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Urbanismo crianceiro: uma experiência cartográfica que reivindica a dimensão estética das cidades
Childish urbanism: a cartographic experience that claims the aesthetic dimension of cities
Percursos, vol. 22, núm. 48, pp. 484-503, 2021
Universidade do Estado de Santa Catarina

CONTÍNUA

Percursos
Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil
ISSN-e: 1984-7246
Periodicidade: Cuatrimestral
vol. 22, núm. 48, 2021

Recepção: 04 Julho 2020

Aprovação: 06 Abril 2021

Resumo: Neste ensaio serão relatados experimentos metodológicos e suas contribuições para a apreensão de aspectos estéticos da paisagem urbana, o que oferece aproximação com uma perspectiva paisagística crianceira. O urbanismo, visto a partir das suas contradições e à altura dos olhos das crianças, permite experimentar articulações gestuais e manejos teóricos que se defrontam com as convicções hegemônicas presentes nas discussões das cidades. Tendo a cartografia sensível como aporte metodológico, os experimentos foram praticados com grupos de crianças durante caminhadas pelo espaço público, por meio de três diferentes dispositivos. A fim de trazer tratamento contemporâneo para as observações destes percursos, a perspectiva crianceira da paisagem subsidia proposições emergentes para refletir novas articulações com a vida urbana.

Palavras-chave: Infâncias urbanas, Cartografia sensível, Urbanismo contemporâneo.

Abstract: In this study, we will report methodological experiments and their contributions to the apprehension of aesthetic aspects of the urban landscape, which offers approximation to a creational landscape perspective. Urbanism, seen from its contradictions and at the level of children's eyes, allows us to experiment with gestural articulations and theoretical maneuvers that confront the hegemonic convictions found in discussions regarding cities. Having sensitive cartography as methodological support, we carried out experiments with groups of children during walks through the public space, using three different devices. The landscape's creative perspective subsidizes emerging propositions to reflect new articulations with urban life to bring contemporary treatment to these pathways observations.

Keywords: Urban childhoods, Sensitive cartography, Contemporary urbanism.

Introdução

Tratar a compreensão do desenvolvimento das cidades e da urbanização contemporânea diretamente a partir da disputa de classes (MARICATO, 2000) é necessário, mas não suficiente para o entendimento dos territórios em sua totalidade. Isso porque a discussão alimentada, sobretudo por um plano interdisciplinar e não apenas interseccional, contribui para o campo da arquitetura e do urbanismo com ferramentas capazes de superar estratégias para o enfrentamento do modelo positivista das cidades. Diante disso, a reflexão travada apresenta a perspectiva da infância considerando suas relações com o cotidiano. Por meio de experimento estético fundado nos procedimentos metodológicos da cartografia sensível, a escrita instiga essa superação tecnocentrada na discussão teórico-metodológica.

Considerando a condição da criança como in-fanti (AGAMBEN, 2005), aquele que não tem voz, é possível adentrar a disputa da paisagem urbana a partir de outra ordem discursiva que devém crianceira1. Ou seja, perceber a potência da impossibilidade de dizer trazendo a ênfase para os gestos produzidos pelos corpos da infância como ferramenta narrativa. Supõe-se, então, que a criança e sua habilidade inventiva oferecem pistas para uma paisagem da multiplicidade como categoria imprescindível para uma experiência sensível das cidades. O conceito desenvolvido por Henri Lefebvre acerca do direito à cidade anuncia a constituição coletiva (LEFEBVRE, 2001) do processo de urbanização e auxilia a trazer a atenção necessária para a esfera do vivido, conduzindo os percursos crianceiros para uma produção do cotidiano, articulação sensível e criação direta na constituição do comum.

Com isso, os referenciais teóricos eclodem no uso de dispositivos de experimentação urbana como procedimento cartográfico, a fim de trazer para a discussão práticas gestuais, corporais e inventivas. Tais manifestações possibilitaram certo avanço com relação à experiência urbana da criança, encontrando argumentos para a configuração de uma urbanidade crianceira como aquela que devém múltipla.

Metodologia

Para descrever trajetos guiados pelos acontecimentos e suas multiplicidades, Eduardo Passos e Virgínia Kastrup empreendem o livro Pistas do método da cartografia2, que apresenta a etimologia da palavra como assertiva na reversão dos modos cartográficos de funcionamento, quando metá-hódos, coloca um caminho (hódos) que está assentado nas metas (metá) da pesquisa. De acordo com os autores, nessa proposição: “a cartografia propõe uma reversão metodológica: transformar o méta-hódos em hódos-méta” (PASSOS; KASTRUP; ESCÓSSIA, 2009, p. 11). Um olhar atento para a reversão assume a precisão dos movimentos da vida e não preestabelece a aplicação do método sobre eles. Essa atenção também é trazida nos autores da dita esquizoanálise, na qual Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992) exploram inflexões no campo teórico da filosofia, da arte e da ciência como um manejo metodológico que atua principalmente na criação de outras narrativas.

O método cartográfico caracteriza-se por privilegiar a singularidade e se colocar à disposição das passagens, a perceber o que devém dos acontecimentos no território como movimento decisivo na investigação. Neste sentido, metodologicamente não são percorridos trajetos arbitrários para demonstração e provação dos acontecimentos, forçosamente aprovando uma dada hipótese. Por certo, a decisão pela cartografia nas reflexões sobre a infância e a cidade, constitui-se como perambulação pelos movimentos, acontecimentos que não estão preestabelecidos, mas que possuem como pontos norteadores a qualidade crianceira. Para uma reflexão contemporânea das cidades, parece pertinente insistir continuamente na movimentação da vida urbana operada e imantada pela decisão de acompanhar os acontecimentos crianceiros.

Uma vez que a cartografia investe e disponibiliza uma coleção de equipamentos, práticas e dispositivos, eles serão apresentados como forças capazes de criar na dimensão do possível. Ou seja, os encontros cartográficos não são objetos de análise, mas a própria operação da crítica reivindicando o olhar sensível para as cidades contemporâneas. Dessa maneira, o procedimento que auxilia a compreensão de “como tornar o urbanismo crianceiro?” é também criador das condições necessárias para a reconquista do terreno urbano a partir da experiência da infância. Já que a reivindicação da paisagem da multiplicidade passa pela configuração desse corpo coletivo e crianceiro, transversal às questões representativas da infância e da sua apropriação narrativa, foi imprescindível abarcar dois manejos inerentes à conduta metodológica da cartografia sensível: a) quando a composição do mapa não objetiva representar a infância, pois aposta em seu poder resistente como recorte minoritário; b) quando esta condição menor não busca expressar-se à mesma grandeza da hegemonia opressora.

Os acontecimentos cartográficos implicam a sensibilização da experiência urbana com as crianças, desempenhando certo manejo para o desmanche dos valores e práticas dominantes que incidem sobre as corporalidades infantis. No acompanhamento dessas corporalidades, os procedimentos metodológicos instigam perguntas: o que pode o corpo inenarrável? Quais capacidades narrativas estão implicadas nos percursos crianceiros? Como os acontecimentos crianceiros enfrentam a vida urbana?

Encontros crianceiros

Uma das premissas para a constituição crianceira é reconduzir as elaborações teóricas acolhendo as perguntas que elas [as crianças] fazem como elemento central de reflexão. Essa ultrapassagem das linhas de força do seu discurso através do gesto é a expressão da criança sobre si, enxergando sua relação direta com o mundo. Com isso, em detrimento do detalhamento dos passos dados pelas crianças, a dedicação é apresentar um percurso teórico que parte desse acompanhamento e é capaz de comunicar a criançação em seus movimentos pela urbe aprofundando sua potência metodológica. Para isso, houve desmedido valor na corporificação da não narrativa, alinhando o mapa ao desordenamento do uso e sua composição estética, mais precisamente localizada entre o dizível e o não dizível. Os intervalos entre as falas e os discursos gestuais exprimidos nos encontros metodológicos foram considerados como material principal, com atenção aos ruídos e aos silêncios narradores.

O desinteresse pela revalidação das normatizações da infância descrita enquanto recorte etário, traz ênfase para o plano real composto pelos percursos dos grupos de crianças como matriz e, logo, princípio de uma articulação reflexiva. A criança impõe perguntas às cidades e à vida urbana e apostar no acolhimento destas perguntas como discussão eixo da pesquisa é uma das pistas oferecidas pela infância à ciência reguladora das cidades: como experimentar o inacabado? Como permanecer continuamente na dúvida? Desta maneira, a observação dos deslocamentos dos grupos de crianças é feita não só a partir de sua caracterização qualitativa, mas dos efeitos operados tanto na própria investigação, quanto quando são aqui referidas.

Os encontros ocorreram com 43 turmas de crianças, todas vinculadas a escolas, em que o critério de aproximação com a instituição foi o recorte de localização tendo como ponto de partida a Galeria A Sala3, situada na esquina das ruas Alberto Rosa e Conde de Porto Alegre, no bairro Porto, da cidade de Pelotas. As caminhadas quase em sua integralidade foram marcadas pela manifestação da ansiedade por parte das crianças pelo momento de saída da escola e caminhada até a galeria. Essa característica exterioriza o invólucro em que os estudantes são administrados no espaço escolar, onde pode ser constatada uma regência dos corpos através do silenciamento das suas vozes e apaziguamento das suas expressões.

Seja pela expectativa do encontro com a arte ou pela gritaria com que a possibilidade de estar na rua é comumente recebida, as crianças que participaram dos encontros demonstraram gostar da rua e do encontro com a aesthesis presente na vida urbana. Essa demonstração possibilitou analisar a expectativa do encontro e a atuação com o acaso. Durante o caminho de ida até o espaço expositivo, a atenção dos grupos não foi conduzida por informações técnicas para a criação de uma obra ou pela história da arte, mas a experiência de caminhar pelo espaço público ela mesma como matéria de estudo. Os caminhos se deram, de modo geral, como uma espécie de ensaio do que pode acontecer em atravessamentos possíveis com a arte em sua potência sensível, propondo a esse público, ainda distante dos espaços de arte, maior acesso à sua própria experiência e discussões semânticas.

A constituição de um repertório de afetos que varia suas intensidades, devolve ao corpo sua capacidade sensível, enfatizando sua potência criadora e oferecendo uma postura que confronta a expectativa de uso do espaço, trazendo à tona o que pode o corpo. A caracterização do gesto de que essa reflexão se vale é sua dimensão impulsionada pelo tempo-espaço e como modalidade concreta da vida em uma esfera crianceira. Trata-se, de certa forma, de uma arqueologia de afetaçõe. que emergem da potência do intermezzo (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 37) corpóreo. Portanto, uma aposta na dimensão sensível do entre, expressa a operação da diferença através do gesto, apresentando-o como agenciamento dos territórios e planos percorridos por meio de uma cartografia do indizível.

Enquanto a caracterização da paisagem pelas vozes das crianças apresenta o reconhecimento da sua inserção como parte da sobrevivência na vida cotidiana, a estética experimenta e transborda o corpo urbano demonstrando manejos diversos para o seu uso. Portanto, mais do que demonstrar a potência dos encontros crianceiros como ocorrência, ilustração ou representação cartográfica, o que o experimento metodológico nos oferece é uma vasculha pelas contradições e potencialidades dos territórios urbanos.

Instrumentos cartográficos

A fim de compor uma dada topologia do gesto apostando na criançação urbana, com grifo em tais contradições e potências territoriais, foram propostos dispositivos de apreensão dos movimentos das crianças durante os encontros. O instrumento cartográfico é denominado aqui como dispositivo, a fim de alinhar-se às noções que produzem conteúdos com elementos próprios da heterogeneidade, díspares, constituindo relações flexíveis, permitindo-nos isolar as problematizações que insurgem do plano percorrido. Os dispositivos, por marcarem “critérios estéticos, entendidos como critérios de vida” (DELEUZE, 1996) possibilitam a alteração das concepções norteadoras, que continuamente desviam da narrativa predominante. As alterações empreendidas pela gestualidade crianceira não denotam apenas uma nova condição paisagística, mas abrangem complexas determinantes para a criação e, sobretudo, arrisca a variação contínua do quadro paisagístico.

Vamos aos dispositivos e os respectivos experimentos: o primeiro deles atendia às questões formais do espaço percorrido e foi concebido inicialmente pensando em análise socioeconômica dos territórios transitados. O dispositivo depende de uma caixa fechada, cujo interior está forrado com folha de papel e uma esfera de vidro embebida em líquido feito à base de óleo de linhaça e tinta acrílica. Podendo ser compreendido diretamente de acordo com as condições de mobilidade percorridas pela criança, a esfera transfere sua agitação para o papel. De acordo com o acúmulo de lixo ou o desnível das calçadas, o deslocamento sujeita-se a uma série de desvios, lapsos e alterações do seu curso. Dessa maneira, o gesto impresso na folha quando confrontado com o trecho em que foi produzido, apresenta questões latentes no tecido urbano.

Outro intento cartográfico deu-se através da lente objetiva de uma câmera GoPro Hero3+. Um paralelogramo com dimensões 5,84 x 3,93 x 2cm pesando 74 gramas foi ajustado ao corpo da criança. Assim como o dispositivo anterior, não existiu apresentação prévia do uso do objeto e não foram estabelecidas regras de uso, apenas a sugestão para sua condução durante o percurso. Neste momento, o dispositivo buscou a captação ergonômica do gesto crianceiro. Possibilitando apresentar uma cartografia que apreende a estatura menorizada e torna quase desinteressante a unidade de medida, mas demonstra o que de fato significa ser menor na cidade.

O desempenho da câmera como dispositivo aqui não quer retratar a abertura da lente, o equilíbrio de cores ou a estabilidade da imagem, mas significantes do espaço público que dificilmente são trazidos como parte da engenharia topográfica e, contraditoriamente, aparecem como argumento para a sua existência. Na aquisição do dispositivo pelo corpo, é determinante a apreensão de uma função. A criança indaga, altera os funcionamentos usuais do próprio corpo e ostenta o disfuncionamento do gesto no corpo-a-corpo com a cidade. Os deslocamentos feitos diante deste dispositivo geraram poucas imagens passíveis de exposição, mas extremamente potentes em sua observação posterior: lente esmagada no canto da calçada, capturas com muito movimento e pouca nitidez, campo de enquadramento limitado e apenas o esboço da totalidade da rua.

Ainda que a expectativa de sucesso de capturas da paisagem urbana fosse grande, a proximidade entre as crianças (não se permite que elas andem muito distantes umas das outras) não possibilitou enquadramentos abrangentes. Couberam aqui, manchas de corporalidades espremidas junto às marquises num dia de quase chuva, ou a lente capturando apenas a veste de um colega que caminhava muito próximo - precaução para não se perder. Uma criança perdida é um caos urbano. Gera um colapso no zelo adultocentrado e na segurança pública. Existe aqui uma lógica invertida. Enquanto o uso do espaço público pelos adultos é cada vez mais individualizado, a diminuta parcela do característico espaço privativo é usada coletivamente pelas crianças.

No terceiro dispositivo (Imagem 2) como proposição cartográfica, a ênfase do deslocamento foi colocada no reconhecimento do espaço percorrido, a partir da apropriação do seu uso. Por apropriação foi compreendida, junto com as crianças, o manejo da história do lugar. Portando bloco de notas, cada criança percorreu o caminho até a Galeria, apontando orientações e negociando o percurso com o resto do grupo. A proposição pedia relatos dos trajetos. O exercício da rua tinha apenas a tarefa de não apontar as denominações que constam no mapa oficial. A partir deste enunciado, o registro do logradouro se deu através dos afetos disparados transitoriamente. Ou ainda, revisitando Lefebvre (2001), a rua era narrada a partir do seu valor de uso e não pelo valor de troca. Foram trazidos registros das extensões percorridas sem usar os coronéis do discurso historicista hegemônico, onde a Rua General Osório deu lugar à Rua de Todo dia. A atividade colocou em jogo as imagens dominantes e o afeto, capaz de trazer à tona muitas perguntas para a cidade.


Imagem 1.
Dispositivo II
Fonte: Acervo da autora; 2017.


Imagem 2.
Dispositivo III
Fonte: Acervo da autora, 2017.

Os instrumentos cartográficos possibilitaram remontar o espaço a partir dos afetos produzidos nos corpos anestesiados. Apostar na insurgência desses movimentos foi fundamental para expurgação do urbanismo crianceiro da cidade. A dimensão utópica do encontro com a paisagem e a invenção como processo urbanizador auxiliam a repensarmos não apenas como compreendemos a vida urbana, mas como nos encaixamos nela.

Tais operações metodológicas se deram na articulação do gesto, na tentativa de assumir o imperativo não verbal sobre os deslocamentos, captando os mecanismos de dominação a partir do seu antagônico - os impulsos que a infância nos oferece. Retomando a definição de sua função metodológica, o dispositivo foi compreendido como um tipo de formação que, em um determinado momento histórico, teve como operação principal responder a uma urgência. O que reafirma seu uso aqui nesta cartografia, na medida em que as contradições do espaço público são enfrentadas e obrigam a assumir novas perspectivas das relações entre materialidade e corporeidade. De alguma maneira, propôs-se a retirada desse corpo de um território de enunciações e proibições, retirando a infância de um terreno do cogito e da consciência, de forma que estabeleça “suas raízes no terreno da vida, mas de uma vida que enquanto essencialmente errância, vai além do vivido e da intencionalidade da fenomenologia” (AGAMBEN, 2005, p. 332).

Apontamentos cartográficos

A intenção de dispor um objeto a uma criança, como pedem os Dispositivos I e II, desorganizou a hierarquia existente entre as crianças e as figuras de tutoria, porque disponibilizou para a infância a bússola da experiência do espaço percorrido. Os territórios mencionados durante o percurso se originaram da inquietação do pensamento acerca do recorte temático que abrange as crianças, a cidade e a contemporaneidade. Através de projeções, desenhos e delírios, como sugestão da operação cartográfica, surge a possibilidade de debruçar-se sobre a dimensão estética da paisagem.

Parece que a dissolução das formas de representação a que se submete o pensamento dualista, exige um esforço em ressaltar o movimento da criação das pesquisas cartográficas. Comumente são compartilhados os diários de bordo dos pesquisadores. Essa partilha é a da velocidade gestual da pesquisa; nunca o diário será uma ilustração do pensamento, mas uma alusão aos seus acenos filosóficos e, neste sentido, este ensaio foi produzido, a fim de contribuir com o repertórios reflexivos sobre os modos e maneiras de apreender a cidade. Os atributos cartográficos dispensam qualquer descrição, muito embora haja certo esforço em narrar para contagiar os devires processuais das experiências.

A implicância dessa narrativa se faz como “alguma coisa que violenta o pensamento, que o tira de seu natural estupor, de suas possibilidades apenas abstratas” (DELEUZE, 1998, p. 56). As descrições são quase vagas, a quantidade de imagens que compõem a escrita passa distante do anseio de um leitor crianceiro, que tenta brincar com as imagens. Dessa maneira, o intento imagético realizou-se por meio de uma escrita que gestualiza e é gestada, congestionada pelo pensamento que a decompõe.

Esta experiência de leitura, que é interferida por lampejos, requer e toma para si o corpo que se compartilha a fim de contagiar, ou ainda, criançar as discussões urbanas. Parece fundamental para a contemporaneidade, o exercício de justapor às narrativas, os gestos de uma produção de pensamento que permite devaneios crianceiros. Por esse ponto de vista, podem ser sugeridos acontecimentos crianceiros que emergem do rastreio dos seus gestos infantis e desempenham narrativas em escala “mais secreta, mais subterrânea: o feiticeiro e os devires, que se exprimem nos contos e não mais nos mitos ou nos ritos?” (DELEUZE; GUATTARI, 1997, p. 14) para trazer ao ato de investigar a cidade a birra e, por assim dizer, a insistência alquímica em experimentar seus devires.

Se a involução é um movimento de progresso entre heterogêneos (DELEUZE; GUATTARI, 1997), o devir é involutivo e a involução criadora, ou seja, o jogo dos devires faz parte da recriação da criança, ou ainda, da recreação dos desejos. Este seria um movimento do pensamento e de modo de vida. Em seu quarto aforismo, Posições Situacionistas a respeito do trânsito, Guy Debord fala que a proposta hegemônica de criação em arquitetura e urbanismo, em função de uma existência maciça e parasitária, é um simples deslocamento dos problemas de forma que não se lida diretamente com a realidade. De acordo com este autor: “É preciso refazer a arquitetura em função de todo o movimento a sociedade, criticando todos os valores efêmeros, ligados a formas de relações sociais condenadas” (DEBORD, apud JACQUES, 2003, p. 62).

Quando na aposta crianceira como ruptura propositiva se desconstrói a pureza da criança como viés da profanação, são permitidas análises propositalmente imprecisas mas não menos vinculadas ao real. Livre dos nomes sagrados, a amoralidade da criança consagra o que há de genuíno no corpo e no desejo, movimenta-se no que devém. A disposição dos corpos nesse movimento imanente retoma a operação da diferença a partir da carne da cidade. Incorpora a produção de diferença no alargamento de uma nova produção teórica.

As intenções gestuais desestabilizam corporalidades padronizadas, mas entende-se que, justamente pela proposição da análise por meio de ações educativas para grupos em deslocamento, mesmo que haja o imperativo tempo de retorno à escola, as condições são diferenciantes em uma cidade experimentada cotidianamente, com as noções de mercado afirmando itinerários constantemente. Afinar a potência crianceira para além dos limites da experiência da criança na cidade é geratriz operacional como indício de mudança comportamental e possível transvaloração do espaço público, e suscitando questões que indicam dessemelhanças. Por isso, quando tratamos metodologicamente o éthos méta, as hipóteses se apoiam na intuição, não na dedução. Se há uma chance de comprovar algo ou presumir aproximação aos objetivos iniciais da pesquisa, ela está baseada na vacância, na resposta vaga, na pergunta vagabunda.

Para consolidar a caracterização do instante, as repetições retificam as relações estabelecidas em tempo linear através da memória e do apego às relações com o passado, dificultando que a tentativa de acesso à vontade de potência constitua crianceira. É, no ciclo de criançação, que o tempo se desfaz em acontecimento. Assim, a busca pela vivência do invisível tempo urbano contemporâneo, imprevisível, foi fracassada como rompante histórica. Retomam-se as questões dos desejos, abordadas por Deleuze (1997), nas quais a experiência destrutiva arrebenta dimensões subjetivas regendo intervalos. Por exemplo, o deslocamento como troca e o encontro como necessidade colocam a experiência urbana como pressuposto de um modo de vida que tem intrínseco a ele o direito à cidade como direito ao território que ocupa, que transita, que configura e é parte.

O reconhecimento do movimento não verbal, que devém contemporâneo em sua performance questionadora, consolida a participação de múltiplas ordens discursivas para a discussão das cidades. Isso não quer dizer abandonar o que está dado para devir outra coisa (imitação, identificação), mas assumir o que devém para outros modos de sentir que envolvem e colocam o corpo nos percursos urbanos.

O conceito de territorialização foi escavado à fundo pelo filósofo Gilles Deleuze em parceria com o psicanalista Félix Guattari. Na obra Mil Platôs (primeira publicação em 1980), eles o associam a dois momentos/movimentos que se sobrepõem, desterritorialização e reterritorialização (DELEUZE; GUATTARI, 1998). Sem desconsiderar a enorme complexidade do conceito desenvolvida nesta obra, dedicada à crítica do pensamento moderno, e propondo a organização deste como uma teoria da multiplicidade, tomamos ao pé da letra as recomendações dos próprios autores e nos apossamos de partes desses conceitos como ferramentas para refletir a cerca dessa problematização.

O território não é primeiro em relação à marca qualitativa, é a marca que faz o território. As funções num território não são primeiras, elas supõem antes uma expressividade que faz território. É bem nesse sentido que o território e as funções que nele se exercem são produtos da territorialização. A territorialização é o ato do ritmo tornado expressivo, ou dos componentes de meios tornados qualitativos. A marcação de um território é dimensional, mas não é uma medida, é um ritmo. (DELEUZE; GUATTARI, 1997, p. 106)

Urbanismo crianceiro

A cidade, protagonista do intermezzo (DELEUZE; GUATTARI, 1995) e propositalmente assentada no inacabado, devém urbanismo crianceiro. Como sugestão analítica, o espaço transvalorado de si dá lugar ao efêmero oferecendo o avizinhamento com os devires, que alarga a regência do tempo e suspende a materialidade disciplinadora do espaço construído. Quando buscamos compreender o que é o contemporâneo, visitando ensaio elaborado por Agamben (2009), percebemos a necessidade de examinar os conteúdos crianceiros “tanto [pelo] seu grau quanto o seu êxito serão medidos pela sua - pela nossa - capacidade de estar à altura dessa exigência” (AGAMBEN, 2009, p. 57). O acompanhamento dos grupos junto às operações da cartografia expressa a inevitável e necessária abertura da disputa dos discursos das cidades a partir de outras referências, a fim de acirrar seus limites. O encontro com as multiplicidades da infância invoca percursos pelo intra-urbano (VILLAÇA, 1998), possibilitando arranjos intensos sobre as formas urbanas além de outorgar caminhos sobre a linha que circunscreve as reivindicações modernas abstratas de igualdade e cidadania.

Para um urbanismo que se faça crianceiro, a reflexão insiste constantemente no argumento do estado crianceiro, não tratasse aqui de uma qualidade, mas de uma possibilidade. O estado crianceiro quando não prescinde um recorte etário, não se confronta com diferenças estaturais, mas possibilita debruçar a análise sobre uma experiência urbana que toma posição em relação ao presente, potencialmente aleatórias e não ligadas ao tempo consensual. A presença dos grupos crianceiros na urbe possui potência para destituir os informes da gestão do espaço dos grupos hegemônicos não por instrumentos legislativos, mas pela dimensão possível da sua inserção no cotidiano.

Esta é, talvez, a dificuldade que encontramos quando procedemos análises que intentam respostas a partir da gestão pública, já que o fato das experiências contrahegemônicas, marginalizadas e minoritárias por sua condição produzirem dinâmicas caóticas, a captura desses corpos a fim de configurar uma nova estrutura urbana não condiz com a potência disjuntiva de tais dinâmicas. Ocorre que a experiência crianceira oferece integração da superfície urbana e dos corpos que por ela se deslocam, através de ocupações transitórias, usos clandestinos e exercícios criativos da vida urbana pela habilidade que devém contemporânea e contempla imagináveis manejos da constituição pública. Seja pelo jogo, pelas regras efêmeras, pelo brincar, pela disposição ao lúdico, a criança percorre as cidades independentemente de um roteiro elaborado por metas, pois o faz por afinidades.

Brincar com o pensamento é indispensável para discutir a construção de uma perspectiva urbanística diversificada, uma vez que é difícil romper o ciclo dos modos e manejos estruturais fundados como complemento da lógica do trabalho. Por isso, transgredir a materialidade para dar pulso às apropriações e gerar outras reações, outros contextos como ponto de partida. As formas de apropriação do espaço público não serão projetadas enquanto esses lugares de criação forem contaminados com os mesmos processos de subjetivação de uma sociedade pós-industrial (PELBART, 2000). É disso que o planejamento urbano se alimenta, em uma atualização da máquina desejante (DELEUZE; GUATTARI, 1972), não dos desejos, não é capaz de jogar com os devires.

Com isso, para essa movimentação entre a materialidade, os sistemas de encontro foram postos para além de uma estrutura, mas não apenas. Muito embora a operação seja como imposição dominante ao sistema hegemônico e produza diluições e apropriações, o seu modo excludente significa a permanência de articulações colaterais com produção e reprodução social. Instalam-se articulações crianceiras, ressignificadas socialmente a partir da borda, da referência do que sobra e está incluído criticamente na perspectiva convencional; não se sabe que lugar se deseja formar, qual tempo. Por isso, tomar o espaço da cidade torna tais desajustes, gera um movimento de dupla articulação, já que esse grande espaço possibilita o acúmulo de temporalidades (SANTOS, 1996), de divergentes contemporâneos.

Considerando a diluição dos limites dialógicos entre público e privado e o conflituoso debate sobre a reconstrução das cidades, parece necessário atribuir maior ênfase à discussão dos usos da cidade no que poderia ser alinhado com a apologia da caminhança urbana, a fim de retomar as discussões urbanas na contemporaneidade a partir da experiência das crianças. Em proposta apresentada pelo urbanista Francesco Careri (2002) foi sustentado o argumento de uma prática estética, em que o espaço concebido é singularizado por elementos propriamente nômades, em que o movimento de caminhar pode encorajar uma perícia pelos territórios urbanos, que não são expostos nos instrumentos de gestão e produção do espaço. É urgente a discussão da retomada dos lugares de encontro e de troca onde a vida urbana seja capaz ela própria de apresentar sua dimensão estética possível, permitindo a validação dos usos diversos e não a instrução da diversidade passível de seu uso.

Portanto, enfatizar o coeficiente de imprevisibilidade e indeterminação que a experiência crianceira apresenta, é disponibilizar esse conteúdo como sondagem das funções do espaço público a fim de acometer suas estruturas num desvario gestual, ou ainda como uma experiência neoconcreta, em deliriums ambulatoriums (FAVARETTO, 2002). Embora a experiência com as crianças seja reconduzida à linearidade como análise, a abordagem apresentada da trajetória é potente pela invasão do corpo como mapa e do mapa como território do pensamento, em contato direto com a vida pública, o acaso, a arruaça, a birra, a invenção.

A necessidade que a cidade tem de conter o corpo da criança, percebida durante as observações, reitera os discursos que pretendem assegurar a invenção ou a revolução, como temem os preceitos modernistas. A corporalidade ritmada deslocou a esfera riscando a folha, dando assim nosso primeiro dado cartográfico contraespacial: quanto mais reprimido o corpo, mais liso o risco. A interrogação dos porquês do gesto formou a heterogênese dessa proposta operacional e, inevitavelmente, a diferenciação assumiu o procedimento cartográfico. As intenções processuais se entrelaçaram nos devires urbanos não como síntese, nem foram prioritariamente posicionadas às formas, mas fizeram um plano imantado do sensível, da experiência ética-estética primeira.

Quando Agamben (2008) abre as temporalidades da infância e as chances de destruir uma experiência hegemônica por meio do inefável, enxerga-se o papel do alcance crianceiro em libertar os pressupostos, inclusive os de si mesmo: “[...] O que une aos homens entre si não é nem uma natureza nem uma voz divina nem a comum prisão na linguagem significante, mas a visão da linguagem mesma e, portanto, a experiência de seus limites, de seu fim” (AGAMBEN, 2008, p. 37, grifo do autor), cuidando de escavar e continuar cavando da superfície mais funda, limítrofe.

Através do inefável, importa o desafio de considerar o duplo do agenciamento gestual da criança como única forma de ruptura do próprio corpo da experiência da assegurada porque são sempre as crianças as primeiras a aprender (AGAMBEN, 1999) e a violência da consciência da ruptura gestualizada, ou mesmo a própria docilização está na herança do estrato. O agenciamento gestual que aparece como pista para uma urbanidade crianceira, reivindica a escala da vida urbana e da experiência singular, a infância não mais como contribuição a partir de uma perspectiva ingênua, mas potencialmente criadora.

Acompanhando a discussão de abertura desta reflexão, o escopo elaborado por Henri Lefebvre requer uma inversão tal qual a operação cartográfica, na qual a experiência crianceira é território e o espaço abstrato (geométrico, medido, quantificado, produtivista) dá lugar para a realização dos desejos, quando os gestos são capazes de produzir um novo urbanismo. A efemeridade do espaço entre instituído nos deslocamentos dos grupos, dá certa fluidez para a posse desse perímetro designado pela presença dos agentes do encontro; enquanto os espaços condicionados exigem atenção à reprodução desse espaço para a sua manutenção, desvinculando da presença qualquer alteração ou fluidez.

Essa diluição da força do corpo no espaço é, para Agamben (2006, 2008), a vontade de poder, na cíclica busca pela potência. O que significa que estamos “[...] destinados e abandonados a ela [potência], no sentido de que todo o seu poder de agir é constitutivamente um poder de não agir e todo o seu conhecer, um poder de não conhecer” (AGAMBEN, 2006, p. 20). O complexo jogo de potências que se configura no plano da presença no espaço atua no coletivo emergindo da esfera discursiva, mas na ambivalência da potência já discutida aqui a partir de Spinoza. O acesso às dimensões políticas e poéticas se faz sumariamente por meio da linguagem, um alerta gestual quer buscar autonomia na virtualidade do dizer e do não dizer, no sentido de reafirmar a ambivalência das forças potentes quando “o homem é o animal que pode a própria impotência. A grandeza de sua potência se mede pelo abismo de sua impotência” (AGAMBEN, 2008, p. 294), entendendo que se reivindique a presença crianceira sem que ela seja incumbida, com romantismo, de criançar os espaços.

A operação cartográfica quando pressupõe uma movimentação da materialidade do poder por meio de dispositivos, permite o transbordamento da produção do debate que parte das rupturas. Este ensaio percorreu um acontecimento teórico, por assim dizer, oferecendo tratamento de protagonismo para o instante de colapso em potencial da composição crianceira como elemento estético. Por isso, a narrativa que caracterizou os processos históricos através dos discursos patriarcais, produtivistas e sedentários é enfrentada e o tempo linear dá espaço para a possibilidade de não falar, admitindo as discordâncias do tempo presentes no espaço possibilitando que adentrem para essa disputa da vida urbana os afetos menores, emergindo as coisas mínimas que produzem a cidade na sua dimensão sensível.

Eis o vértice fundamental para a articulação deste ensaio: a infância do corpo e do pensamento como possibilidade radical de uma experiência urbana contemporânea capaz de transcender os substratos modernos da cidade.

Referências

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Notas

1 Expressão desenvolvida na dissertação de mestrado da qual este ensaio é parte, intitulada Cidade e crianças: direito ao devir urbano (CLASEN, 2018), cuja reflexão aqui discorrida compõe o segundo capítulo. Volume Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1t0ywQCO0WESPignBHaG5ZyrhJwpqdkF-/view. Acesso em: 30 jun. 2020.
2 PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; ESCÓSSIA, Liliana da. (org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2009.
3 Galeria vinculada ao Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel, Pelotas, RS).


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