Relatórios e notícias institucionais

RELATÓRIO DO MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO DE PELOTAS E REGIÃO (ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ENTRE MARÇO DE 2002 E FEVEREIRO DE 2003)

Fábio Vergara Cerqueira 31
Universidade Federal de Pelotas, Brasil
André Garcia Loureiro 32
Universidade Federal de Pelotas, Brasil

RELATÓRIO DO MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO DE PELOTAS E REGIÃO (ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ENTRE MARÇO DE 2002 E FEVEREIRO DE 2003)

Cadernos do LEPAARQ (UFPEL), vol. 1, núm. 1, 2004

Universidade Federal de Pelotas

O projeto Mapeamento Arqueológico de Pelotas e Região é desenvolvido sob a coordenação do arqueólogo Prof. Dr. Fábio Vergara Cerqueira e sob a responsabilidade técnica do LEPAARQ. Conta com a cooperação do bolsista André Garcia Loureiro (BIC/FAPERGS 03/2003 – 02/200433), bem como do restante da equipe do laboratório, formada pelo funcionário técnico-administrativo Jorge Oliveira Viana (Licenciado em História) e pelos seguintes estagiários: Aluisio Gomes Alves (UFPEL/História), Andréia Cristine Antunes Loureiro (UFPEL/História), Carla Inês Schwaickhardt (UFPEL/Geografia), Chimene Kuhn Nobre (Licenciada em História/UFPEL), Daniela Vieira Goularte (UFPEL/Arquitetura e Urbanismo), Jaqueline Silva Belletti (UFPEL/Centro Agrotecnico Visconde da Graça), Luciana da Silva Peixoto (UFPEL/História), Marilise Sanchotene de Aguiar (UFPEL/Arquitetura e Urbanismo), Otávio Marques Fontoura (UFPEL/História), Rafael Guedes Milheira (UFPEL/História), Welcsoner Silva da Cunha (UFPEL/História) e Vitório Antônio Cardoso Lima (UFPEL/História).

O reconhecimento institucional do projeto, na UFPEL, foi consagrado com o Prêmio Jovem Pesquisador (1º lugar), na área de Ciências Humanas, no XI CIC Congresso de Iniciação Científica da UFPEL (12/2002).

O projeto consiste em realizar levantamentos sistemáticos dos sítios arqueológicos de Pelotas e Região (Capão do Leão, Morro Redondo, Arroio do Padre e Turuçu), visando à criação de um banco de dados, com a tipologia, distribuição, geomorfologia, características ambientais, grau de deterioração dos sítios e coordenadas geográficas, criando mapas específicos de micro regiões. Tem por finalidade dar maior visibilidade à diversidade de ocupações por diferentes culturas da região pesquisada, dos primeiros caçadores-coletores (8.000 A.P a 4.000 A.P), passando pelos Construtores de Cerritos (5.000 A.P a 400 A.P) e os Guarani (1.200 A.P a 400 A.P) até a chegada, em um primeiro momento, de portugueses e espanhóis (400 A.P), culminando, finalmente, com a vinda de colonos europeus de origem alemã, italiana e francesa (final do séc. XIX). Com o intuito de melhor compreender as suas relações com o meio ambiente, e entre os mesmos, através de seus vestígios culturais e sociais, facilitando trabalhos posteriores, como também de contribuir na conscientização da população da região para necessidade da preservação dos sítios arqueológicos, realizamos palestras nas comunidades e escolas de ensino público e particular, com exposições itinerantes e atividades pedagógicas com adolescentes e crianças.

METODOLOGIA:

A etapa inicial de pesquisa, desenvolvida entre Março de 2002 e Fevereiro de 2003, baseia-se na busca de informações que apontem para possíveis sítios arqueológicos, com o fito de instrumentalizar a escolha das áreas a serem prospectadas. Essa fase baseia-se em três procedimentos:

  1. Revisão bibliográfica: Recorremos a obras de referência (Espanha, Inglaterra e Estados Unidos) em metodologia de mapeamento e prospecção34, bem como a bibliografia comparativa sobre as áreas circunvizinhas, a fim de verificar os padrões de ocupação e assentamento, - visto que são raros os trabalhos arqueológicos referentes à região em estudo.35

  2. Relatos orais: Principalmente na região rural, onde o contato com a comunidade é fundamental para o êxito do projeto. A escolha inicialmente recai sobre pessoas representativas das comunidades, pois, com a sua influência, conseguem chamar a atenção para a importância do projeto, facilitando o contato e as intervenções futuras nas suas regiões. Já possuímos uma grande rede de informantes nas comunidades rurais, desde professores do ensino público a padres; algumas rádios comunitárias divulgam nosso projeto, para conscientização da população sobre a preservação dos sítios arqueológicos, como também da necessidade de entrar em contato com a equipe do LEPAARQ, no caso de encontrarem em suas propriedades material arqueológico.36

  3. Toponímia: Em muitas ocasiões, vem corroborar as informações provenientes das entrevistas, já que diversas vezes, são relatados nomes de regiões muito sugestivas, como o Morro do Quinongongo, Arroio do Bugre, Ilha da Feitoria, que também conferem com os nomes encontrados nos mapas das regiões citadas.

Depois de reunidas todas estas informações, produzimos, baseados nessa etapa inicial de prospeção oportunística, mapas, nos quais, através da justaposição dos dados bibliográficos, toponímicos e da tradição oral, apontamos um panorama geral de áreas com potencial arqueológico. Esse mapa foi um instrumento importante para a verificação in situ, o que foi feito nas idas à Ilha da Feitoria e ao 5º Distrito de Pelotas, e continuará a ser feito em outras regiões já previamente definidas.

A verificação, in situ, dividiu-se em duas etapas:

  1. Prospecção assistemática: Visita geral da área, para averiguar as potencialidades arqueológicas da região, feita mediante registro fotográfico e informações descritas no diário de campo. Nessa oportunidade, é feita a entrevista com o informante local (proprietário ou familiar).

  2. Prospecção sistemática: Primeiramente definimos a área que será mapeada, usando, como referencias, limites geográficos, por serem os mais seguros para delimitar áreas, ex. arroios, rios, vales, etc. Depois de definida a área, formam-se um ou mais grupos, dependendo da região a ser prospectada e dos recursos humanos disponíveis na equipe. Por exemplo, se o levantamento seguir o curso de um arroio ou rio, formam-se dois grupos, um para cada margem, definindo o limite que a linha de prospecção deverá ter da margem até o ponto desejado (100 m, 200 m ou mais), como foi o caso da prospecção realizada pelo LEPAARQ no Arroio do Ouro, região do 5º Distrito de Pelotas, na Serra dos Tapes, onde o arroio se situa. Quando o levantamento é realizado entre dois rios, campo aberto ou na planície costeira, típica do Rio Grande do Sul (tanto em seu litoral marítimo quanto lacustre), forma-se apenas um grupo, que fará uma varredura sistemática de toda área delimitada.

Esta varredura foi feita através de uma caminhada lenta sobre a área, registrando todas as informações possíveis, para isso fotografando os afloramentos de material arqueológico, como também o ambiente em que se encontram os mesmos. Produzimos croquis, com desenhos de estruturas ou das áreas de concentração de material, e tiramos as coordenadas geográficas, através de bússola, sendo tudo registrado em diário de campo.

Em sítios urbanos, o trabalho de prospecção é facilitado, já que, recorrendo aos documentos escritos (arquivos, livros, jornais e inventário patrimonial37, etc.), na maioria dos casos, encontramos as referências exatas dos possíveis sítios históricos. Após a comprovação de sua potencialidade arqueológica, o método de registro é o mesmo aplicado na zona rural: registramos fotos, croquis, coordenadas e diário de campo, com o máximo de informações disponíveis.

Todas as informações são levadas para laboratório, onde serão analisadas, classificadas e interpretadas, para depois constituírem o banco de dados.

RESULTADOS:

Os resultados mais concretos do mapeamento, em termos de pesquisa de campo e identificação in locu de sítios arqueológicos, foram obtidos em três áreas, submetidas a uma prospecção sistemática:

  1. ➢ Região do Arroio do Ouro: Localizado no 5° distrito de Pelotas (Cascata), abrangendo as micro regiões chamadas Estrada Cordeiro de Farias, Colônia São Bento e Morro Alto da Cruz

  2. ➢ Ilha da Feitoria: Localizada na região pertencente à Colônia de pescadores Z-3, na Lagoa dos Patos.

  3. ➢ Zona Urbana de Pelotas: Até o momento, foi estudado o centro histórico, nos entorno da Pça. Cel. Pedro Osório.

MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO DA REGIÃO DO ARROIO DO OURO, 5º DISTRITO DE PELOTAS/RS, SERRA DOS TAPES:38

A região do Arroio do Ouro pertence à unidade geomorfológica da Serra do Sudeste; está em média a 200 m acima do nível do mar, sendo uma região de contrastes, com densas matas nativas e áreas limpas, para o plantio ou ocupação humana, cortada por inúmeros arroios, seus nascedouros e afluentes. Os primeiros resultados confirmam o relato oral do Sr. Gerson Ramos Sebaje (morador da região) e estudos feitos por bibliografia de comparação: atestemos afloramentos em superfície de material mais recente, pois ocupações de caçadores-coletores, que com certeza se encontram em camadas estatrigraficas mais profundas, somente se tornam visíveis com intervenções pelo método de escavação ou por corte experimental, que serão realizados apenas numa etapa mais avançada do projeto.

Constatou-se, nesta área da Serra dos Tapes, o mesmo padrão de ocupação pré-histórica analisado pelo arqueólogo José Proenza Brochado (1974 : 25-58) nas áreas circunvizinhas de Canguçu e Camaquã: encontraram-se vestígios de ocupação Guarani - característica de regiões com densa mata ou floresta nativa – (foto 1), pois foram encontrados três sítios desta cultura, dois às margens do Arroio do Ouro (o 1o na região da Colônia São Bento com 4 frags. e o 2o na base do Morro Alto da Cruz com 3 frags.), e um no topo do Morro chamado Alto da Cruz (mapa 1). Foram encontrados artefatos cerâmicos típicos dessa cultura, com decoração do tipo corrugada e sem decoração ou lisa (foto 2). Ao mesmo tempo, realizamos vários contatos com moradores da região, que nos relatavam ter encontrado material em suas propriedades, como fragmentos de cerâmica, lâminas de machado de pedra e bolas de boleadeira, como é o caso do Sr. Cláudio Tomazzi, morador da Colônia São Bento, às margens do Arroio, que, quando prepara a terra para o plantio, costuma encontrar muita cerâmica e, em menor quantidade, bolas de boleadeira de pedra; mas, como nos demais casos, já haviam repassado as mesmas para amigos e membros da família, no que estamos realizando um rastreamento a fim de encontrar as peças.

A maior concentração de artefatos arqueológicos encontra-se na propriedade do Sr. Gerson Ramos Sebaje, no topo do Morro Alto da Cruz, em uma área de 50 m², que estava sendo preparada para o plantio: o proprietário encontrou 74 fragmentos de cerâmica da cultura Guarani e uma bola de boleadeira (doados por ele ao LEPAARQ), corroborando para estas conclusões o ambiente típico de ocupação Guarani, pois essa cultura proveniente da Amazônia adapta-se melhor a regiões de floresta ou mata, como no caso da área prospectada, que, no período de assentamento desse grupo, era coberta por densa mata nativa, segundo estudos paleoambientais, já realizados na Serra do Tapes.

Encontrou-se também dois sítios históricos (mapa 1), provavelmente do período colonial, pois os fragmentos de louça e vidro (possivelmente um tinteiro), identificados em uma área preparada para o plantio (foto 3 e 4), estão a 300 m de uma casa com características arquitetônicas coloniais (foto 5), a qual se situa a 50 m de uma murada de pedra (foto 6). Afirma-se, na região, que a construção desta murada foi realizada por escravos; estamos à procura de fontes documentais que comprovem essa informação. Esses dois sítios contemplam o período de ocupação lusa na região, que, somados às evidências da imigração européia - alemã, italiana e francesa – (foto 7), evidenciam as várias etapas de ocupação da região em pesquisa, do período pré-histórico ao período histórico.

Um outro importante resultado alcançado, na intervenção realizada na área, foi o contato com a comunidade, visando a alertar sobre a necessidade de preservação dos sítios arqueológicos. Por ocasião desse contato, fomos muito bem recebidos, e pudemos explicar o significado do projeto; sensibilizados, alguns membros da comunidade (habitantes da Colônia São Bento, do Morro Alto da Cruz e dos entornos da Estrada Cordeiro de Farias) assumiram então a função de informantes, possibilitando-nos uma grande quantidade de referências sobre prováveis sítios arqueológicos, tanto nessa região como também em outras áreas.

Um último resultado palpável traduziu-se em doações de peças da região: uma importante doação de material arqueológico nos foi repassada pelo Sr. Gerson Sebaje, composta por artefatos por ele encontrados em sua propriedade, que constituirão um importante acervo referencial para os trabalhos de prospecção a serem desenvolvidos com base no mapeamento.

MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO DA ILHA DA FEITORIA E COLÔNIA Z-3:39

A Ilha da Feitoria, que pertence à unidade geomorfológica da planície costeira, está, em média, a 3 m acima do nível do mar. Caracteriza-se, ao Sul, por grandes banhados, onde existe uma rica fauna – principalmente aves –, e, ao Norte, por extensos campos abertos com alguns capões de mata nativa, propiciando a criação de gado.

Os primeiros resultados, como no caso anterior, comprovaram as informações bibliográficas, provenientes de trabalhos realizados por estudiosos da região, corroborados pelos relatos orais de moradores da ilha (o Sr. Mauro de Paula e Sra. Floriza de Paula) e a toponímia.

Primeiramente, se comprovou a ocupação histórica da ilha, que a partir de 1783 abrigou a Real Sede da Feitoria do Linho Cânhamo, construída pela Coroa Portuguesa, com o intuito de tomar posse da região, que nesse momento se encontrava em constantes conflitos com os espanhóis; visava também a incentivar no Brasil a produção do linho, necessário à fabricação de cordas, para não mais depender de importar o produto dos ingleses40. A pesquisa histórica deverá indicar o tempo de permanência da feitoria na região, até sua transferência para São Leopoldo.

No litoral da ilha, destaca-se, em um promontório, a antiga sede da atual Fazenda Sotéia (Latitude 2º17’ e Longitude 98º20’), constituída por um sobrado colonial e dois edifícios menores, todos dispostos segundo um plano geométrico bem concebido (Planta de Situação 1). O sobrado e o edifício meridional são construídos com alvenaria; já o edifício ao Nordeste do Sobrado é construído com um adobe feito a partir de material retirado de cupinzeiro, o mesmo sendo utilizado para o piso desse edifício. Os dois edifícios menores são identificados pelos autores e pela tradição oral como senzalas (cf. OLIVEIRA, 1997). No entanto, é muito improvável que o edifício meridional (foto 9) fosse uma senzala, como se conclui da sofisticação da pintura com motivos naturalistas (flores, frutas e pássaros) do recinto localizado na extremidade Oeste desse edifício (foto 10). Podemos supor, com maior probabilidade, que esse prédio abrigasse outras funções, como, por exemplo, um local de reuniões ou hospedagem de visitantes, ou mesmo uma cozinha ou sala de refeições.

Concluímos, até o momento, que o sobrado encontrado no litoral Leste da Ilha não corresponde à Real Sede da Feitoria, pois, no séc. XVIII, a construção dessas moradias costumava ser de madeira e barro, o chamado “pau-a-pique”. Conforme consultoria prestada por membros da equipe arqueológica provenientes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPEL, constatamos que a edificação localizada no núcleo da Fazenda da Sotéia remonta provavelmente ao início do século XIX, devido à utilização da alvenaria, não empregada anteriormente.

Nos arredores do sobrado e das outras construções, a quantidade de material arqueológico em superfície é muito densa, comprovando o extenso período de ocupação do local. Encontram-se muitos fragmentos de louça inglesa, portuguesa, vidros de remédio para gado (foto 11), fragmentos de garrafas de grés, etc, provavelmente mais de 2.000 vestígios da vida cotidiana aflorados.

A bibliografia e a toponímia informam apenas uma ocupação histórica da Ilha, mas os relatos orais nos chamaram atenção, anteriormente à visita da ilha, para ocupações pré-históricas, já que o Sr. Mauro de Paula e a Sra. Floriza de Paula tinham em sua guarda vários fragmentos de cerâmica pré-histórica, das culturas Vieira (construtores dos Cerritos) e Guarani - material este que nos foi doado, e está sendo analisado e acondicionado como importante acervo. (foto 15) Os informantes relatam que, em todo o litoral Leste da Ilha, encontram-se fragmentos de cerâmica aflorados.

Ao longo da costa, partindo da sede da Fazenda da Sotéia em direção ao Sul, prospectamos 2.480 m de extensão por 50 m de largura (largura da praia), até o morredouro do Arroio Tapado, limite natural. Foram identificados 102 fragmentos de cerâmica, das culturas Vieira e Guarani, com suas típicas decorações: lisas e com furo de suspensão (foto 12), características da cultura pré-histórica Vieira; e com decoração corrugada, corrugado-ungulada e incisão, características da cultura Guarani. As duas culturas são típicas das regiões de planícies lacustres do Litoral Sul (foto 13), abundantes em recursos naturais, vivendo em simbiose, já que o belicoso e conquistador Guarani encontra grande resistência dos povos dos Cerritos, grandes guerreiros e arredios a qualquer tentativa de aculturação.

Identificou-se, a 120 m a Sul do sobrado, na área em prospecção, resquícios de um piso de casa ou algo semelhante, corroborando as informações orais, que relataram a existência de ruínas de uma antiga casa, que teria incendiado, alcunhada pela equipe como “casa queimada”, uma vez que se verificaram vestígios de incêndio. Encontra-se entre dunas erodidas, com uma base de tijolos e grande concentração de material arqueológico, do período histórico, como fragmentos de louça (122 frags-lisa e 33 frags-decorada), grés (8 frags), ferro( 5 frags ) e vidro (16 frags). O sítio em questão encontra-se a 10 m da lagoa (foto 14), e em elevado grau de deterioração por motivos naturais, devido à erosão fluvial, relacionada à elevação do nível do mar.

Em sentido Norte do sobrado, prospectamos, ao longo da costa, 4.155 m de extensão por 50 m de largura, até o limite natural do Arroio da Feitoria. Nesse percurso, encontramos material arqueológico do período pré-histórico: 23 fragmentos de cerâmica das culturas Vieira e Guarani, com as mesmos tipos de decoração da outra área mapeada. Há que se observar que não foram encontrados vestígios de ocupação pré-histórica nos últimos 2.000 m deste trecho litorâneo. O material concentra-se na extensão de 2.155 m imediatamente ao Norte da sede da Fazenda da Sotéia.

Constatamos então uma grande diferença quantitativa entre a ocorrência de material na faixa litorânea meridional (102 fragmentos / 2.480 m) e setentrional (23 fragmentos de cerâmica / 4.155 m): na faixa meridional chega-se a uma média estimada de 0,0411 fragmentos por metro de extensão para a faixa meridional e 0,0055 fragmentos por metro de extensão para a faixa setentrional.41 Conclui-se que a ocorrência de material cerâmico na faixa meridional é sete vezes e meia maior que na faixa setentrional.

Com relação a essas diferenças quantitativas, é importante observar que há uma significativa diferença ambiental entre as regiões a Sul e a Norte da sede da Sotéia. Na área mais meridional, proliferam os banhados com maior abundância de recursos naturais, habitat de aves e animais terrestres que preferem as áreas alagadiças; trata-se de uma área adequada também ao cultivo, por serem terras úmidas, facilitando a horticultura dos povos dos Cerritos e a agricultura dos Guarani. O norte da Ilha encontra-se numa região mais elevada e mais seca, com raros e pequenos banhados – localizados tão-somente até cerca de 1.500 m a Norte do sobrado.

Através dessas informações, podemos interpretar, não de maneira definitiva, que a maior concentração de material ocorre no Sul da Ilha, o que deve se associar a suas melhores condições ambientais, que derivam numa maior densidade populacional, comprovada até nos dias atuais, já que a maioria da população – hoje em torno de 20 pessoas, mas já foram de 2.000 até 1970 – encontra-se no Sul da mesma.

O que podemos afirmar em relação à Ilha, é que se trata de um enorme sítio arqueológico a céu aberto, possibilitando estudos pormenorizados e sistemáticos das várias etapas de ocupação da mesma, da Pré-história ao início do século XX.

É importante acrescentar que a doação do material cerâmico efetuada pela Sra. Floriza Tomás de Paula garantiu o salvamento desse material, que corria risco de extravio. Inclui belos exemplares de cerâmica Guarani (foto 15).

MAPEAMENTO DA ZONA URBANA DE PELOTAS:

A cidade (núcleo urbano) de Pelotas pertence a unidade geomorfológica da planície costeira, possui alturas que vão de 3 a 15 m acima do nível do mar.

Através das fontes escritas conseguimos identificar quatro sítios históricos, no centro da cidade: residências construídas no século XIX, por ricos charqueadores: a primeira de 1830, conhecida popularmente de "Casa da Banha", que foi quartel general dos revolucionários farroupilhas; as demais formam um conjunto de três sobrados, construídos em anos diferentes, a Casa 2 foi construída em 1832, pelo charqueador José Vieira Viana, e remodelada pelo Barão de Butuí, para servir de morada à sua filha, em 1880, após seu casamento com um membro do clã dos Antunes Maciel; as Casas 8 e 6 foram construídas pelo charqueador Eliseu Antunes Maciel, para seus filhos, respectivamente em 1878 (fato 16) e 1879. São magníficos exemplares do ecletismo histórico da arquitetura da segunda metade do séc. XIX, sendo tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A caracterização destas casas como sítio arqueológico garantiu a inclusão da intervenção arqueológica nos projetos de restauro encaminhados ao IPHAN pela Secretaria Municipal de Cultura Pelotas, no âmbito da efetivação do Programa BID/Monumenta. A pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2002, mediante autorização oficial do IPHAN: Portaria nº 165 de 2 de Agosto de 2002, com publicação no Diário Oficial da União em 9 de Setembro de 2002.

OUTROS RESULTADOS DO PROJETO DE MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO:

O desenvolvimento do mapeamento arqueológico foi acompanhado da definição de procedimentos definitivos, no LEPAARQ, quanto à catalogação de material, nomeação de sítios, entre outros, entendendo-se que o projeto de mapeamento constitui uma ação de pesquisa integrada à fase de estruturação do laboratório.

  1. Produção de mapas resultantes do mapeamento: Confeccionados pela própria equipe do LEPAARQ, integrada também por estagiários de Geografia e Arquitetura. Tratam-se de mapas com a identificação das áreas prospectadas e dos sítios encontrados (anexo), bem como de mapas de prospecção oportunística baseado nas fontes orais, toponímia e bibliografia.

  2. Produção de Plantas Baixas e Croquis de Situação (anexo): Registro das estruturas históricas identificadas na área urbana e rural, elaboradas por estagiárias do LEPAARQ, provenientes do Curso de Arquitetura.

  3. Identificação de áreas com potencial arqueológico: Foi com base nesse mapeamento preliminar, fundamentado na prospecção oportunística, que identificamos mais de 30 regiões com provável potencial arqueológico (Turuçu, Arroio do Padre, Capão do Leão, Pelotas e Morro Redondo).

  4. Fichário de Prospecção Oportunística: Os dados levantados na fase de prospecção oportunística foram organizados sob forma de um fichário, que está disponível para os pesquisadores que desejarem consultálo. Essas fichas estruturam-se segundo o seguinte modelo (exemplo):


  1. Metodologia de Nomeação de Sítios Arqueológicos: A adoção do método de nomeação de sítios, criado pelo arqueólogo Fernando La Salvia, consiste na criação de siglas para a posterior identificação geográfica dos sítios. Os referenciais usados são hidrográficos, como lagoas, arroios, rios e lagos, considerando-se a menor distância dos sítios em relação a estes. Vejamos um exemplo:


DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES

Encontros de periodicidade média quinzenal estão sendo realizados, com o propósito de discutir textos retirados de artigos e livros, os quais fazem abordagens variadas sobre mapeamento arqueológico. A partir de Maio, iniciaremos um grupo de estudos sobre o tema, dentro do Projeto de Ensino “Grupo de Estudos em Arqueologia” (cadastrado na Pró-Reitoria de Graduação da UFPEL sob nº 102002), com participação de estudantes de vários cursos (Geografia, Arquitetura, Biologia, Artes), que integram a equipe do LEPAARQ.

Através das informações obtidas em revisão bibliográfica, fontes orais, prospecções assistemáticas e sistemáticas, pôde-se constatar que a região em estudo teve um processo de ocupação longo e intenso, sendo uma das poucas áreas do Brasil em que se constata uma enorme diversidade arqueológica associada a um grande número de regiões pouco adulteradas em suas características arqueológicas: desde os caçadores-coletores, passando pelos horticultores dos Cerritos, provavelmente até pelos povos dos Sambaquis42, chegando aos agricultores Guarani e sua complexa organização social, isto em termos de Pré-história, indo até, no período histórico, a primeira etapa de contato entre o nativo e o europeu, depois a ocupação efetiva da região, inicialmente com portugueses no século XVIII, mais tarde com a chegada dos escravos, a mola propulsora da economia regional principalmente no ciclo do charque – escravos estes, que nos legaram vestígios de quilombos e outras manifestações culturais –, finalizando com a vinda dos imigrantes europeus no século XIX, como os alemães, italianos e franceses, principalmente para a região rural. O potencial histórico e arqueológico da região está atraindo a atenção de estudiosos, de varias partes do país e do exterior, interessados em realizar trabalhos de cooperação com o LEPAARQ.

Conclusões mais definitivas somente serão convenientes após a realização de intervenções arqueológicas sistemáticas, baseadas nas informações geradas pelo mapeamento do potencial arqueológico da região.

IMAGENS

Fragmento de cerâmica da cultura Guarani, doação feita pela Sra.
Floriza de Paula ao LEPAARQ.
Foto 01
Fragmento de cerâmica da cultura Guarani, doação feita pela Sra. Floriza de Paula ao LEPAARQ.

Área prospectada localizada na região da Serra dos Tapes
Foto 02
Área prospectada localizada na região da Serra dos Tapes

Dois fragmentos de cerâmica, provavelmente da Cultura Guarani.
Foto 03
Dois fragmentos de cerâmica, provavelmente da Cultura Guarani.

Área prospectada:
campo arado onde foram encontrados fragmentos de material histórico.
Foto 04
Área prospectada: campo arado onde foram encontrados fragmentos de material histórico.

Dois fragmentos
encontrados na área acima referida: um fragmento de louça e outro de vidro
(provável tinteiro).
Foto 05
Dois fragmentos encontrados na área acima referida: um fragmento de louça e outro de vidro (provável tinteiro).

Casa em estilo
colonial situada na margem direita do Arroio do Ouro, no sentido Leste/Oeste.
Foto 06
Casa em estilo colonial situada na margem direita do Arroio do Ouro, no sentido Leste/Oeste.

Represa da Pedra, segundo fontes orais, teria sido construída por
escravos.
Foto 07
Represa da Pedra, segundo fontes orais, teria sido construída por escravos.

Casa de pedra
localizada na Vila Maciel, distrito do Rincão da Cruz, construída por
imigrantes italianos em 1888.
Foto 08
Casa de pedra localizada na Vila Maciel, distrito do Rincão da Cruz, construída por imigrantes italianos em 1888.

Sede da Estância da Sotéia, construída provavelmente no início do
século XIX.
Foto 09
Sede da Estância da Sotéia, construída provavelmente no início do século XIX.

Construção ao Sul do sobrado, sua funcionalidade está sendo
estudada.
Foto 10
Construção ao Sul do sobrado, sua funcionalidade está sendo estudada.

Pintura com motivos fito-faunísticos encontrada no interior da
construção acima.
Foto 11
Pintura com motivos fito-faunísticos encontrada no interior da construção acima.

Afloramento de
material arqueológico a Leste do sobrado, remédios para pecuária produzidos
pela empresa Leivas Leite S/A., início do século XX.
Foto 12
Afloramento de material arqueológico a Leste do sobrado, remédios para pecuária produzidos pela empresa Leivas Leite S/A., início do século XX.

Fragmento de cerâmica
com furo de suspensão característico da cultura Vieira (6000 AP a 300 AP).
Foto 13
Fragmento de cerâmica com furo de suspensão característico da cultura Vieira (6000 AP a 300 AP).

Área prospectada pertencente à planície costeira.
Foto 14
Área prospectada pertencente à planície costeira.

Afloramento de
estrutura relatado por fonte oral. Possível área de ocupação, devido a grande
quantidade de material.
Foto 15
Afloramento de estrutura relatado por fonte oral. Possível área de ocupação, devido a grande quantidade de material.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBUQUERQUE, Marcos. “Arqueologia Histórica, Arquitetura e Restauração” In Clio - Série Arqueológica, nº 08, Recife: 1992, pg 131-151

BECKER, Ítala I. Basile. Os índios Charrua e Minuano da antiga banda oriental do Uruguai. São Leopoldo: editora Unisinos, 2002. BINFORD, Lewis. Archaeology as anthropology. Nova York, American Antiquity, 1962.

BOADO, Felipe Criado. “Del Terreno al Espacio: planteamientos e perspectivas para la Arqueologia del Paisage.”, in: CAPA, Criterios e convenciones en Arqueologia del Paisage, nº 6, Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela, 1999, 1-77.

BROCHADO, José Proenza. Pesquisas arqueológicas no escudo cristalino do Rio Grande do Sul (Serra do Sudeste). Publicações Avulsas Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, Pronapa, nº 26, 1974, p. 25-58.

CAZZETTA, Miriam. “Arqueologia e Planejamento Urbano”. Anais do 1º Congresso Latino-Americano sobre a Cultura Arquitetônica e Urbanística. Porto Alegre. pp. 190-196, 1991.

COPÉ, Sílvia M. “A ocupação pré-colonial do Sul e Sudeste do Rio Grande do Sul.”, in: KERN, Arno Alvarez (org.). A Arqueologia Pré-histórica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992, p. 191-220.

GASPAR, Madu. Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editora, 2000.

GUTIERREZ, Ester J. B. Negros, charqueadas e olarias: um estudo sobre o espaço pelotense. Pelotas: UFPEL, 1993.

__________ . Barro e sangue. Mão de obra, arquitetura e urbanismo em Pelotas (1777- 1888). Porto Alegre: PUCRS, 1999 (tese de doutorado).

HOLZ, Michael. Do Mar ao Deserto: a evolução do Rio Grande do Sul no tempo geológico. Porto Alegre: UFRGS, 1999.

JACOBUS, André Luiz. “As Pesquisas em Arqueologia Histórica na Bacia do Prata”., Revista do CEPA, Santa Cruz do Sul, v. 22, pp. 33-62, 1998.

KERN, Arno Alvarez. “Origens da ocupação pré-histórica do Rio Grande do Sul na transição pleistoceno-holoceno.”, in: KERN, Arno Alvarez (org.). A Arqueologia Pré-histórica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992, p. 89-102.

LAMIMG-EMPERAIRE, Annette. Guia para estudo das indústrias líticas da América do Sul. Manuais de Arqueologia. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 1967.

MAZZ, José López e PIZZORNO, Gabriel. Arqueología de las Tierras Bajas de la Cuenca de la Laguna Merín. Montevidéu: Uruciências, p. 1-14, 2002.

MEGGERS, Betty J. & EVANS, Clifford. Como interpretar a linguagem cerâmica: manual para arqueólogos. Washington: Smithsonian Institution, 1970.

NAUE, Guilherme. “Dados sobre o estudo de cerritos na área meridional da Lagoa dos Patos. Rio Grande / RS”, in: Veritas, Porto Alegre: PUCRS, 1973, p. 71-73.

OLIVEIRA, Júlio Cesar. O linho e a Real Feitoria do Rincão do Cangussú. Monografia de conclusão de Curso de História da UFPEL. Acervo do Nùcleo de Documentação Histórica da UFPEL. Pelotas, 1997 (mimeo).

PLOG, Stephen et alli. Decision Making in Modern Surveys, in: World Archeology, Nova York, 1978, p. 385 – 421.

PROUS, André. Arqueologia brasileira. Brasília: UNB, 1992.

REDMAN, Charles. Pesquisa de Campo em Múltiplos Estágios. in: American Antiquity, Nova York: 1978, N 1, p. 25-50.

RENFREW, Colin & BAHN, Paul. Arqueologia.Teoria, Método e Práctica. Madri: Editora Akal, 1993.

RIBEIRO, Pedro A. Mentz. Manual de Introdução à Arqueologia. Porto Alegre: Sulina, 1977.

________ . “Arqueologia da região de Rio Grande.”, in: ALVES, Francisco das Neves. (org.) Por uma história multidisciplinar do Rio Grande. Rio Grande: FURG, 1999, p. 199-229.

ROSA, Mário. Geografia de Pelotas. Pelotas: UFPEL, 1985.

SANTOS, Carlos Alberto. Espelhos, máscaras e vitrines. Estudo iconológico de fachadas arquitetônicas. Pelotas, 1870-1930. Coleção História e Etnia, nº 4, Pelotas: Editora da Universidade Católica de Pelotas, 2002.

SANTOS, Maria do Carmo M. Monteiro. Levantamento Arqueológico na Avaliação de Impacto Ambiental, in: Revista do Cepa, Santa Cruz do Sul, n. 33, p. 7 – 36, 2001.

SCHIFFER, Michael B. et alli. The Design of Archeological Surveys, in: World Archeology, Nova York, 1980, p. 2 – 26.

SCHMITZ, Pedro Ignácio & BECKER, Ítala Irene Basile. “Aterros em áreas alagadiças no Sudeste do Rio Grande do Sul e Nordeste do Uruguai.”, in: Anais do Museu de Antropologia. Florianópolis, 1970, 3, p. 91-122.

_________ et. alli. “Prospecções arqueológicas no Vale do Camaquã / RS.”, in: Estudos de Pré-história Geral e Brasileira. São Paulo: Instituto de Pré-História da USP, 1969, p. 507-524.

__________. Sítios de pesca lacustre em Rio Grande / RS / Brasil. Porto Alegre: PUCRS, 1976 (Tese de Livre Docência).

SOARES, Leonor Almeida de Souza & VAROTO, Renato Luiz Mello. Lendo Pelotas. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 1997.

SYMANSKI, Luis Claudio P. Espaço Privado e Vida Material em Porto Alegre no Século XIX. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1998. Coleção Arqueologia; 5.

THIESEN, Beatriz Valadão. Arqueologia de contrato: Metodologias de prospecção para áreas urbanas, in: Revista do CEPA, Santa Cruz do Sul, n. 33, p. 73 – 79, 2001.

Notas

33 FAPERGS Proc. nº 01513138.
36 Como exemplo, as rádios comunitárias Rádio Com (urbana) ou a transmissora da paróquia Sant’Anna da Vila Maciel, coordenada pelo Padre Capone; ou na emissora comercial Rádio Pelotense. O projeto foi divulgado igualmente na TV UFPEL e ST TV (canal a cabo).
37 A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPEL realiza há anos pesquisas para o inventário arquitetônico e histórico das edificações pelotenses, tendo contado, para muitas destas pesquisas, com o financiamento da FAPERGS (em projetos coordenados, por exemplo, pelos professores Esther Gutierres, Maurício Polidori, Ana Lúcia Costa e Nirce Medvedoviski). Esta faculdade, recentemente, concluiu importante etapa do Inventário Patrimonial de Pelotas, coordenado pelo Prof. Maurício Polidori e desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas: criou uma metodologia e banco de dados gerais que facilitará o geoprocessamento dos dados mapeados em área urbana. Futuramente, planejamos, conforme contatos estabelecidos com o Laboratório de Geoprocessamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, integrar os dados do Mapeamento Arqueológico (rurais e urbanos) ao Sistema de Inventário Patrimonial.
38 Expedição arqueológica realizada entre 07 e 09 de Janeiro de 2003.
39 Expedições arqueológicas realizadas entre 24 e 26 de Janeiro de 2003.
40 VASCONCELOS. D. Luiz de. “Relatório apresentado ao Governo de Lisboa em Outubro de 1784 sobre o Rio Grande do Sul.”, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Ano IX, I e III trimestres, 1929.
41 Considere-se que a média foi realizada tomando-se somente a extensão da faixa litorânea, a qual corresponde a uma largura variada conforme as característicos locais dos vários trechos litorâneos percorridos, variando de aproximadamente 5 a 50 m.
42 Como se pode concluir pelos zoólitos encontrados nos areais próximos ao canal São Gonçalo (LEPAARQ cat. Nº 9).

Autor notes

31 Coordenador do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia – LEPAARQ/UFPEL. Professor Adjunto do Departamento de História e Antropologia – Instituto de Ciências Humanas – Universidade Federal de Pelotas / RS.
32 Licenciado em História. Pesquisador associado ao Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia. Universidade Federal de Pelotas. Mestrando em Arqueologia no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.
HMTL gerado a partir de XML JATS4R