles, estrutura semelhante é armada em Trindade com a criação do carreiródromo. Nesse espaço ordenado, há mais de 10 anos ocorrem os desfiles dos carros de bois. [...] Há ainda a missa dos carreiros como elemento incorporado a festa. Para alguns carreiros, a presença em Trindade só é válida em função dessa missa (D’Abadia, 2014, p. 16).

Sob esse viés, a festa de Trindade (GO) se transforma no cotidiano, pois o romeiro que viaja de carros de bois e outros meios de transporte é “ser de transformação. O efêmero se conjuga com o constante/estável e juntos ou dissociados promovem um movimento único e complexo” (Marques; Santos, 2014, p. 212). Manifesta-se o movimento dos fluxos em torno de uma essência igualmente turística, o que torna o lugar um importante destino do turismo religioso de Goiás e do interior brasileiro.
Em se tratando do caráter econômico, o destino turístico é compreendido como paisagem de confinamento de elementos e investimentos, cujo objetivo central é atender às atividades voltadas ao turismo (Santos; Silva, 2015). Para compreender os destinos turísticos como lugares, eles precisam ser visualizados a partir dos negócios turísticos que representam alternativas socioeconômicas.
Meios de hospedagens, estabelecimentos gastronômicos, lojas de artigos religiosos e outros segmentos econômicos se inserem nessa conjuntura. Assim, as peregrinações constituem elementos singulares e mecanismos impulsionadores do turismo religioso:
[...] refletindo a relação existente entre turismo e religião [...]. A institucionalização do turismo religioso está diretamente relacionada à prática das peregrinações, pois, conforme as romarias foram sendo realizadas ao longo do tempo, consequentemente, os deslocamentos religiosos provocaram uma mudança gradativa nas paisagens, sendo estas modificadas para atender às novas necessidades dos romeiros (Enoque; Almeida, 2021, p. 480).
Ao analisar o destino turístico religioso goiano, explica-se que as peregrinações ou romarias realizadas nessa região do cerrado refletem um movimento decorrente não apenas do fortalecimento da fé no Divino Pai Eterno, mas da necessidade de consumo conectada às viagens de fiéis e devotos. Entre os atrativos de turismo religioso de Trindade (GO), elencam-se os “conteúdos de ruralidade do lugar, como os carros de boi e animais do meio rural, além da musicalidade de raízes religiosa e sertaneja do cerrado goiano” (Santos; Santos, 2016, p. 38).
Nos destinos turísticos religiosos, os romeiros, carreiros ou turistas, “[...] à semelhança de qualquer consumidor, adquirem os produtos turísticos e todos os outros bens e serviços que têm à sua disposição de forma a maximizar a satisfação ou utilidade que recebem do consumo” (Silva; Matias; Pintassilgo, 2014, p. 45).
No âmbito teórico apresentado nesta seção, pode-se pautar que, em Trindade (GO), o turismo religioso é um setor econômico estratégico aos residentes envolvidos com a atividade, pois concretiza fluxos de pessoas e bens. Caso seja planejado de modo adequado, por meio de parcerias com a comunidade local organizada, os poderes públicos em diferentes escalas e o Santuário do Divino Pai Eterno, poderá produzir ações positivas de melhorias na qualidade de vida dos seus moradores, visitantes e investidores, algo imprescindível para a base local.
METODOLOGIA
Parte-se da investigação qualitativa, “capaz de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais” (Minayo, 1996, p. 10). Em um primeiro momento, buscou-se a pesquisa bibliográfica baseada em Chaveiro, Azevedo e Gonçalves (2018), D’Abadia (2014), Enoque e Almeida (2021), investigadores relevantes da festa de Trindade (GO) que, em suas obras, promovem diálogos e conexões temporais e especiais com o principal destino religioso goiano. Essas “referências dão suporte teórico, uma vez que mensura aspectos relevantes que permeiam a temática abordada” (Santos; Rodrigues, 2020, p. 45).
Esse fluxo de leitura levou ainda aos trabalhos de Coriolano (1999), Garófalo e Pinho (2018), Marques e Santos (2014), Santos e Santos (2016), Seabra (2007), Silva, Matias e Pintassilgo (2014), para discutir temas de cunho religioso, como lugares, viagens e turismo. Eles representam grandes contributos para este trabalho que, “de natureza essencialmente qualitativa, utilizou entrevistas semiestruturadas como instrumentos para coleta dos dados” (Enoque; Almeida, 2021, p. 484).
As entrevistas foram orientadas por um roteiro com perguntas previamente estabelecidas e aplicadas no segundo semestre de 2022. Por sua vez, a pesquisa compreendeu dois carreiros participantes, um entrevistado da comitiva de Morrinhos (GO) e uma entrevistada do grupo de Vianópolis (GO) – aqui, justifica-se que ambos os carreiros foram sugeridos em cada grupo, por se sentirem entusiasmados e dispostos a abordar a viagem realizada. Aliás, escrever sobre tais indivíduos levou a “realizar explorações que cruzam inevitavelmente diferentes planos de realidade” (Ataídes; Cunha; Santos, 2019, p. 33).
De fato, a compreensão das narrativas dos dois entrevistados “não significa necessariamente desvendar a verdade de forma clara e transparente” (Seabra, 2009, p. 15). Filtros sobre as viagens dos carreiros de Morrinhos (GO) e Vianópolis (GO) permitem compreender apenas retalhos do real; entretanto, os resultados apresentados relatam detalhes importantes de uma geografia viajante, ao mesmo tempo em que demonstram uma preocupação com o recorte investigativo e a necessidade de novos aprofundamentos investigativos. Dessa maneira, descrevem-se e se analisam as inúmeras viagens de carros de bois em direção à Festa do Divino Pai Eterno.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Resultados deste trabalho abarcam duas entrevistas com as lideranças dos carreiros de Morrinhos (GO) e Vianópolis (GO). Nesse contexto, parte-se das percepções dos romeiros/carreiros a respeito da própria condição de viagem, bem como o exercício de fé que antecede a festa de chegada ao Santuário do Divino Pai Eterno (Figura 4). Para Romancini (2008, p. 70), as igrejas se destacam como importantes atrativos turísticos, tanto pela beleza e imponência, “quanto pelas festas realizadas, as quais são visitadas por milhares de pessoas”. Dessa forma, o Santuário de Trindade, além de seu legado cultural, contribui para o desenvolvimento de atividades econômicas relacionadas ao turismo no seu entorno.

A comitiva de Morrinhos (GO) partiu da Fazenda Barreiro, em 19 de junho de 2022, cujo trajeto até o destino percorreu Piracanjuba (GO), Hidrolândia (GO), Aragoiânia (GO) e Abadia de Goiás (GO), com entrada em Trindade (GO) no dia 27 do mesmo mês. Segundo um dos entrevistados o grupo, teve como pouso:
[...] oito fazendas. Andamos cerca de 20 km a 30 km por dia, e a distância total percorrida foi de 200 km. Todos os dias saíamos cerca de 6h30 às 7h da manhã e chegávamos nas fazendas, que íamos descansar, se alimentar e dormir, por volta das 15h às 17h. Saímos de Morrinhos com nove carros de boi, com oito bois em cada carro. Nós, os romeiros que saímos de Morrinhos, foram 35, sendo eu, Florêncio Cruvinel de Oliveira, o de maior idade (81 anos); e o Marcelo (44 anos), o mais novo. A primeira vez que eu participei da romaria foi em 1992, a convite de seu amigo Laerte. Gastamos cerca de Cr$ 200, e uma vaca valia cerca de Cr$ 30 a Cr$ 40. Na nossa comitiva de 2022, tínhamos cerca de 80 bois. Durante a viagem, os bois se alimentam apenas de pasto (Entrevistado Florêncio Cruvinel de Oliveira, 2022).
Em 2022, Florêncio completou 29 viagens em que acompanha os carros de bois até Trindade (GO) – se não fosse a pandemia de coronavirus disease 2019 (doença do novo coronavírus 19 – COVID-19), seriam 31 romarias. Ainda sobre os pousos nas fazendas (pastos) fossem pagos[2], em apenas duas noites, as outras foram recebidas com menos custos. Naqueles locais, os membros da comitiva dormem em barracas ou tendas colocadas em local cimentado – a maioria dos locais tem energia e, caso não haja, eles “puxam” a energia do ponto mais próximo.
Vale ressaltar que, em Trindade (GO), a comitiva morrinhense ficou três dias em uma fazenda às proximidades da cidade. Sobre a alimentação da comitiva, basearam-se em:
[...] arroz, feijão e carne (todos os dias). Tínhamos a carne suína de lata, churrasco, mandioca, cará e almôndegas (de lata). Com esses ingredientes, fazíamos o arroz com carne, o arroz carreteiro, o arroz com carne e linguiça. Levamos também biscoito de queijo, biscoito de polvilho, rosca e bolo de mandioca (mané pelado). Durante a romaria, fazíamos o café, o leite e o achocolatado. Tínhamos também suco de fruta (caixinha), óleo e banha (Entrevistado Florêncio Cruvinel de Oliveira, 2022).
Nessa conjuntura, as refeições correspondem ao momento em que “o coletivo festeja; se sociabiliza pelo encontro e reforça os seus vínculos” (Marques; Santos, 2014, p. 185), com a disponibilização de alimentos e pratos tradicionais na região do cerrado e que compõem a viagem de carros de bois. Ainda sobre o preparo das refeições e do apoio financeiro e humano, foi elucidado que:
Para preparar as refeições, levamos utensílios como fogão e botijão de gás. Ganharam cerca de R$ 3.000 para comprar ingredientes para fazer as refeições, e cozinheiras foram três. Tivemos também um carro de apoio (camionete), pois as cozinheiras e alguns ajudantes vão à frente para preparar as refeições. Gastamos os cerca de R$ 3.000 com a compra dos ingredientes, gás e outros utensílios, e ainda ganhamos 50 kg de arroz, 40 kg de carne, polvilho e ovos. Alguns lanches foram preparados antes da viagem pela Maria, minha esposa, e a esposa do Dito, que também é carreiro (Entrevistado Florêncio Cruvinel de Oliveira, 2022).
Em 2022, apenas Florêncio conseguiu arrecadar cerca de R$ 2.000 e, no tocante às refeições, algumas vezes não foi preciso fazer o jantar porque os donos das fazendas o ofereceram juntamente com o café da manhã no dia seguinte. Ele ainda ressaltou que cada carro de boi teve de dois a três carreiros que se revezaram para guiar os bois – inclusive, em 2022, nenhum boi machucou e, tampouco, “tombou”.
Para D’Abadia (2014, p. 123), essa festa se insere na “condição de território-símbolo quando os espaços e temporalidades são territorializados pelos romeiros e visitantes outros”. Nesse contexto, os espaços abarcam elementos como os desfiles dos carros de bois no carreiródromo e a missa dos carreiros:
Tem comitivas às vezes que não participam do desfile porque os bois estão cansados e bravos. E, após o desfile, os bois voltam (embarcados) em um caminhão para Morrinhos (GO). Nesse ano, saímos de Trindade (GO) cerca de 13h30 e chegamos em Morrinhos (GO) cerca de 18h. Sobre a missa que acontece no domingo, não são todos os carreiros que ficam para participar (Entrevistado Florêncio Cruvinel de Oliveira, 2022).
Sobre a fé, a comitiva morrinhense de 2022 se mostrou devota do Divino Pai Eterno. Ao chegar ao pouso, soltam os bois e se reúnem em uma roda para fazerem a oração do Pai-Nosso. Nesse contexto, é importante retomar o texto de D’Abadia (2014, p. 120), para quem a presença “do carro de boi, nos dias contemporâneos da festa em Trindade, é mais uma representação, uma evocação presente no imaginário coletivo, restaurado para dar mais caracterização à festa”.
A romaria de Vianópolis (GO) representa também algumas semelhanças com a viagem dos carreiros de Morrinhos (GO); no entanto, para este artigo, a fala da entrevistada possui grandes contributos.
A comitiva de Vianópolis (GO) se iniciou no povoado de Brasilinha, Fazenda Calvo. O trajeto até o destino perpassou São Miguel do Passa Quatro (GO), Bela Vista (GO), Hidrolândia (GO), Aragoiânia (GO) e Abadia de Goiás (GO). Nessa última cidade, o grupo de carreiros percorreu o espaço urbano, mas, nos outros municípios, a viagem foi feita por estradas secundárias. Nesse contexto, foi exposto que:
Nessa viagem de devoção ao Divino Pai Eterno, percorremos 160 km, média de 21 km durante oito dias. Saíamos sempre por volta de 5h30 da manhã e chegavam nos pousos entre 14h e 15h. A nossa comitiva teve quatro carros de boi, sendo três carros com oito animais e um com carro de seis animais, cujo total de 30 animais se alimentavam de pasto durante o percurso. Os carreiros que saíram de Vianópolis (GO) foram: Benedito dos Santos Oliveira, carinhosamente chamado de Edio Mariano, 73 anos, Maria Marlene J. Oliveira, 60 anos, Sérgio Antônio de Oliveira, 38 anos, Lorena Ribeiro Lima, 27anos, Maria Sílvia L. Oliveira, 6 anos, Pedro Júnior Oliveira, 37 anos, Isabella Machado Xavier, 23 anos, Giovanna Oliveira, 3 anos, Edson Divino de Oliveira, 40 anos, Isabela do Carmo S. Oliveira,16 anos, Deybson Douglas, 28 anos, José João de Souza, 66 anos, Richard Nalbert Povoa, 19 anos, Marcela Soares, 18 anos, Antônio Almiro Umbelino de Souza, 60 anos, e eu, Thays Amélia Umbelino de Souza, que tenho 29 anos (Entrevistada Thays Amélia Umbelino de Souza, 2022).
Como visto, a criança de três anos, filha do Pedro Júnior Oliveira, nasceu no período da romaria em 2019 – naquela ocasião, o pai estava em um pouso, quando precisou retornar para acompanhar a esposa que entrou em trabalho de parto. Esse grupo de carreiros de Vianópolis (GO) se organiza há 28 anos para a viagem a Trindade (GO), cujo deslocamento de fé não ocorreu apenas no período da pandemia de Covid-19.
Durante a entrevista em 2022, salientou-se que as crianças de três e seis anos fizeram a viagem no carro de apoio, o qual é responsável por levar os alimentos preparados durante o trajeto. Naquela ocasião, o transporte foi feito em uma caminhonete que possuía carretinha com freezer e fogão.
Ao chegar aos pousos, as mulheres ligam o freezer para manter a temperatura dos alimentos e preparam a comida transportada na estrada, onde armavam uma mesa e realizavam o almoço. Pode-se afirmar que o protagonismo feminino é fundamental nessa viagem, como pode ser verificado neste excerto:
Pela manhã, o café era arroz com ovos e pão, mané com roupa (enrolado na folha de bananeira). Para os lanches, no caminho tinha uma “matulinha” providenciada pelo senhor Edio, sempre tinha uma pipoquinha, biscoito/peta de polvilho, doce de leite, café, água, rapadura, banana e queijadinha. O almoço tinha como base arroz, feijão, carne, verdura (couve, quiabo, chuchu, abobora) e salada. Normalmente, sobrava carne para o jantar, pois faziam em maior quantidade, e sempre tinha carne assada à noite e churrasco (Entrevistada Thays Amélia Umbelino de Souza, 2022).
De acordo com Cunha, Santos e Santos (2024), a culinária é uma atração da viagem, visto que o preparo das refeições e as escolhas dos alimentos e temperos que farão parte do caminho levam a entender que a alimentação é um ritual direcionado a encontros nos pontos de paradas e pousos. Estes últimos ocorrem sob a lógica da motivação coletiva, o que corresponde a um direito para a existência da viagem.
A culinária marca o tempo de parada para os pousos, não somente pela necessidade de alimentar dos sujeitos viajantes, mas também porque é um momento de convívio sem o movimento. Nesse cenário organizado e com lideranças se encontram os pousos previamente agendados:
Os pousos são em propriedades rurais que recebem os romeiros. Costumam ser os mesmos, há alteração quando as fazendas são vendidas, mas tem novos proprietários que deram continuidade à tradição de pouso. O senhor Edio é o mais velho e o que organiza desde o início os pousos, mas, à noite, apesar de os proprietários oferecerem a casa para dormir, eles levam barracas e usam o próprio carro de boi, apoiado dos dois lados para não balançar, e repousam. As interações sociais nos pousos ocorrem ao prepararem um jantar para acolher os carreiros. Alguns fazendeiros convidam os vizinhos e fazem juntos a novena iniciada no primeiro dia e que finaliza em Trindade (GO) (Entrevistada Thays Amélia Umbelino de Souza, 2022).
A narrativa corrobora os pressupostos de Marques e Santos (2014), ao mostrar que o coletivo festeja e se sociabiliza pelo encontro – nessa conjuntura, inclusive, os fluxos, fixos, tradição e trabalho são elementos que simultaneamente compõem a viagem e modificam o espaço de pouso. A entrevistada Thays, médica veterinária, depôs sobre a relação de sua família com os carros de bois e as memórias concernentes a essa tradição:
Neste ano, estou participando pela primeira vez. Guardo com emoção essa tradição familiar; meu avô construiu a família com carro de boi. As empreitas de roças de milho tinham a produção escoada através do carro de boi, e pagava as empreitas com o jacar (mão de milho). Nas férias, o passeio era buscar milho num carro de boi, e meu pai, desde novo, nutre a paixão pelo carro de boi. A minha família não conseguiu realizar o sonho de juntar o meu avô, o meu pai e eu (a neta) para irmos a Trindade (GO), pois o meu avô faleceu em 2017. Em 2022, é a minha primeira vez como carreira, conduzindo o carro de boi do meu pai, exercendo a função de “guieira”, controlando os dois primeiros bois da guia e os demais (Entrevistada Thays Amélia Umbelino de Souza, 2022).
O discurso da entrevistada indica que o “povo que não defende e estimula a sua própria cultura é um povo a morrer antes do tempo” (Navarro, 1980, p. 15). Nesse entremeio, Garófalo e Pinho (2018, p. 27) arrazoam que a defesa da viagem de fé, em carros de bois, “assim como outras manifestações exteriores de fé, rompe com o cotidiano da vida social, movimentando a coletividade”. Em Goiás, será possível assumir a verdadeira cultura viajante dos carros de bois apenas quando houver a divulgação e a defesa dessa história coletiva, como acontece neste trabalho.
Quando se encerra a romaria, os carreiros começam a planejar o próximo ano, principalmente por causa dos bois, pois se avalia se irão fazer a viagem no ano seguinte ou se será necessário organizar uma nova boiada. Quanto ao transporte e à alimentação, os planejamentos são realizados de cinco a seis meses antes da romaria.
Os romeiros vianopolinos, ao chegarem a Trindade (GO), se direcionam primeiramente ao santuário para agradecer pela viagem e por outras questões que passaram no ano. No destino religioso, ficam hospedados na mesma casa, alugada desde o início da romaria do grupo; os animais permanecem em uma área rural a 5 km da cidade, com pastagem e água; e o carro de boi fica guardado no galpão até o dia do desfile no carreiródromo. Interpreta-se que, nos:
[...] espaços públicos e privados, os sujeitos devotos estarão presentes, pois, durante os momentos de celebração, eles ocupam as vias de mobilidade que levam os fiéis ao destino principal que é a igreja. [...] É comum o uso do carro de boi durante o festejo, tornando-se um atrativo para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer esse meio de transporte e fazendo com que os antigos sujeitos do lugar revivam as tradições de ruralidade. (Santos; Santos, 2016, p. 38).
Os romeiros de Vianópolis (GO) participam da festa deste o primeiro dia da novena até o último, assim como do desfile dos carreiros e da missa dos carreiros. Durante o período de estadia em Trindade (GO), o terço é rezado para agradecer as bençãos recebidas, as casas, os pousos e para pedir por familiares que estão com problemas de saúde. Nesse momento de fé, realiza-se a leitura do evangelho do dia, com vistas a reflexões sobre as mensagens estudadas. Durante as entrevistas, foi comum ouvir histórias sobre a influência da família na manutenção da tradição, algo que ainda permanece nos dias atuais devido à força coletiva.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em um processo de compreensão que não se esgota neste trabalho, constatou-se que as viagens dos carreiros de Morrinhos (GO) e Vianópolis (GO) até o Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), são consequências das relações de indivíduos viajantes plurais com as bases de apoio a partir das cidades de origem e ao longo do trajeto percorrido. Ademais, nota-se que a permanência desse deslocamento se condiciona à existência dos sujeitos sociais que pretendem manter a tradição.
Diante do estudo ora realizado, compreendeu-se que o verdadeiro motivo da viagem que une os devotos se situa em uma fronteira complexa entre a fé e o desejo de chegar a uma cidade considerada por eles como sagrada. Esse propósito foi notado nas conversas com alguns romeiros, ao salientarem a relevância de chegar à igreja e estar diante da imagem do Divino Pai Eterno como um fator representativo. Evidentemente, tais deslocamentos a partir de diferentes cidades fazem parte do panorama cultural goiano.
Ao longo do texto, os questionamentos foram respondidos. Portanto, ao observar as relações da viagem com os lugares de apoio, admite-se que o movimento coletivo se sustenta no voluntariado, no apoio financeiro e de doações, no planejamento dos mais experientes e no tempo sem trabalho. As entrevistas realizadas denotam a relevância de vivenciar essa viagem para os carreiros e as celebrações a partir da chegada a Trindade (GO).
Nesse ínterim, os resultados obtidos por meio das entrevistas na presente investigação elucidam que o planejamento e a doação do tempo são fundamentais para a manutenção da viagem de carros de bois, o que simboliza uma manifestação da arte de carrear os bois-guias por mãos hábeis e sonoridade que fazem os animais seguirem o percurso. A aprendizagem e a maturidade dos sujeitos envolvidos são apuradas, principalmente, no ambiente familiar.
A dinâmica de romeiros que caminham em direção a Trindade (GO) se relaciona com os lugares e é uma característica das suas gentes, do ambiente familiar e das relações de amizade, conforme a própria maneira de compreender a fé no Divino Pai Eterno, além dos usos e costumes vistos nos preparos da alimentação, na vivência da missa sertaneja, nos pousos e no desfile do carreiródromo. Durante a festividade, os carros de bois se tornam parte do urbano do destino religioso goiano como um atrativo para diversos visitantes.
Destarte, os conteúdos expostos neste texto demonstram algumas possibilidades de investigações futuras, com maior aprofundamento do papel feminino nas viagens de carros de boi durante a festa de Trindade. É importante também compreender o valor da memória dos viajantes, mesmo com informações contraditórias; e pesquisar a existência de uma promoção organizada dos órgãos de turismo do estado de Goiás e de seus municípios para primar pelo protagonismo dos carros de bois, com centralidade em uma atividade turística cultural alicerçada na gestão de base comunitária. Portanto, a temática “viagem religiosa” merece outras (e novas) abordagens investigativas.
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Notas

